COMPORTAMENTOS ESTEREOTIPADOS EM EQUINOS

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Há séculos o cavalo vem causando fascínio ao homem e prestando-lhe serviços, no passado, quando eram retirados do campo e conduzidos à cidade, os piquetes possuíam conformação ampla para que os animais pudessem se movimentar e pastejar. No entanto, com o passar do tempo as formas de criação e, consequentemente, as instalações tomaram nova forma, logo esse espaço foi reduzido obrigando o cavalo a viver confinado em pequenas baias, isso implicou em modificações no seu comportamento (REZENDE et al., 2006). Existem diversas razões que justificam a estabulação de cavalos, tais como o melhor controle das pastagens, redução de doenças parasitárias, controle da qualidade do alimento e da água que são fornecidos, controle do consumo, possibilidade de garantir a segurança do animal e protege-lo contra intempéries, (ROSE, 2004 apud KONIECZNIAK et al., 2014).

A estabulação dos cavalos tende a desencadear diversas atividades sem função alguma e comportamentos repetitivos, as chamadas estereotipias, (MILLS, 2005 apud STEINER et al., 2013). As estereotipias podem ser identificadas através da observação do animal e indícios no ambiente no qual ele está inserido, como, instalações danificadas, vocalização, alterações anatômicas e comportamentos anormais a espécie. São comportamentos característicos de equinos confinados o hábito de roer madeira, aerofagia com e sem apoio, movimentos de balanço, também conhecidos como “passo de urso”, maneios de cabeça, andar na baia, escoicear a cocheira, entre outros tipos de movimentos, (VIEIRA, 2006; VÍCIOS, 2007; LAWRENCE et al., 2008; ANDRADE 2009; BOM 2009 apud PEREIRA, 2016). A preocupação com esse tipo de comportamento nos cavalos deve-se pelo fato de haver depreciação do valor econômico do animal e consequências para a saúde do mesmo, por exemplo, a aerofagia pode desencadear cólica, considerada um problema grave em equinos (KONIECZNIAK et al., 2014).

Esses comportamentos estereotipados podem estar relacionados com o estado emocional de tédio e frustração, sua intensidade varia de animal para animal, (MILLS, 2005 apud JUNIOR, 2015). VIEIRA (2006), considera que a existência de estereotipias em equinos seja um indicativo de que sua saúde foi afetada, esse fato pode estar relacionado com a adaptação do animal com o meio e outros fatores aos quais ele é exposto. De acordo com KONIECZNIAK et al. (2014), muitos estudos são feitos sobre a estereotipia, ainda em 1902 o autor MOORE, descreveu que as consequências de se estabular um cavalo e a atribuição para os comportamentos anormais ou estereotipias podem ser decorrentes de ociosidade, pois os cavalos são animais que chegam a dedicar, em média, 16 horas por dia para pastejo, com pequenos intervalos, e quando estabulados as forragens são parcialmente substituídas por alimentos concentrados, o animal não realiza seleção do alimento, diminuindo o tempo gasto na ingestão da dieta. Outro ponto é a falta de contato social e a restrição do confinamento que afeta a locomoção do animal.

Figura 1 – Distribuição das horas do dia em vida livre.

Fonte: adaptado de Bird (2004, apud SILVA, 2014, p. 14) Figura 2 – Distribuição das horas do dia em baias.

 

Fonte: adaptado de Bird (2004, apud SILVA, 2014, p. 14)

 

SILVA (2014, p. 9), afirmou que é importante a realização de uma avaliação do bem-estar animal, através da observação dos animais e do ambiente e análise da provisão de recursos e gestão, fazendo questionamentos ao proprietário e/ou tratador, porém a observação direta pode ter uma influência sobre o comportamento dos animais, devido à presença do observador, então a análise de registros da propriedade e os questionamentos tornam-se bastante úteis. Segundo NICOL (2000 apud VIEIRA, 2006), devido há grande variação no manejo, os fatores de risco que constituem os estereótipos se tornam difíceis, por isso o ideal é que o monitoramento dos animais seja feito em tempo integral, para que as informações coletadas sejam mais precisas.

De acordo com BROOM & KENNEDY (1993, apud VIEIRA, 2006) qualquer tentativa de prevenir as estereotipias deve iniciar a partir do que levou o animal a desenvolver determinado comportamento. Sendo assim, é de suma importância oferecer condições de alojamento, alimentação e manejo adequado, as primeiras ações para impedir que o animal venha desencadear comportamento estereotipado. VIEIRA (2006) citou que outras formas de prevenção seriam o eletro choque e intervenção cirúrgica, como por exemplo, retirada de parte da musculatura e/ou da inervação do pescoço, sendo pseudo-tratamentos para a aerofagia, porém esses métodos podem ser ineficazes, além de causar angústia ou dano ao cavalo. PEREIRA (2016) alegou que para alcançar um alto grau de sanidade juntamente com o bem-estar animal, é necessário fazer um comparativo entre as informações que foram observadas e coletadas na propriedade, juntamente com o que se considera adequado e aplicar isso ao manejo, sempre pensando na alimentação, frequência com que ocorrem essas alimentações, qualidade e quantidade dos componentes da dieta, reduzindo a oferta de alimentos concentrados e aumentando o volumoso. DITTRICH (2010, apud PEREIRA, 2016), certificou que um ambiente adequado de pastagens vai muito além da disponibilização de nutrientes, porque permite a liberdade dos animais para que eles expressem seu comportamento natural, contribuindo para a diminuição de transtornos, tais como, problemas gastrointestinais e alterações no bem-estar animal.

Texto por: Nathalia Oliveira, 10º período de Zootecnia – Universidade Federal de Goiás, UFG, Goiânia GO

REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS

CANAL JUNIOR, A. Influência do tempo de estabulação no comportamento de equinos da raça crioula. Unoesc & Ciência – ACET, v. 6, n. 2. Joaçaba – SC, jul/dez 2015. P, 203-210.

KONIECZNIAK, P.; DIAS, I. F. T.; CALEFFO, T.; SINHORINI, W. A.; GUIRRO, E. C. B. P. Estereotipias em equinos. Veterinária em Foco, v.11, n.2. Canoas – RS, jan./jun. 2014. P, 126-136.

PEREIRA, T. J. M. Estereotipias orais em equino confinados: revisão bibliográfica. Chapadinha – MA, 2016.

REZENDE, M. J. M.; MCMANUS, C.; MARTINS, R. D.; OLIVEIRA, L. P. G.; GARCIA, J. A. S.; LOUVANDINI, H. Comportamento de cavalos estabulados do exército brasileiro em Brasília. Ciência Animal Brasileira, v. 7, n. 3. Brasília – DF, jul./set. 2006. P, 327-337.

SILVA, E. L. Revisão para embasar o desenvolvimento de ferramenta prática para avaliação do bem-estar de cavalos com base em indicadores físicos e mentais. Florianópolis – SC, 2014.

STEINER, D.; ALBERTON, L. R.; MARTINS, W. D. C. Aerofagia em equinos: revisão de literatura. Arq. Ciênc. Vet. Zool. UNIPAR, v. 16, n. 2. Umuarama – PR, jul/dez 2013. P, 185-190.

VIEIRA, A. R. A. Distúrbios de comportamento, desgaste anormal dos dentes incisivos e cólica em equinos estabulados no 1º regimento de cavalaria de guardas, exército brasileiro. Viçosa – MG, 2006.

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