Coprofagia em Equinos

0

Ao longo do tempo, com o crescente número de equinos utilizados para serviço, lazer e esporte em conjunto com o homem, foram necessárias mudanças em relação ao manejo desses animais, há muitos milênios acostumados à vida livre, e hoje submetidos aos sistemas atuais, na grande maioria estabulados.

A necessidade de confinar os cavalos em baias pequenas, devido restrição de espaço com a redução de seu ambiente, levou ao desenvolvimento de certos comportamentos. Animais presos por longo tempo, sem convívio com outros ou sem distrações dentro da baia podem apresentar estereotipias, que são comportamentos anormais invariáveis e sem função aparente, considerados potenciais indicadores de desordens fisiológicas com conseqüente redução do bem-estar, observados frequentemente em equinos sob regime de confinamento e oferta limitada de forragem (BROOM e KENNEDY, 1993; HOUPT e MCDONNELL, 1993; WATERS; NICOL; FRENCH, 2002).

O comportamento pode ser resultado da ociosidade, pois, diminuindo a quantidade de forragem ofertada e aumentando o uso de alimentos concentrados em grãos a alimentação se torna mais rápida; e a falta de contato social devido caráter restritivo do ambiente, afeta a locomoção do animal. Relatos na literatura também indicam que as estereotipias são respostas ao ambiente de cocheiras, associados ao manejo e predisposição individual (MILLS, 2005).

É importante diagnosticar comportamentos anormais, pois podem estar associados a distúrbios gastrointestinais e dentários, queda de desempenho e danos às instalações e equipamentos (BACHMANN et al., 2003).

A observação do animal e de indícios em seu ambiente, como por exemplo, instalações danificadas, alteração anatômicas, vocalização e alterações de comportamentos são indicativos de estereotipias. As alterações mais frequentes relatadas em animais confinados são: aerofagia, geofagia, andar em círculo, cavar, roer madeira e coprofagia.

A coprofagia é o hábito que os animais adquirem em comer suas próprias fezes. É caracterizada como estereotipia oral, muitas vezes associada a alimentação (WARAN,2002).

O comportamento em potros é considerado normal entre duas semanas a um mês de vida, alguns apresentam o hábito até os cinco meses, visto que é importante para o estabelecimento da microbiota, apesar da contra indicação, pois podem ingerir ovos e larvas de vermes. Em animais adultos é considerado um distúrbio de comportamento, sendo as causas já citadas acima. A coprofagia também pode ocorrer após mudanças na dieta do animal, desaparecendo após adaptação e dieta pobre em fibra. Como consequência pode acarretar a perda de peso corporal e síndrome cólica.

Os cavalos com essa anormalidade ingerem grande quantidade de fezes de modo fracionado ao longo do dia (KOGIMA, 2017).

Para prevenir os estereótipos será necessário observar as causas que levam a tal comportamento e não somente o comportamento em si. O ideal é oferecer condições apropriadas de alojamento, manejo e alimentação (BROOM & KENNEDY, 1993). Para os potros é recomendado, no início da estabulação, oferta de feno de boa qualidade e quantidade correta, sendo importante oferecer volumoso dividido em várias porções diárias(MEYER,1995).

A medida de maior sucesso em reduzir a frequência das estereotipias mais comuns é dar ao animal maior tempo em liberdade e forragem à vontade, porém pode não ser um método prático devido ao acesso limitado às pastagens e pode não erradicar completamente o comportamento anormal já iniciado (PELL; McGREEVY, 1999; COOPER; McGREEVY, 2002).

.

Texto por: Fernanda Feliciano Faria, Universidade Estadual de Londrina, 9º Semestre, Londrina – PR.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BROOM, M.D.; KENNEDY, J.M. Stereotypies in horses: their relevance to welfare and causation. Equine veterinary Education, v.5,n. 3, p.151-154, 1993.

BACHMANN, I.; BERNASCONI, P.; HERRMANN, R. et al. Behavioural and physiological responses to an acute stressor in crib-biting and control horses. Applied Animal Behaviour Science, v. 82. n. 4, p. 297-311, 2003(a).

você pode gostar também