Como diferenciar Pitiose, Sarcóide e Habronemose?

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Como diferenciar Pitiose, Sarcóide e Habronemose?

Algumas das principais enfermidades cutâneas que acometem os equinos são a pitiose, sarcóide e habronemose, entretanto, muitos profissionais têm dificuldade de caracterizar cada enfermidade e entender suas diferenças. Nas fases iniciais de cada doença, estas apresentam lesões macroscópicas muito semelhantes, gerando ainda mais dúvidas e dificuldade para o clínico diagnosticar a doença e promover um tratamento eficaz, já que o tratamento entre as enfermidades é diferente e aplicado à cada situação. Visando essa dificuldade, este informativo tem como objetivo caracterizar as lesões e diferenciar cada enfermidade, auxiliando o reconhecimento de cada uma e suas particularidades.

O que é a Pitiose?

A pitiose é uma dermatopatia infecciosa causada pelo oomiceto aquático Pytium insidiosum, pertencente à família Pythiaceae, do gênero Pythium. Normalmente se desenvolve em locais alagadiços, especialmente nas regiões de clima tropical e subtropical onde o fungo tem um melhor ambiente para seu crescimento. O Pantanal brasileiro é o local com maior índice de pitiose em equinos pelo seu clima, apesar da maior prevalência em locais alagadiços, a enfermidade pode ocorrer em todo o país acarretando prejuízos significativos na agropecuária. Acomete animais de todas as idades e raças e ao longo de todo o ano, porém, é mais acentuada nos períodos em que a pluviosidade aumenta (Após o início da época de chuvas).

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Fonte: CATTO, 2009.

Nos equinos o Pytium insidiosum causa lesões cutâneas, progressivas, granulomatosas e ulcerativas, localizadas frequentemente nas porções distais dos membros e na região toracoabdominal. As lesões apresentam bordas irregulares e com hifas recobertas por células necróticas, formando massas branco-amareladas semelhante a corais, sendo denominadas Kunkers. Em casos avançados pode atingir outros órgãos secundariamente às lesões cutâneas, como o intestino, ossos, linfonodos e pulmões. O diagnóstico baseia-se na caracterização das lesões piogranulomatosas (Achados macroscópicos), associados à anamnese, imunohistoquímica e técnicas sorológicas. O tratamento consiste na excisão cirúrgica das lesões, que pode ser associada à imunoterapia e à aplicação tópica, intralesional ou sistêmica de antifúngicos, porém o custo do tratamento é alto e a resposta nem sempre é satisfatória.

O que é o Sarcóide Equino?

O sarcóide é uma neoplasia cutânea comum em equinos, localmente agressiva, porém é uma neoplasia benigna de distribuição mundial, sendo o tumor mais frequentemente observado em equídeos. A ocorrência do sarcóide não tem predileção por clima, pluviosidade, estação do ano, raça ou idade, entretanto estudos mostram que ocorre predominantemente em adultos de 3 a 6 anos de idade. Acredita-se que o agente causador seja proveniente de uma infecção pelo papilomavírus do tipo 1 ou 2 associados com alguns fatores, como trauma cutâneo, predisposição genética e exposição ao vírus. As apresentações das lesões macroscópicas podem ser encontradas em todo o corpo do animal, entretanto com mais predileção pela cabeça, pescoço, membros e pela região abdominal ventral.

Fonte: BRUM, 2010.

O sarcóide normalmente está associado a traumas prévios e pode se apresentar de seis tipos clínicos diferentes: verrucoso, fibroblástico, oculto, nodular, misto e malevolente. O diagnóstico consiste em biópsia das áreas afetas com confirmação histológica e as técnicas moleculares podem ser utilizadas para detecção do Papilomavírus Bovino. O tratamento depende do tamanho da lesão, sua localização e de diversos fatores, através dos quais o veterinário optará pela melhor intervenção para a resolução do caso. Dentre os tratamentos mais utilizados temos: excisão cirúrgica, crioterapia, imunoterapia, radioterapia e quimioterapia.

O que é a Habronemose?

É uma doença sazonal que é causada principalmente pelas larvas do nematódeo Habronema spp. Ocorre principalmente no verão e é popularmente conhecida como “Ferida de Verão”. O ciclo normal da enfermidade ocorre pela ingestão das larvas do parasita, as quais irão atingir a forma adulta no trato gastrintestinal e continuarão disseminando a doença pelas fezes (Habronema visceral). Por outro lado, as vezes as larvas podem ser depositadas pelos vetores em ferimentos previamente existentes no animal ou em áreas com umidade corpórea, tal qual a comissura dos olhos, comissuras labiais e também a porção distal dos membros. As lesões estão associadas principalmente a uma reação de hipersensibilidade pela presença das larvas mortas nas feridas.

Fonte: MALDONADO, 2015.

As feridas possuem aspecto ulcerado com presença de exsudato, com focos necróticos, coloração avermelhada por muitas vezes recoberta por crostas acinzentadas. O diagnóstico consiste na biópsia da lesão e no raspado cutâneo com análise histológica associada ao histórico da propriedade, anamnese do animal e lesões macroscópicas, porém a biópsia é o teste de eleição. O tratamento consiste na vermifugação dos animais para a eliminação do agente na forma adulta, tratamento tópico, e o tratamento cirúrgico pode ser indicado para a remoção do tecido necrótico juntamente com as larvas, associado ao trabalho de enfermagem na limpeza diária da lesão.

Diferenças entre Pitiose, Sarcóide e Habronemose

Pitiose Sarcóide Habronemose
Agente etiológico Pytium insidiosum Papilomavírus tipo 1 ou 2 Habronema spp.
Classificação da lesão Lesões cutâneas, progressivas, granulomatosas e ulcerativas. Massas branco-amareladas semelhante à corais. Verrucoso, fibroblástico, oculto, nodular, misto e malevolente. Ulceradas com presença de exsudato, com focos necróticos, coloração avermelhada por muitas vezes recoberta por crostas acinzentadas.
Local da lesão Porções distais dos membros e na região toracoabdominal Todo o corpo do animal, mas principalmente cabeça, pescoço, membros e região abdominal ventral Ferimentos previamente existentes no animal ou áreas com umidade corpórea (Comissura dos olhos, comissuras labiais e porção distal dos membros)
Diagnóstico Biópsia e caracterização histológica Biópsia e caracterização histológica Biópsia e caracterização histológica
Tratamento Excisão cirúrgica das lesões; imunoterapia; Aplicação tópica, intralesional ou sistêmica de antifúngicos. Excisão cirúrgica, crioterapia, imunoterapia, radioterapia e quimioterapia. Vermifugação, tratamento ttópico, excisão cirúrgica.

 

Conclusão

As enfermidades cutâneas são relativamente semelhantes e se diferenciam por detalhes, entretanto, é possível destacar cada doença em pontos específicos com auxílio da epidemiologia, anamnese completa e detalhada e os dados clínicos do animal. Todas essas informações somente são possíveis com um veterinário qualificado e atento aos achados clínicos de cada animal, o qual será o mais habilitado a diagnosticar e prescrever tratamentos adequados para cada enfermidade.

Texto por: Diego Duarte Varela, 5 ª fase, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Curitibanos.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

REFERÊNCIAS

BOWMAN, D. D.; DE GEORGIS, Parasitologia Veterinária. Parasitologia veterinária. Elsevier, 2010.

BRUM, Juliana S.; SOUZA, Tatiana M.; BARROS, Claudio SL. Aspectos epidemiológicos e distribuição anatômica das diferentes formas clínicas do sarcoide equino no Rio Grande do Sul: 40 casos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 30, n. 10, p. 839-843, 2010.

RODRIGUES, Celso Antônio; LUVIZOTTO, Maria Cecília Rui. Zigomicose e pitiose cutânea em equinos: diagnóstico e tratamento. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 3, n. 3, p. 03-11, 2000.

SALLIS, Eliza Simone Viegas; PEREIRA, Daniela Isabel Brayer; RAFFI, Margarida Buss. Pitiose cutânea em eqüinos: 14 casos. Ciência Rural, v. 33, n. 5, p. 899-903, 2003.

QUINN, P. J. et al. Microbiologia veterinária e doenças infecciosas. Artmed Editora, 2005.

ZACHARY, James F.; MCGAVIN, M. Donald. Bases da patologia em veterinária. Elsevier Brasil, 2012.

s; PEREIRA, Daniela Isabel Brayer; RAFFI, Margarida Buss.

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