Diarreia Crônica em Equinos Adultos

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Diarréia é o aumento da frequência de defecação, podendo ser caracterizada pela maior quantidade de fezes com consistência aquosa. Ela é classificada em aguda ou crônica, de acordo com seu tempo de duração, sendo que, após duas semanas com o quadro instalado, é considerada crônica.

A diarreia possui variadas etiologias, podendo ser desenvolvida por patologias primárias, que envolvem o sistema digestório, ou então ser considerada um sinal clinico de outras afecções. As causas mais comuns são o uso de anti-inflamatórios não esteroidais ou antibióticos por tempo prolongado, doenças bacterianas como salmonelose, verminoses, doenças inflamatórias e alterações alimentares.

Quando desenvolvida em equinos adultos, a diarreia crônica normalmente é associada a problemas que afetam o colón maior e ceco, desencadeadas por alterações de parede ou alterações na flora intestinal. Em um animal saudável, os fluidos encontrados nas fezes são resultados de um excesso que não foi absorvido, porém, em equinos com diarreia, esses fluidos podem ser decorrentes de: má absorção, aumento de partículas osmóticas no lúmen intestinal, alterações no tempo do transito intestinal, aumento de secreções ou processos inflamatórios.

A má absorção ocorre pela diminuição de células epiteliais intestinais e de limitação nos mecanismos responsáveis pela absorção de íons, água e substratos. Normalmente essa alteração de epitélio acontece em doenças entéricas, viroses ou parasitoses. Para desencadear um quadro diarreico, devem ocorrer alterações de absorção de substrato no cólon ou processos fermentativos de carboidratos não digeridos no intestino delgado, mas que envolvam outros fatores em conjunto.

Na diarreia secretora, ocorre um aumento de secreções liberadas pelo intestino, superando sua capacidade de absorção. Pode estar associada a um processo inflamatório, tendo aumento de pressão capilar, linfática e hidrostática do capilar, causando acumulo de liquido no interstício e edema de parede intestinal, dificultando ainda mais a absorção. Este processo está correlacionado a doenças cardíacas, renais, linfossarcomas, clostridiose e salmonelose.

A motilidade alterada não provoca o aumento de fluidos, ela resulta em aumento de peristaltismo e consequentemente, diminuição do tempo de transito intestinal, que por sua vez, influencia na capacidade de digestão e absorção alimentar.

Os sinais clínicos estão relacionados com sua etiologia, e podem ser apresentados de diversas formas. As manifestações mais comuns são letargia, hiporexia, perda de peso, dor abdominal, desidratação e edema ventral nos membros. A alteração dos parâmetros vitais ocorre de acordo com o grau de desidratação, de dor, de endotoxemia e do desequilíbrio ácido-básico.

No exame físico, pode-se notar aumento de frequência cardíaca e respiratória, ligados a dor e acidose metabólica, tempo de preenchimento capilar aumentado, pela desidratação, alterações na coloração de mucosas e aumento da motilidade, havendo aumento nos sons de borborigmos.

 

Apesar de todos os avanços na medicina veterinária, o diagnóstico da causa base da diarreia ainda é muito difícil, porém, é fundamental que seja realizado o quanto antes, para que se tenha um bom prognóstico. Este deve ser feito através de uma boa anamnese, exame físico e exames complementares, como por exemplo hemograma, que pode apresentar anemia e leucopenia com neutropenia, com desvio a esquerda, exame bioquímico, para avaliação de função renal e hepática, ultrassonografia transabdominal, que pode oferecer informações importantes a respeito das estruturas intestinais, palpação transretal e exames de coprologia, como OPG e cultura para pesquisas bacteriológicas. Em casos de dor não responsivas a analgésicos, a laparotomia exploratória pode se apresentar um método viável para diagnósticos.

Primeiramente deve-se identificar a causa primaria e oferecer um tratamento de suporte, com fluidoterapia e assistência nutricional, para que a desidratação não seja intensa e tenha perda de muitos eletrólitos e proteína. O tratamento deve ser especifico de acordo com a etiologia da diarreia, podendo ter a necessidade do uso de pré ou probióticos, para melhorar a flora intestinal, vermífugos, antibióticos, com o objetivo de prevenir endotoxemias ou adsorventes, visando a prevenção da irritação de mucosa. Em casos de suspeita de diarreia pelo uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroidais, suspender o uso do fármaco em questão.

A diarreia crônica em equinos adultos é um quadro que pode persistir por tempo prolongado por instituir um equilíbrio entre a patologia primaria e a resposta do organismo, podendo trazer diversas complicações como laminite, endotoxemia e flebite. É uma alteração que deve ser tratada com cautela, para evitar ao máximo que o animal tenha perdas nutricionais mais graves e alterações patológicas irreversíveis.

Texto por:

Flávia Assaz, 8° semestre, Universidade Anhembi Morumbi, Mogi das Cruzes- SP

João Vitor Castro, 8° semestre, UNIP, Bauru- SP

Maria Clara Miranda, 4° semestre, Universidade Potiguar, UNP, Natal- RN

Maria Vitória Gonçalves Pereira Jatoba, CRMV 17824, Montes Claros- MG

Rafaela Pimentel, graduanda da Universidade Anhembi Morumbi, Santo André- SP

Edição e Revisão:

Deivisson Aguiar, Médico Veterinário

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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