AVALIAÇÃO LEUCOCITÁRIA E DOSAGEM DE CORTISOL DE CAVALOS QUARTO DE MILHA UTILIZADOS EM PROVAS DE TRÊS TAMBORES: INTERFERÊNCIA DO TREINAMENTO NA SAÚDE ANIMAL

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LEUKOCYTE EVALUATION AND CORTISOL DOSAGE IN QUARTER HORSES USED IN PROOFS OF THREE BARRELS: INTERFERENCE OF TRAINING IN ANIMAL HEALTH

EVALUACIÓN DE LEUCOCITOS Y DOSIFICACIÓN DE CORTISOL EN CABALLOS CUARTO DE MILLA EMPLEADOS EN PRUEBAS DE TRES BARRILES: INTERFERENCIA DE FORMACIÓN EN SALUD ANIMAL

 

RESUMO: Cavalos que realizam atividades esportivas, frequentemente sofrem um alto nível de estresse durante competições e treinamentos intensivos, podendo acarretar diversos tipos de problemas, atingindo assim seu sistema imunológico. Neste projeto foi realizado o estudo da avaliação leucocitária e dosagem de cortisol, com o intuito de avaliar a interferência do treinamento na saúde animal e bem estar de cavalos atletas praticantes do esporte equestre três tambores. Foram analisadas amostras sanguíneas de 8 equinos da raça Quarto de Milha em treinamento intenso sendo 4 machos e 4 fêmeas, todos em perfeito estado de saúde. As coletas foram realizadas em três momentos, uma antes do treino com o animal em repouso, outra logo após o treino animal em pista, e uma terceira 24 horas após o treino, com animal dentro da baia, todas sendo realizadas no período diurno e analisadas no laboratório em seguida. O presente estudo obteve em alguns animais, aumento discreto de leucócitos totais, basófilos e cortisol plasmático porém, não significativo estatisticamente. Assim com base no presente estudo pode ser observado que cada vez mais os animais estão sendo treinados e tratados adequadamente, assim apresentando menos alterações em relação a seu estado imunológico e se adaptando ao estresse que são submetidos, livres de qualquer intolerância ao exercício físico.

Unitermos: Avaliação leucocitária, dosagem de cortisol, Quarto de Milha, sistema imunológico.

ABSTRACT: Horses that perform sports activities, often suffer high levels of stress during intensive training and competitions, which may cause various problems, thus affecting your immune system. In this project, the study of leukocyte evaluation and cortisol, in order to evaluate the effect of training on animal health and welfare practitioners horses equestrian sport athletes that perform barrel racing. Blood samples of 8 horses of Quarter Horse were analyzed in intense training with 4 males and 4 females, all in perfect health. The sampling was conducted in three steps, the first one was done before training with the animal at rest, the second one was just after the training on the field and the third one was done 24 hours after training with the animals inside the stables, all being made during daytime and analyzed in the laboratory afterwards. The result of this study showed a slight increase in leukocytes, basophils and plasma cortisol but not statistically significant. So, based on this study, the results showed that the animals are being well treated and having the appropriate training, presenting less change in their immune status and adapting to the stress they undergone and free of intolerance to exercise.

Keywords: Evaluation leukocyte, cortisol, Quarter Horses, immune system.

RESUMEN: Los caballos realizan actividades deportivas, a menudo sufren altos niveles de estrés durante el entrenamiento y las competiciones de obra, lo que puede causar varios problemas, llegando así a su sistema inmunológico. En este proyecto, el estudio de evaluación de leucocitos y el cortisol, con el fin de evaluar el efecto de la formación del médico de familia y el bienestar de los animales caballos atletas de deportes ecuestres se realizó tres barriles. Se analizaron muestras de sangre de 8 caballos de Cuarto de Milla en el entrenamiento intenso, con 4 hombres y 4 mujeres, todos en perfecto estado de salud. El muestreo se llevó a cabo en tres fases, una antes de entrenar con el animal en reposo, el animal era otro entrenamiento de pista, y la tercera 24 horas después de la formación, con el animal en el interior de la bahía, todo se hizo durante el día y se analiza en el laboratorio después. Este estudio fue en algunos animales, un ligero aumento en el total pero no estadísticamente significativas leucocitos, basófilos y cortisol en plasma. Así que en base a este estudio se puede ver que cada vez más animales están siendo entrenados y tratados adecuadamente, presentando así un menor cambio en relación con su estado inmunológico y la adaptación al estrés que sufren, libre de la intolerancia al ejercicio.

Palabras clave: Evaluación de leucocitos, cortisol, caballos cuarto de milla, el sistema inmunológico.

Introdução

O esporte equestre está em ascensão, contendo atualmente diversas modalidades, alguns de importância apenas regionais e outros internacionais, entre eles estão os três tambores. Por ser uma das modalidades mais praticadas na atualidade, vem aumentando o número de animais e os problemas envolvidos com a prática deste esporte, sendo realizado pelo equino considerado o mais versátil do mundo, o Quarto de Milha.

A raça Quarto de Milha é conhecida pelo seu temperamento dócil e grande aptidão esportiva, devido suas características morfológicas, principalmente a de possuir exuberante musculatura, o que o torna um cavalo capaz de atingir grandes velocidades em curtas distâncias, tendo tudo que é necessário para realizar com grande sucesso as provas de hoje, a qual exige uma sincronia entre o cavaleiro e o animal.

O esporte três tambores exige principalmente uma atividade anaeróbica de curta duração e alta intensidade, onde são extremamente exigidos, regulamentada por rigorosas normas, a fim de preservar a integridade física do animal, onde um Juiz responsável inspeciona o animal ao término do percurso.

A profissionalização do esporte, aliada ao aumento do numero de eventos e competidores, tem acarretado uma maior exigência física dos cavalos que são submetidos a provas extenuantes durante dias, onde alguns animais chegam a disputar várias categorias em uma mesma competição.

Esses equinos freqüentemente sofrem um alto nível de estresse durante competições, por terem contato direto com outros animais, condições de clima, a pista onde competem, sons os quais não estão acostumados e treinamentos intensivo, visando um melhor condicionamento físico, assim tendo uma grande variedade de parâmetros fisiológicos alterados durante treinamentos e competições, como traumas em diversos sistemas, podendo atingir até mesmo seu sistema imunológico, agravando alguns casos.

O objetivo deste estudo foi avaliar a interferência do treinamento na saúde e bem estar de cavalos atletas (Figura 1) que realizam o esporte equestre de Três Tambores (Figura 2).

Foram analisados 8 equinos, com idade entre 4 a 6 anos em treinamento intenso, sendo 4 fêmeas e 4 machos, todos da raça Quarto de Milha. A partir destas amostras, foi realizada uma avaliação leucocitária quantitativa e dosagem de cortisol sanguíneo para tentar estimar o estresse em que estes são submetidos.

Revisão de literatura

Uma grande variedade de parâmetros fisiológicos como índice de recuperação cardíaca, grau de desidratação e hipertermia é alterada durante treinamentos e competições 19.

A utilização de exames para a avaliação do desempenho atlético, juntamente com as respostas fisiológicas obtidas pela ação do exercício e do treinamento, pode ser uma valiosa ferramenta para maximização dos resultados obtidos nas competições. Além disso, os exames são importantes para detectar patologias (doenças, afecções, enfermidades) cardíacas, respiratórias e músculo-esqueléticas, entre outras, que são fatores limitantes à realização de exercícios 2.

As alterações leucocitárias que ocorrem durante provas de longa duração difere daquela observada sob condições de exercício de máxima intensidade, como nas provas dos três tambores 23.

Assim, Snow e Rose (1981) 25 associaram as provas de enduro com leucocitose devida à neutrofilia, sendo esta última, possivelmente, decorrente do estresse associado com o incremento dos níveis plasmáticos de cortisol, além de existir provável correlação com as concentrações de noradrenalina, com a velocidade do fluxo sangüíneo e com a freqüência cardíaca 22.

Segundo Dukes (1996) 5, o sangue é a via pela qual são supridos oxigênio e substratos para a musculatura e pela qual são removidos produtos catabólicos, incluindo calor. Quando um animal faz exercício, as alterações observadas no sangue circulante são notavelmente rápidas. A mais impressionante é um aumento pronunciado no volume unitário de eritrócitos, leucócitos e plaquetas.

O conhecimento da produção, distribuição e fisiopatologia leucocitária são essenciais para a interpretação do significado do leucograma 12.

A avaliação leucocitária fornece dados laboratoriais extremamente úteis, elas são células de defesa do organismo. Os leucócitos incluem neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos11.

Os leucócitos, estão divididos em duas categorias principais que são polimorfonucleados e mononucleares, os polimorfonucleados abrangem neutrófilos, eosinófilos e basófilos, que são produzidos na medula óssea. Os mononucleares são constituídos por linfócitos e monócitos, os linfócitos são produzidos na medula óssea, nos órgãos linfóides e tecidos linfóides associados ao sistema digestivo (placas de Peyer, tonsilas), os monócitos, a maior das células do sangue, originam-se da medula óssea 24.

A resposta dos leucócitos é classicamente caracterizada pela neutrofilia, linfopenia, monocitose e eosinopenia 18.

Um parâmetro fisiológico que pode auxiliar na avaliação do estado geral do cavalo é a concentração de cortisol plasmático 7, 9, 13, 17 ,uma vez que o cortisol, ou hidrocortisona, é o principal glicocorticóide do córtex supra renal em equinos 6, 16.

A elevação dos níveis de cortisol no sangue é um bom indicador que formatado pode ser usado para avaliar se um equino sofre de estresse 1.

Desmecht et al. (1996) 4 afirmaram que aumento de cortisol estava diretamente relacionado com a intensidade e a duração do esforço físico. O exercício físico aumentou significamente os níveis séricos de cortisol em cavalos submetidos à provas de enduro equestre 19, 25.

O cortisol é um hormônio secretado pelas glândulas adrenais na região do córtex adrenal. Os hormônios do córtex da adrenal são esteróides, formados a partir do colesterol, denominados de glicocorticóides 21.

O cortisol é o principal e mais potente glicocorticóide envolvido na regulação do metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Possui um padrão rítmico de liberação, com níveis elevados pela manhã, decrescendo até o final do dia 15 ,com isso o cortisol frequentemente é utilizado em experimentos para avaliar o estresse geral imposto a um animal por qualquer tipo de estimulo físico ou emocional 8.

A resposta do organismo ao estresse é imediata, elevando as concentrações de cortisol rapidamente, atingindo níveis elevados dentro de poucos minutos 3 . Todos os animais respondem a estímulos como manipulação física e traumas, com diferentes componentes de ordem neural, humoral ou metabólica. As alterações impostas por esses estímulos são genericamente chamadas de respostas ao estresse 27 .

O cortisol, por um lado, aumenta a resistência do organismo ao estresse, porém quando em doses elevadas, exerce ações antiinflamatórias e supressoras da imunidade mediada por células, ou seja, age no sentido de inibir respostas necessárias para o combate a diversos tipos de lesões celulares e infecções 11 .

Exposições repetitivas a fatores estressantes frequentemente resultam em adaptação ou habituação. Essa resposta é crucial para o bem-estar do organismo, pois permite que o mesmo lide melhor com o estresse. A rapidez com que a adaptação ocorre depende da severidade, duração e tipo de estresse 26 .

MATERIAIS E MÉTODOS

Para a elaboração do presente experimento foram utilizadas amostras de sangue de 8 equinos da raça Quarto de Milha, submetidos ao treinamento de Três Tambores de intensidade moderada a severa, residentes na região de Suzano – SP, no Haras Jardim.

Os equinos avaliados possuíam idade entre 3 a 5 anos, entre eles 4 machos e 4 fêmeas, residentes do mesmo centro de treinamento, alimentados de forma similar, com ração laminada e volumoso, vacinados, vermifugados, livres de ectoparasitas e hemoparasitoses, sem nenhuma outra afecção aparente em qualquer sistema do organismo.

O treinamento dos animais foi realizado na parte da manhã trabalhando durante 50 minutos, em pista de areia, seguindo a sequência de passo, trote, galope para seu aquecimento e exercícios específicos da modalidade, como flexão de cervical, movimentos rotatórios, esbarros, entre outros. As exigências físicas severas como simulação de prova duravam em torno de 20 minutos.

As amostras sanguíneas foram por venopunção jugular externa, utilizando o sistema de coleta a BD Vacutainer®1 em tubos com EDTA e tubo seco, para avaliação leucocitária e dosagem de cortisol. As venopunções foram precedidas pela devida anti-sepsia da região a ser introduzida a agulha com álcool iodado e algodão.

Foi analisada 24 amostras de sangue de 8 equinos coletadas em três tempos diferentes, todos no período da manhã; (T 1): com o animal em repouso antes do treino (Figura 1), (T 2): logo após o exercício (Figura 2), (T 3): 24 horas depois com animal dentro da baia (Figura 3), sendo que em todas essas coletas foram realizados os respectivos esfregaço sanguíneo para contagem diferencial de leucócitos.

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Figura 1. Coleta com o animal em repouso antes do treino. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

 

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Figura 2. Coleta logo após o exercício físico. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

 

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Figura 3. Coleta 24 horas depois com animal dentro da baia. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

 

Estas amostras foram encaminhadas para o Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Veterinário da Universidade Metodista de São Paulo, sob refrigeração, para devida análise da avaliação leucocitária no mesmo dia da coleta no período da tarde.

Já para a dosagem de cortisol, a amostra sanguínea do tubo seco foi centrifugado por 5 minutos à 3.000 rpm com o intuito de separar o soro para armazenar em tubo seco, sendo congelado para posterior análise em Laboratório externo TECSA pelo método de eletroquimioluminescência.

A contagem diferencial foi feita através de um esfregaço sanguíneo, corado com coloração de panótico rápido e observado em microscópio (Nikon ®) com objetiva de imersão a óleo (100x). A leitura foi realizada mais próxima a cauda, sempre seguindo um padrão. Foi utilizado um contador diferencial (Kacil ®) para diferenciação até somar 100 células. No final da contagem foi estabelecida a fórmula leucocitária para determinar os números absolutos de cada tipo celular.

A determinação da contagem de leucócitos foi realizada no contador automático de células (BE -1001®).

Para a realização do cortisol o sangue foi centrifugado na centrifuga de rotor móvel (Quimis ®), separado e congelado para posterior avaliação no soro, através do método de eletroquimioluminescência.

Resultados

Tabela 1 – Valores para a contagem total de leucócitos totais, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (x102 / mm3).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
1 8,1 8,9 8,3
2 8,6 8,5 8,0
3 10,8 12,6 10,0
4 9,2 9,8 9,0
5 9,0 9,1 9,3
6 9,5 8,9 8,7
7 12,5 10,1 8,8
8 9,1 15,0 10,2
Valores de Referência 6 – 10 6 – 10 6 – 10

Tabela 2 – Valores absolutos e relativos para a contagem total de neutrófilos segmentados, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 4374 54 3026 34 4150 50
2 2752 32 3145 37 3040 38
3 5076 47 7182 57 6900 69
4 5520 60 5488 56 5490 61
5 3780 42 5187 57 5022 54
6 4275 45 3204 36 3132 36
7 6125 49 5555 55 5280 60
8 5460 60 8400 56 5712 56
Valores de Referência 1,053 – 5,121 22 – 72 1,053 – 5,121 22 – 72 1,053 – 5,121 22 – 72

Tabela 3 – Valores absolutos e relativos para a contagem total de linfócito, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 3564 44 5518 62 3901 47
2 5160 60 4675 55 4640 58
3 4536 42 4410 35 2700 27
4 3404 37 3822 39 3420 38
5 4140 46 3458 38 3813 41
6 4370 46 4361 49 4785 55
7 5625 45 3636 36 2992 34
8 5460 36 5550 37 3570 35
Valores de Referência 972 – 3,855 17 – 68 972 – 3,855 17 – 68 972 – 3,855 17 – 68

Tabela 4 – Valores absolutos e relativos para a contagem total de monócito antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 162 2 89 1 83 1
2 430 5 170 2 240 3
3 216 2 378 3 100 1
4 92 1 98 1 90 1
5 270 3 182 2 186 2
6 190 2 534 6 174 2
7 375 3 505 5 352 4
8 182 2 600 4 612 6
Valores de Referência 162 – 386 0 – 7 162 – 386 0 – 7 162 – 386 0 – 7

Tabela 5 – Valores absolutos e relativos para a contagem total de eosinófilo, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 267 3 83 1
2 258 3 425 5
3 756 7 630 5 200 2
4 92 1 98 1
5 810 9 182 2 93 1
6 570 6 356 4 435 5
7 250 2 303 3
8 91 1 300 2 102 1
Valores de Referência 197 – 408 0 – 10 197 – 408 0 – 10 197 – 408 0 – 10

Tabela 6 – Valores absolutos e relativos para a contagem total de basófilo, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 83 1
2 80 1
3 216 2 100 1
4 92 1 294 3
5 91 1 186 2
6 95 1 445 5 87 1
7 101 1 176 2
8 91 1 150 1 204 2

Tabela 7 – Valores absolutos e relativos para a contagem total de bastonete, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1
2
3
4
5
6 87 1
7 125 1
8

Tabela 8 – Valores para a dosagem total de cortisol, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mcg/dl).

Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
1 4,61 8,20 4,62
2 4,10 9,55 3,21
3 3,82 5,64 3,81
4 3,58 6,71 2,03
5 3,64 6,49 2.22
6 3,55 7,42 2,97
7 6,78 6,06 4,77
8 6,48 4,30 3,13

Tabela 9 – Médias e desvios padrões para as análises de leucograma e cortisol de equinos em treinamento, antes, depois e 24 horas após o exercício da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores.

Análise N Antes do exercício Após o exercício 24 horas do exercício
média DP média DP Média DP
Leucócitos 8 9.600,0 a 1,400,0 10.362,5 a 2.200,0 9.037,5 a 700,0
Eosinófilos 8 4.142,8 a 3.100,0 3.125,0 a 1.450,0 2.000,0a 1.700,0
Segmentados 8 48.625,0 a 9.440,0 48.500,0 a 10.677,0 53.000,0 a 11.351,0
Bastonetes 8 1.000,0 a 0,0 0,0 a 0,0 1.000,0 a 0,0
Linfócitos 8 44.500,0 a 7.367,0 43.875 a 10.176,0 41.875 a 10.722
Monócitos 8 2.500,0 a 1.195,2 3.000,0 a 1.851,6 2.500,0 a 1.772,0
Basófilos 8 1.250,0 a 500,0 2.200,0 a 1.788,8 1.428,5 a 534,5
Cortisol 8 4.570,0 b 1.320,0 6.796,2 a 1.610,0 3.345,0 b 1.005,0

Letras diferentes significam que houve diferenças estatisticamente significantes (P<0,05)

Tabela 10 – Valores de referencia para leucócitos totais, neutrófilos segmentados, linfócito, monócito, eosinófilo, basófilo e bastonete ( x102 mm3).

Parâmetro Valores
Absoluto Relativo
Leucócitos Totais 1,927 – 9,673 6 – 10
Neutrófilos Segmentandos 1,053 – 5,121 22 – 72
Linfócito 972 – 3,855 17 – 68
Monócito 162 – 386 0 – 7
Eosinófilo 197 – 408 0 – 10
Basófilo 44 – 89 0 – 4
Bastonete Raros Raros

Fonte: Modificado de JAIN, C. N. (1993, p. 21.)

Tabela 11 – Valores de referência para cortisol plasmático (mcg/dl).

Parâmetro Valores
Cortisol 3,0 – 10,0*

* Valores de referência utilizado no Laboratório TECSA, localizado em Belo Horizonte- MG/Brasil.

Os resultados obtidos não evidenciaram grandes alterações em cavalos da raça Quarto de Milha que realizam Três Tambores, alguns animais apresentaram valores discretamente aumentados para contagens de leucócitos totais, basófilos, todos esses parâmetros logo após o exercício. O cortisol foi a única análise que obteve alteração segundo a análise estatística, sendo que os valores após o exercício mostraram aumento estatisticamente significante, mas mesmo assim continuam dentro do considerado normal para a espécie. Os animais durante a pesquisa não apresentaram nenhum sinal clínico alterado.

Discussão

A utilização de exames para a avaliação do desempenho atlético, juntamente com as respostas fisiológicas obtidas pela ação do exercício e do treinamento, pode ser uma valiosa ferramenta para maximização dos resultados obtidos nas competições 2, 19, 23 .

A realização desse estudo foi feito no intuito de identificar a presença do estresse em cavalos da raça Quarto de Milha, submetidos a treinamento de alta intensidade para a modalidade de Três Tambores como realizado pelos autores ALEXANDER; IRVINE, 1998 1; DESMECHT et al., 1996 4.

Poucos animais apresentaram valores discretamente aumentados para as contagens de leucócitos totais, sendo três animais no total. Os aumentos encontrados foram sutis e devem ser devido à discreta hemoconcentração que ocorre com frequência em cavalos atletas. Estes resultados foram os mesmos relatados por ROSE, R. J., HODGSON, D. R., 1982 23; SNOW., ROSE , 1981 25. No entanto alguns autores relatam que os animais envolvidos em uma situação de estresse apresentam uma pseudo-neutrofilia, eosinopenia, neutrofilia, linfopenia e monocitose sendo eles KERR, 2003 11; MEYER et al., 1995 18.

Um dos animais que apresentou discreto aumento de basófilos logo após o exercício, ficando um pouco acima dos valores de referência para a espécie em questão, no entanto este aumento é inconclusivo por ser um aumento sutil em que o animal não apresentou nenhum sinal clínico alterado.

O cortisol foi a única análise que obteve alteração segundo a análise estatística, sendo que os valores após o exercício mostraram aumento estatisticamente significante. No entanto os resultados continuaram dentro do considerado normal para a espécie estudada, portanto não podemos concluir que as alterações do cortisol encontradas neste estudo identificaram o estresse nesses animais conforme relatado por CUNNINGHAM, 1999 3 ;DESMECHT et al., 1996 4; FRANDSON; WILKE; FAILS, 2005 8 ; MIYASHIRO et al., 2012 19 ; ROSE et al., 1983 22; SNOW; ROSE, 1981 25.

De acordo com a literatura nacional e internacional consultada a maioria dos resultados encontrados no presente estudo foram concordantes; a maioria dos cavalos aqui analisados mostraram resultados considerados normais segundo a literatura especializada no assunto.

Os animais estudados não apresentaram nenhuma doença relacionada ao estresse durante ou logo após este estudo.

Conclusão

Através do presente estudo foi possível observar que de acordo com os resultados pode-se demonstrar que os equinos treinados regularmente, com manejo nutricional e assessoria veterinária frequente estão cada vez mais se adaptando a situações de estresse, o que é comum em animais adultos, podendo ser observado até mesmo em animais jovens como relatado no presente estudo.

Autores:

Natalia Serra Bueno *

naty_serra@hotmail.com

Graduanda da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

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Patrícia Moura da Cunha Souza

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Raphael Roseti Lavado

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Thiago de Azevedo Noronha

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Professor adjunto das Faculdade de Medicina Veterinária das Universidades Metodista de São Paulo (UMESP) e Universidade Paulista (UNIP)

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RG:13.901.951

 

REFERÊNCIAS

1 – ALEXANDER, S.; IRVINE, C.H.G. Stress in the racing horse: coping vs not coping. Journal of Equine Science, v.9, n.3, p.77-81, 1998. Disponível em: <http://www.jstage.jst.go.jp/article/ jes/9/3/77/_pdf>. Acesso em: 21 jan. 2014.

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3 – CUNNINGHAM, J.G. Tratado de fisiologia veterinária. 2 ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan. 1999, p. 528.

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