Ascendência genealógica de equinos Quarto de Milha em competições de vaquejada – Animais de esteira

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Ascendência genealógica de equinos Quarto de Milha em competições de vaquejada – Animais de esteira

 

Genealogical ascendancy of Quarter Horses in “vaquejada” competitions (Brazilian rodeo) – Animals used to lead the bull

Ascendencia genealógica de los caballos Cuarto de Milla en competiciones “vaquejada” – Animales que llevan el toro

Tobyas Maia de Albuquerque Mariz1, Túlio Felipe Ferreira Caetano2, Pierre Barnabé Escodro3, Carolyny Batista Lima1, Maiara Pinheiro de Oliveira2, Henrique Nunes Parente4, Ivo Guilherme Ribeiro de Araújo5, Julimar do Sacramento Ribeiro1

1Prof. Adjunto Doutor UFAL/Campus Arapiraca – Curso de Zootecnia– tobyasmariz@hotmail.com

2Aluno (a) UFAL/Campus Arapiraca – Curso de Zootecnia

3Prof. Adjunto Doutor UFAL- Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos-UFAL

4Prof. Adjunto Doutor UFMA/CCAA – Curso de Zootecnia

5Prof. Assistente Mestre UFMA/CCAA – Curso de Zootecnia

Resumo: O objetivo deste artigo foi analisar a ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha de esteirar a rês, classificados em competições de vaquejada realizadas pela Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM) no Brasil. De acordo com a base genética de formação, classificou-se o tipo produtivo dos animais que se classificaram até o vigésimo lugar nestas provas, entre os anos de 2003 e 2011, propondo sete categorias distintas quer fosse puramente trabalho, corrida e conformação e suas variantes mistas como trabalho/corrida, trabalho/conformação, corrida/conformação e trabalho/corrida/conformação. Analisou-se ainda a distribuição por gênero (machos e fêmeas) desses ganhadores, bem como a frequência percentual dos principais reprodutores e matrizes ascendentes em sua genealogia. Verifica-se uma prevalência do tipo produtivo de trabalho e de machos entre os animais avaliados. Não foi observada a presença de animais competidores da modalidade se destacando como produtores de campeões na função de esteirar a rês.

Palavras chave: Quarto de Milha, vaquejada, cavalos de esteirar, base genética.

Abstract: This study aimed to analyze the genealogical ascendancy of Quarters Horses used to lead the bull, ranked in “vaquejada” competitions (Brazilian Rodeo) performed by Brazilian Quarter Horse Association (ABQM) in Brazil. According to the genetic basis of training rated the type of productive animals that qualified to the twentieth place in these tests between the years 2003 and 2011, offering seven distinct categories whether it was only work, race and conformation, and its variants as work / race, work /conformation, race / conformation and working / running / conformation. It was also analyzed the distribution by sex (males and females) of these winners, as well as the percentage frequency of the main stallions and mares ancestors in genealogy. There is a prevalence of the type productive of work and males among animals evaluated. We’re not observed the presence of animals competitors the modality standing out as producing champions used to lead the bull.

Keywords: quarter horse, vaquejada, handles horses, genetic basis.

Resumen: Este estudio tuvo como objetivo analizar la ascendencia genealógica de caballos Cuarto de Milla que tiran el toro, clasificados en “Vaquejada” competiciones realizadas por la Asociación Brasileña de Criadores de Cabalos Cuarto de Milla (ABQM) en Brasil. De acuerdo con la base genética de la formación, se clasificó el tipo de animales productivos que se clasificó de primero a vigésimo lugar en estas pruebas entre los años 2003 y 2011, que ofrece siete categorías distintas: trabajo, carrera y conformación y sus variantes como conformación-trabajo, carrera-trabajo, carrera- conformación y trabajo –carrera-conformación. Se analizó también la distribución por sexo (machos y hembras) de estos ganadores, así como la frecuencia porcentual de los principales actores en las matrices ascendentes y de su genealogía. Hay un predominio del tipo de trabajo y los machos en los animales evaluados. No se observó la presencia de animales competidores de este deporte se destacó como productores de campeón de la función de llevar el toro.

Palabras- Clave: Cuarto de Milla, vaquejada, caballos de conducción, base genética.

INTRODUÇÃO

A vaquejada nos moldes atualmente conhecidos é um esporte equestre de difusão nacional e que movimenta anualmente mais de 160 milhões de reais4. Sua origem remota as práticas dos vaqueiros nordestinos, que no início da exploração das caatingas do sertão para criação de bovinos, faziam um trabalho de busca de rezes perdidas utilizando suas montarias como ferramenta principal3.

Nesse esporte, uma rês deve ser conduzida pela pista de competição até uma área previamente demarcada, onde será derrubada pela cauda. Esse trabalho é realizado por dois conjuntos cavalo/cavaleiro, sendo um responsável pela derrubada da rês propriamente dita e outro pelo auxílio na condução da mesma até a área de pontuação. O animal utilizado na segunda função descrita é chamado de cavalo de esteira, sendo preteridos para esse trabalho indivíduos velozes, resistentes, mas que tenham principalmente um bom senso de gado.

A raça Quarto de Milha é sem dúvida a que mais se inseriu no esporte, e desde 2003 sua associação realiza competições oficiais específicas para cavalos nela registrados. O alto valor comercial de equinos destinados à prática de esportes exige por parte dos selecionadores uma melhor identificação quanto à sua ascendência genealógica5. Um pedigree confiável permite ao criador identificar potenciais produtivos, o que já ocorre em algumas modalidades “western” onde o cavalo Quarto de Milha é a raça padrão. Porém, na vaquejada, ainda são escassos os estudos sobre as linhagens mais produtivas, sendo que Mariz et al. 11 levantou dados recentes, considerando a ascendência genealógica de animais de puxar.

No Quarto de Milha identificam-se três tipos produtivos básicos, comumente chamados entre os criadores de linhagens, existindo assim os animais tipo trabalho, corrida e conformação6. Neste contexto, objetivou-se com este estudo analisar a ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha usados para esteirar a rês, classificados em competições de vaquejada realizadas pela ABQM no Brasil, a fim de determinar o tipo produtivo, gênero e reprodutores e matrizes prevalentes até o momento.

MATERIAL E MÉTODOS

Para realização do trabalho foi analisada a ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha usados para esteirar a rês, classificados em competições de vaquejada realizadas pela ABQM no Brasil. As provas consideradas são realizadas anualmente, ocorrendo ao mesmo tempo à competição denominada Potro do Futuro de Vaquejada Quarto de Milha e o Campeonato Nacional de Vaquejada Quarto de Milha e mais recentemente o Derby de Vaquejada ABQM. Existe ainda uma subdivisão desses campeonatos quanto a duas classes de cavaleiros competidores, onde na classe amador podem se inscrever apenas praticantes que sejam proprietários de animais e a na classe aberta os vaqueiros profissionais.

Utilizando essas referências e com o acesso as informações genealógicas de cada um dos vencedores, disponibilizadas no site da ABQM, foi montada uma planilha com os nomes de seus ascendentes (pai e mãe, avôs e avós, bisavôs e bisavós), para análise dos tipos produtivos formadores do mesmo.

De acordo com a base genética de formação classificou-se o tipo produtivo de cada um dos 599 animais que se classificaram no máximo até o vigésimo lugar nestas provas, entre os anos de 2003 e 2011. Foram estabelecidas sete categorias distintas, nas quais cada animal poderia se enquadrar unicamente, quer fosse produto do cruzamento entre genitores de tipo produtivo puramente trabalho, corrida e conformação ou de suas variantes mistas como trabalho/corrida, trabalho/conformação, corrida/conformação e trabalho/corrida/conformação.

Analisou-se ainda a distribuição por gênero (machos e fêmeas) desses classificados, bem como a frequência percentual dos principais reprodutores e matrizes ascendentes em sua genealogia, considerando as gerações formadoras anteriores.

Foi aplicado um teste Skott-Knott nas médias percentuais da análise de tipo produtivo e gênero, por meio do software SISVAR.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de frequência de tipo produtivo são apresentados na Tabela 1. Observa-se uma prevalência significativamente superior (P<0,05) para animais gerados de ascendentes genealógicos de tipo produtivo de trabalho, representando mais de 50% do total. A segunda classe mais prevalente foi a dos animais de tipo produtivo misto trabalho/corrida, seguido dos tipos corrida, trabalho/conformação e trabalho/corrida/ conformação, que não diferiram entre si. As menores frequências observadas foram para animais de tipo produtivo puramente conformação ou de ascendentes mistos corrida/conformação.

O cavalo que é empregado na vaquejada na função de esteirar a rês deve possuir antes de tudo um bom senso de gado, uma vez que realiza ações que lembram em muito o trabalho de apartação de gado realizado nas fazendas. Essa habilidade está historicamente vinculada à formação do Quarto de Milha, principalmente aos animais de tipo produtivo de trabalho que foram selecionados ao longo dos anos para desempenhar diversas atividades que mais tarde vieram a compor modalidades esportivas conhecidas como “western”, entre elas o laço ao bezerro, bulldog e a própria apartação6. Esse fato justifica a superioridade percentual desse tipo produtivo em relação aos demais na categoria de animais de esteira, resultado diferente do observado por Mariz et al.11 para cavalos de puxar a rês, onde prevaleceu o tipo produtivo trabalho/corrida nos animais analisados nos mesmos campeonatos.

Observa-se que a inserção do tipo produtivo de corrida ganhou força também no cavalo de esteira, já que 27,3 % dos indivíduos tinham essa composição em sua genealogia. A mescla desses dois tipos produtivos pode advir de uma tentativa de unir senso de gado a uma maior resistência física, já que os cavalos de esteira comumente auxiliam a mais de um cavalo de puxar em uma mesma competição, competições essas que são longas e desgastantes. O aumento do uso do tipo produtivo de corrida, seja em sua forma pura, seja em sua forma mista com o de trabalho, não parece, entretanto, acompanhar a mesma tendência de crescimento observada nos animais de puxar, conforme verificado novamente no estudo feito por Mariz, et al.11, de forma que só o tempo mostrará se os efeitos dessa inserção foram considerados benéficos pelos criadores/competidores ou não, e dessa forma se vai aumentar ou regredir.

O que nota-se de semelhança entre os resultados aqui observados para cavalos de esteira, e os verificados para cavalos de puxar, é o fato de que o tipo produtivo de conformação vem perdendo espaço na genealogia dos animais competidores de vaquejada11, reflexo da diminuição do interesse na criação de animais desse tipo já há alguns anos na criação nordestina, que antes tinha bastante tradição nesse segmento de seleção da raça.

A prevalência de gênero (machos e fêmeas) no quadro de campeões analisado nesse estudo em equinos Quarto de Milha usados para esteirar a rês é apresentada na Tabela 2. A frequência de machos vencedores é maior que a de fêmeas (P<0,05), sendo de 64,2 e 35,8 % respectivamente. A vinculação de fêmeas ao trabalho reprodutivo dos criatórios é provavelmente o fator que mais interfere em sua menor frequência entre os classificados nos campeonatos analisados, uma vez que sua longa gestação inviabiliza sua utilização concomitante nessa atividade esportiva extremamente intensa. A valorização do mercado de fêmeas de alto valor genético e competitivo atualmente, contudo, estimula a adoção de biotecnologias reprodutivas como a transferência de embriões10 e amplia a possibilidade de inserção maior desses animais nesse cenário esportivo.

A frequência de fêmeas de esteira entre os animais classificados, contudo, mostra-se maior do que a frequência desse gênero entre os animais usados para puxar a rês, que foi de 26,7%11. O temperamento naturalmente mais linfático das fêmeas em relação aos machos, diretamente vinculado à falta de influência do hormônio testosterona2,9, pode contribuir para o desempenho desses animais atletas de esteira na vaquejada, por essa ser uma função que exige maior concentração e tranquilidade por parte do animal para que seja bem realizada, explicando os resultados obtidos.

Os resultados de frequência dos principais ascendentes genealógicos presentes nos pedigrees dos animais classificados nas provas de vaquejada consideradas nesse estudo são expostos nas figuras de 1 a 6.

De forma geral, verifica-se que a incidência de uso de determinados reprodutores e matrizes como genitores é baixa nos pedigrees avaliados, sejam na condição de pais e mães, avôs e avós ou bisavôs e bisavós, reflexo do pouco tempo advindo da oficialização do esporte por parte da ABQM, só ocorrida a partir do ano de 2003.

Comparando-se os resultados referentes à frequência de reprodutores (Figuras 1, 3 e 5) com os referentes às matrizes (Figuras 2, 4 e 6), percebe-se ainda que o uso de fêmeas na produção de animais de esteira de vaquejada é mais variável que o de machos, pela condição padrão de uso de um reprodutor para servir a mais de uma matriz concomitantemente 10. Esse fato se repete também na produção de cavalos de puxar 11.

Na Figura 1 listam-se os reprodutores que aparecem com maior frequência como pais nos pedigrees analisados. A primeira posição ficou para Mean and Lean (PO25909), garanhão filho de Doc O’Lena com a égua Gay Bar’s Gidget, trazendo portanto em sua linha paterna a genética de Doc Bar, um expoente da raça inserido no hall da fama no ano 199312. Foi competidor e vencedor de provas de apartação na região Nordeste, mas se destacou mais na reprodução, onde seus mais de 160 filhos acumulam até o momento mais de 380 pontos, muitos competindo em provas de vaquejada.

O segundo lugar fica dividido entre Sandstorm Pep (PO36594) e Tardee Array HJ (PO48450). Sandstorm Pep é filho de Peppy San Badger com Doctors Sand Doll, o que une em seu pedigree as genéticas de animais que fizeram história no tipo produtivo de trabalho do Quarto de milha, quer seja Leo (AQUA-13) na linha paterna e Doc Bar (AQUA-00) na linha materna. É registro de mérito superior na modalidade Laço Cabeça classe aberta, tendo também competido com sucesso em provas de Laço Pé, Laço em Dupla e Team Pening, acumulando 83,5 pontos na ABQM. Produziu 125 filhos, que competem em várias modalidades de trabalho, e acumulam até hoje mais de 775,5 pontos no ranking da associação.

Já Tardee Array HJ é filho de Mr Array com Tardees Rose, trazendo em sua genealogia nomes que apresentaram algum destaque em provas funcionais, mas principalmente como representantes do tipo produtivo de conformação, como o garanhão Impressive (AQUA-76), maior representante dessa linha de seleção1 e que está presente em sua linha genética paterna e materna. Tarde Array HJ competiu em provas de conformação no Brasil, mas se destacou na reprodução onde gerou 102 filhos que acumularam 527 pontos, sendo alguns em conformação, mas a ampla maioria em vaquejada, muitos obtendo registro de mérito e registro de mérito superior nessa categoria.

Dentre os demais cavalos destacados como pais, estão Makin a Play, Peppy Dry Badger, Sage Skipper e Thunder Chief, de tipo produtivo de trabalho, Don Diego Bars e Ronald da ER, mistos de trabalho com corrida, e Great Money JAV de ascendentes mistos de trabalho com conformação.

Na Figura 2 estão as matrizes mais frequentes como mães nos pedigrees analisados nesse estudo. A primeira colocada é Perícia do Vale (MO94750), uma égua mestiça 7/8, filha de Mr Let Gold, de tipo produtivo de corrida, com a égua Harpa do Vale, tipo trabalho. Produziu sete filhos sendo Carimbo do Vale o que se destacou como animal de esteira, e único que pontuou alcançando 76,5 pontos na ABQM. Ele é o responsável por seu encabeçamento desta lista, já que figurou entre os classificados nas competições analisadas oito vezes entre os anos de 2003 e 2010.

É seguida por Doc Sana GR (PO14640), de tipo produtivo de trabalho e por Hasa Sugarbars Girl (PO10277), de ascendentes genealógicos tipo corrida na linha paterna e tipo trabalho na materna. Doc Sana GR é filha de Doc Bingo com Minnesota Hill VR, e produziu 14 filhos dos quais 10 somaram 163 pontos em competições diversas de trabalho como laço, team penning e vaquejada. Já Hasa Sugarbars Girl é filha de Catchme Ifyoucan com Orleta SKR, e produziu 9 filhos, onde 3 somaram 191,5 pontos no ranking ABQM até o momento, com Forasteiro Tardee acumulando sozinho 142 pontos como cavalo de esteira de vaquejada e Cowboy Tardee WLS outros 41 pontos na mesma função.

Dentre as demais éguas destacadas como mães estão Coquette Roket MF, Holly San Badge gerados por ascendentes de tipo produtivo de trabalho, Ilusion Peppy Lee e Peppy Doll DP (trabalho/corrida) e Mega Star HP com genealogia de animais tipo trabalho/conformação.

Na Figura 3 estão os reprodutores que aparecem com maior frequência como avôs nos pedigrees analisados. Peppy San Badger (AQUA-10) é nascido nos Estados Unidos, e um grande representante do tipo produtivo de trabalho, com seu nome inserido no hall da fama da raça no ano de 2008. Produzido a partir do cruzamento do grande Mr San Peppy, também inscrito no hall da fama do Quarto de Milha, com Sugar Badger, destacou-se como cavalo de muito senso de gado, ganhando importantes títulos em provas de apartação7,8. O mesmo ocorre com Doc O’Lena (AQUA-04), que aparece como segundo mais frequente na condição de avô, que também é americano e também representa os animais de trabalho, sendo filho de Doc Bar e Poco Lena, estando os três (pai mãe e filho) no hall da fama da raça1.

Os demais são reprodutores que se destacaram na condição de avôs no estudo, com ascendência genealógica de animais de tipo produtivo de trabalho foram Doc’s Bar PH, Keys To The Moon, Okaie Easterwood, Anjin San e Melodys Dun It. Tiveram ainda destaque os reprodutores de tipo produtivo de corrida Eternaly Fred, Mr. Let Gold e Holand Ease, e Sahdy Apolo Bars de ascendência genealógica mista trabalho/corrida.

Na Figura 4 são apresentadas as matrizes de maior frequência como avós nos pedigrees dos animais analisados nesse estudo. Conforme aconteceu com a análise das principais mães, aqui novamente a frequência média é ainda muito baixa, com diferença muito pequena entre a quarta e a nona colocada. Gay Bar’s Gidget (AQUA-33) é a primeira colocada, filha de Gay Bar King com Misty Cody, équa nascida nos Estados Unidos e que em conjunto com Doc O´Lena produziu no Brasil Mean and Lean, garanhão que mais se destacou na posição de pai nesse estudo. É seguida por Doctors Sandy Doll (AQUA-A4), também nascida nos Estados Unidos, filha de Docs J Jay com Sandstorm Dune, e por Tardees Rose (Tardee Impressive X Mach a Dots). No pedigree de Doctors Sandy Doll destaca-se novamente a presença da genética Doc Bar na linha paterna, e no de Tardees Rose, a presença do tipo produtivo de conformação marcante, principalmente pela genética do garanhão Impressive em sua linha genealógica alta.

Das demais fêmeas que se destacaram como avós, estão Minie Apolo Bars, Eternal Red Hobo e Phantinha, todas de tipo produtivo misto trabalho com corrida, Lady Top Bid e Playboys Madera, ambas de tipo produtivo de trabalho, e Ramblin Note, fechando a lista e representando o tipo produtivo de corrida.

Observa-se na Figura 5 os reprodutores de maior frequência como bisavôs nos pedigrees analisados. O resultado aponta a primeira posição para Doc O’Lena (AQUA-04), cuja referência encontra-se na Figura 3, já que este ocupou a segunda posição na maior frequência como avô. O segundo lugar é ocupado por Doc Bar (AQUA-00), animal de grande destaque na raça quarto de milha, pai de Doc O’Lena e outros campeões de modalidades de trabalho, e um dos grandes responsáveis por dar a Three Bars, que é seu avô, um lugar como pilar PSI na raça Quarto de Milha1.

Entre os demais garanhões que se destacam como bisavôs nos pedigrees analisados, Shady Apolo Bars e Mr Par Three mostram-se de tipo produtivo misto trabalho/corrida, e Eternal Steel de tipo produtivo de corrida. Todos os demais, Peppy San Badger, Freckles Payboy, Mr San Peppy, Doc’s Silver Bar, Sanjay e Doc’s Bar PH apresentam em sua genealogia, ascendentes de tipo produtivo de trabalho.

A Figura 6 trás as matrizes que aparecem com maior frequência como bisavós nos pedigrees analisados. A frequência média de repetição de matrizes continua baixa como nos demais níveis analisados (mães e avós). Das éguas que se destacaram produzindo animais competidores de vaquejada na função de esteira, com certeza Poco Lena (AQUA-00) é a mais premiada de todas. Filha de Poco Bueno com Sheilwin foi grande campeã na apartação onde somou 671 pontos, sendo a primeira fêmea a entrar para o hall da fama da raça1. A segunda colocada foi Sugar Badger (AQUA-01), filha de Gray Badger III com Sugar Townley.

Às demais matrizes que se destacaram como bisavós foram Fred’s Kitten de tipo produtivo de corrida, Miss Hula Feature e Miss Shady Bars, ambos mistas trabalho com corrida, e Maid a Bar, Bar Socks Babe, Easter Hollywood e Misty Cody de tipo produtivo de trabalho.

CONCLUSÕES

Os animais classificados nas provas oficiais de Vaquejada consideradas nesse estudo são em sua maioria produto do acasalamento entre animais de tipo produtivo de trabalho e corrida.

Não verifica-se animais competidores da modalidade se destacando como produtores de campeões, reflexo da profissionalização tardia, mas que tende a se modificar futuramente, devido aps programas de seleção direcionados para a vaquejada que aos poucos vem sendo realizados no país por alguns criadores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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  11. MARIZ, T. M. A.; LIMA, C. B.; OLIVEIRA, M. P.; et al. Ascendência genealógica de equinos Quarto de Milha em competições de vaquejada – Animais de puxar. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, nº 43, p.8-12, 2012.
  12. SIMMONS, D.C.; CLOSE, P. Legends 1: Outstanding Quarter Horse stallions and mares. Fort Worth: Western Horseman, 2002, 1ed, 168p.

Tabela 1. Frequência percentual de vencedores por composição genealógica de tipo produtivo em resultados oficiais de provas de vaquejada organizadas pela ABQM no Brasil, para animais de esteira.

Anos Tipo Produtivo
Trabalho Corrida Conformação Trabalho/

Corrida

Trabalho/

Conformação

Corrida/

Conformação

Trabalho/

Corrida/

Conformação

2003 44 10 0 28 14 0 4
2004 67,3 1,8 3,6 12,7 9,1 1,8 3,6
2005 52,3 1,5 4,6 21,5 15,4 0,0 4,6
2006 49,2 6,2 3,1 29,2 6,2 3,1 3,1
2007 63,5 9,5 0,0 17,5 9,5 0,0 0,0
2008 48,5 15,2 0,0 25,8 6,1 0,0 4,5
2009 39,7 5,2 1,7 37,9 12,1 0,0 3,4
2010 49,0 5,9 0,0 37,3 5,9 0,0 2,0
2011 55,3 3,5 0,0 32,5 6,1 0,0 2,6
Média Geral (%) 52,5a 6,3c 1,4d 27,3b 9,0c 0,5d 3,1c

Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem estatisticamente (P<0,05) pelo teste de Skott-Knott.

Tabela 2. Frequência percentual para gênero (machos e fêmeas) entre os vencedores de provas de vaquejada oficiais da raça Quarto de Milha no período de 2003 a 2011, para animais de esteira.

Gênero Ano
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Média Geral (%)
% Machos 66 84,1 58,2 61,5 65,1 57,6 60,3 61,5 64,0 64,2a
% Fêmeas 34 15,9 41,8 38,5 34,9 42,4 39,7 38,5 36,0 35,8b

Médias seguidas de letras diferentes na mesma coluna diferem estatisticamente (P<0,05) pelo

teste de Skott-Knott.

MACHOS pais

Figura 1: Frequência de reprodutores como pais, na ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha, classificados em Provas Nacionais de Vaquejada da ABQM na categoria de esteira.

FÊMEAS Mães

Figura 2: Frequência de matrizes como mães, na ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha, classificados em Provas Nacionais de Vaquejada da ABQM na categoria de esteira.

MACHOS avôs

Figura 3: Frequência de reprodutores como avôs na ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha classificados em Provas Nacionais de Vaquejada da ABQM, na categoria de esteira.

FÊMEAS Avós

Figura 4: Frequência de matrizes como avós na ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha classificados em Provas Nacionais de Vaquejada da ABQM, na categoria de esteira.

MACHOS bisavôs

Figura 5: Frequência de reprodutores como bisavôs na ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha classificados em Provas Nacionais de Vaquejada da ABQM, na categoria de esteira.

Figura 6: Frequência de matrizes como bisavós na ascendência genealógica de equinos da raça Quarto de Milha classificados em Provas Nacionais de Vaquejada da ABQM, na categoria de esteira.

 

Artigo Autorizado pela Revista +Equina

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