ENCARCERAMENTO DE INTESTINO DELGADO EM ANEL INGUINAL APÓS ORQUIECTOMIA EM EQUINOS: RELATO DE CASO

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ENCARCERAMENTO DE INTESTINO DELGADO EM ANEL INGUINAL APÓS ORQUIECTOMIA EM EQUINOS: RELATO DE CASO.

“EQUINE INGUINAL RING INCARCERATION OF SMALL INTESTINE AFTER ORCHIECTOMY: A CASE REPORT.”

“ENCARCELAMIENTO DE INTESTINO DELGADO EN ANILLO INGUINAL DESPUÉS ORQUIECTOMÍA EN CABALLOS: REPORT DE UN CASO.”

 

RESUMO: O encarceramento de alças intestinais em anel inguinal após uma orquiectomia não é uma complicação usual na casuística hospitalar, caracterizado pelo deslocamento da porção final do jejuno ou do íleo através do canal inguinal, é observado com maior frequência em garanhões após monta natural ou congenitamente em potros. Nas hérnias irredutíveis, a terapêutica é cirúrgica e emergencial e o prognóstico reservado devido às lesões estrangulantes nas alças intestinais. Um equino, macho, 10 anos da raça Puro Sangue Lusitano foi encaminhado ao hospital veterinário da Universidade Metodista de São Paulo para realização de orquiectomia eletiva, e cerca de 2 horas após o procedimento o animal apresentou sintomas de síndrome cólica com evolução aguda, mucosas congestas, sudorese, secreção sero-sanguinolenta na região da incisão cirúrgica e através da palpação escrotal constatou-se a presença de intestino delgado com reflexo doloroso à palpação. O animal foi imediatamente encaminhado para a cirurgia, onde foi realizada a redução da alça intestinal encarcerada, enterectomia de aproximadamente 1,8 metros da porção do jejuno e herniorrafia completa do anel inguinal. A recuperação pós-operatória foi satisfatória, sendo que o animal retornou à atividade atlética e recuperou o seu peso corporal inicial.

Unitermos: encarceramento, hérnia inguinal, orquiectomia, enterectomia, equinos, cólica.

ABSTRACT: The bowel incarceration in the inguinal ring after an orchiectomy is an unusual complication in the case series, characterized by the displacement of the end portion of the jejunum or ileum through the inguinal canal, is more frequently observed in stallions after natural mating or congenitally in foals. In the irresolvable hernias, surgical treatment is urgrently required and still the prognosis is poor due to estrangulation of the intestinal wall. One male pure blood horse, 10 years old and Lusitano breed was taken to the Methodist University of São Paulo’s Veterinary Hospital, for elective orchiectomy – about 2 hours after the procedure the animal presented symptoms of acute colic syndrome with acute, congested mucous, sweating, sero-bloody discharge at the incision area and through scrotal palpation was possible to observe the presence of small bowel in the scrotum with painful reflex on touch. The animal was immediately taken to surgery, in which a reduction of the incarcerated bowel loop took place – enterectomy of approximately 1.8 meters from the jejunum part and complete hernia repair of the inguinal ring were performed. Postoperative recovery was satisfactory, since the animal returned to its athletic activity and regained its initial body weight.

Keywords: incarceration, inguinal hernia, orchiectomy, enterectomy, equine, colic.

RESUMEN: El encarcelamiento de los intestinos en el anillo inguinal después de una orquiectomía es una complicación inusual que se caracteriza por el desplazamiento de la parte final del yeyuno o el íleon a través del canal inguinal. Este se observa con mayor frecuencia en los sementales después del apareamiento natural o congenitamente en los potros. La hernia irreductible se trata quirúrgicamente y de emergencia y debido a lesiones estrangulantes en la pared intestinal el pronóstico es reservado. Un caballo macho de 10 años de raza Lusitano fue remitido al hospital veterinário de la Universidad Metodista de São Paulo para una orquiectomía electiva, alrededor de 2 horas después del procedimiento el animal mostró síntomas de síndrome cólico agudo, mucosa congestionada , sudoración, secreción sero-sanguinolenta en el área de la incisión y mediante la palpación del escroto se pudo observar la presencia de intestino delgado en el mismo. Al animal se le practico una enterectomia de emergencia, seccionando aproximadamente 1,8 metros del yeyuno y cerrando el anillo inguinal. La recuperación postoperatoria fue satisfactoria y el animal regresó a la actividad deportiva recuperando su peso corporal inicial.

Palabras clave: Encarcelamiento, hérnia inguinal, orquiectomía, enterectomía, caballo, cólico.

INTRODUÇÃO

O termo encarceramento de intestino delgado em anel inguinal refere-se à passagem do conteúdo abdominal através do canal inguinal podendo ocorrer direta ou indiretamente. Indiretamente, a víscera entra no anel vaginal, passa pelos anéis profundos e superficiais, localizando-se na cavidade vaginal ao lado e em contato com o testículo. Quando ocorre de maneira direta, o conteúdo passa por uma falha do peritônio, atravessa o anel inguinal profundo e superficial, e ficará contido na região inguino-escrotal por fora da túnica vaginal.

O encarceramento de intestino delgado em anel inguinal também descrito como hérnia inguinal pode ocorrer mais comumente de forma congênita nos potros e de forma adquirida nos garanhões.

O relato em questão descreve o caso de um equino que após a realização de uma orquiectomia eletiva passou a apresentar dor abdominal, com evolução aguda. À palpação foi possível identificar intestino delgado no foco da orquiectomia, e o mesmo foi encaminhado rapidamente ao centro cirúrgico para a realização de uma celiotomia. Pode-se notar comprometimento de aproximadamente 1,8 metros de intestino delgado, sendo necessária a realização de enterectomia, enteroanastomose e fechamento do anel inguinal. A recuperação pós-operatória foi satisfatória e o animal conseguiu recuperar a sua forma física.

REVISÃO DE LITERATURA

As hérnias inguino-escrotais são caracterizadas pelo deslocamento da porção final do jejuno ou íleo através do canal inguinal, por vezes se estendendo até o escroto. Ocorrem mais comumente ao nascimento ou até alguns meses após, podendo se resolver espontaneamente durante os primeiros meses de vida9.

A maior incidência de hérnias inguinais em equinos é a hérnia congênita dos potros e a adquirida dos garanhões1. Em uma revisão de 14 casos de hérnias diretas em potros com menos de 48 horas de vida, submetidos à cirurgia de urgência, o intestino delgado estava presente em todos os casos e a sobrevivência após seis meses foi de 50%15. A ocorrência de encarceramento de alças intestinais após a castração é mais comum em casos de criptorquidismo, quando é feita uma incisão peritoneal de grandes dimensões3.

As hérnias inguinais são mais comuns em equinos das raças American Trotter e Tenesse Walking Horse, os quais tendem a apresentar o canal inguinal congenitamente grande. As hérnias inguinais também podem ocorrer em potros neonatos, mas diferem das hérnias em equinos adultos, pois tipicamente são não estrangulantes11.

Os achados típicos da anamnese caracterizam-se por início de cólica aguda em garanhões que recentemente foram utilizados para a reprodução, exercícios ou traumas e mais raramente após a realização de uma orquiectomia e nestes casos quase todas são irredutíveis. Os sinais clínicos da enfermidade incluem início súbito, dor aguda e intensa, rápida alteração dos parâmetros fisiológicos e aumento de volume em um ou ambos os lados do escroto, com diminuição da temperatura local9. O diagnóstico pode ser confirmado pela palpação direta, palpação transretal e ultrassonografia do escroto. Por ser uma obstrução estrangulante, o tratamento cirúrgico imediato é essencial, por meio de celiotomia2.

A natureza da hérnia, direta ou indireta, é determinada com base na integridade da túnica vaginal parietal. Nos equinos em que as alças permanecem dentro da túnica vaginal parietal, a hérnia é classificada como indireta (figura 1), pois as alças permanecem dentro da cavidade peritoneal. As hérnias diretas (figura 2) são aquelas em que o segmento intestinal estrangulado rompe a túnica vaginal parietal, localizando-se no subcutâneo. Embora a maioria das hérnias inguinais indiretas apresente resolução com a redução manual através da manipulação da alça herniada pelo reto, esse procedimento não é recomendado devido ao risco de se provocar lacerações retais, sendo indicada a resolução cirúrgica em ambos os casos11.

HERNIA  INDIRETA

Figura 1: Hérnia inguinal indireta. Nota-se a preservação da túnica vaginal parietal e as alças intestinais em contato com o testículo.

Fonte: Arquivo Pessoal, 2014.

HERNIA DIRETA 2

Figura 2: Hérnia inguinal direta. Rompimento da túnica vaginal parietal e localização do intestino delgado no espaço subcutâneo.

Fonte: Arquivo Pessoal, 2014.

Caso seja constatada a presença de alças inviáveis (figura 3 e 4), uma enterectomia da porção estrangulada deve ser realizada, necessitando geralmente praticar incisão abdominal além do acesso pelo escroto. Várias técnicas cirúrgicas são recomendadas para o tratamento das hérnias inguinais e consistem basicamente na herniorrafia realizada após o acesso à cavidade da túnica vaginal e redução dos órgãos herniados. Nesse caso realiza-se a remoção, ligadura e a ablação do cordão espermático, túnica vaginal parietal e do músculo cremáster, podendo ou não realizar o fechamento total do anel inguinal externo8.

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Figura 3: Imagem mostrando a inviabilidade parcial de alças intestinais.

Fonte: Arquivo Pessoal, 2013.

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Figura 4: Imagem mostrando a presença de alças intestinais herniadas através do canal inguinal e realização de punção para drenagem do conteúdo gasoso buscando uma diminuição do seu volume para facilitar a redução.

Fonte: Arquivo Pessoal, 2013.

RELATO DE CASO

Foi atendido no hospital veterinário da Universidade Metodista de São Paulo, um equino, macho, 10 anos da raça Puro Sangue Lusitano, que cerca de 2 horas após a realização de orquiectomia eletiva apresentou sintomas de síndrome cólica, onde foi possível observar dor intensa, sudorese, estrangúria e secreção sero-sanguinolenta na região de incisão da orquiectomia (figura 5).

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Figura 5: Imagem mostrando presença de secreção sero-sanguinolenta drenando a região da orquiectomia horas após a realização do procedimento.

Fonte: Arquivo Pessoal, 2013.

Ao exame clinico pode-se observar taquicardia considerável, com frequência cardíaca acima de 80 batimentos por minuto, taquipneia, dor, mucosas congestas, TPC acima de 4 segundos e aumento de volume em região escrotal com presença de secreção sero-sanguinolenta em quantidade considerável. À palpação escrotal pode-se notar presença de intestino delgado na região escrotal, com reflexo doloroso à palpação.

Antes da cirurgia foi realizada fluidoterapia com a solução cristalóide Ringer com lactatoa para restabelecer a volemia e hidratação do animal, também foi administrado flunixin meglumineb na dose de 1,1 mg/kg por seu efeito analgésico e anti-inflamatório.

Após a medicação pré anestésica com cloridrato de detomidinac (0,02 mg/kg IV) utilizou-se cloridrato de cetaminad (2 mg/kg IV) e midazolame (0,05 mg/kg IV) para indução anestésica, o animal foi colocado em decúbito dorsal e para manutenção anestésica utilizou-se isofluranof (3% de vaporização) e oxigênio em circuito semi-fechado. Durante o transcirúrgico o animal apresentou queda da pressão arterial média (que ficou em torno de 50 mmHg), para seu tratamento foi utilizada a efedrinag como dose efeito (uma ampola de 1 ml na dose de 50 mg/ml diluídos em 500 ml de Solução Fisiológica 0,9%) que demonstrou-se efetiva permitindo o restabelecimento da pressão arterial que manteve-se ao redor de 80 mmHg durante o período restante do procedimento.

Foi realizada uma incisão na área do escroto para permitir a visualização e manipulação do seguimento intestinal herniado, dessa forma realizou-se a tração do jejuno e enterectomia de aproximadamente 30 centímetros com enteroanastomose término-terminal. A ausência da túnica vaginal envolvendo o conteúdo herniário demonstrou que o caso tratava-se de uma hérnia direta.

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a – Ringer com lactato®, da empresa Equiplex Indústria Farmacêutica

b – Flunixin Injetável®, da empresa Chemitec.

c – Dormium V®, da empresa Agener União.

d – Cetamin®, da empresa Syntec.

e – Midazolam®, da empresa Hipolabor.

f – Isoflurano®, da empresa Biochimico.

g – Unifedrini®, da empresa União Química.

Após essa primeira enterectomia e enteroanastomose realizou-se o acesso abdominal tradicional através da celiotomia, para tração e exposição das alças pela linha média ventral, dessa forma exploraram-se adequadamente as vísceras abdominais e verificou-se uma área de aproximadamente 1,5 metros de inviabilidade intestinal da porção do jejuno e assim foi realizada outra enterectomia, seguida de enteroanastomose do tipo latero-lateral, totalizando uma retirada de 1,8 metros de jejuno. Um último acesso foi realizado no anel inguinal, seguido de herniorrafia completa com fio Poliglactina 910 tamanho 2 (dois) e sutura de pele com fio Nylon tamanho 0 (zero). Para finalização reposicionou-se as alças intestinais, executou-se lavagem da cavidade abdominal com Solução Fisiológica 0,9% seguida por aspiração e iniciou-se a sutura da camada muscular com fio Poliglactina 910 tamanho 2 (dois), a aproximação do tecido subcutâneo com fio Poliglactina 910 tamanho 0-0 (dois zero) e sutura de pele com fio Nylon tamanho 0 (zero).

A duração da cirurgia foi de três horas e meia e para terapia pós-operatória realizou-se antibioticoterapia com Gentamicinah na dose de 6,6 mg/kg a cada 24 horas e Penicilinai na dose de 20000 UI/kg a cada 12 horas por 10 dias, como terapia anti-inflamatória foi utilizado Flunixin Meglumineb na dose de 1,1 mg/kg por cinco dias, limpeza do foco cirúrgico com solução de iodo 2%, rifamicinaj e pomada a base de gentamicinak. Durante sete dias foi realizada a fluidoterapia de suporte com complexo vitamínico e ranitidinal na dose de 0,9 mg/kg duas vezes ao dia.

O animal teve uma ótima recuperação pós-operatória e houve uma boa manutenção do quadro clínico, sem intercorrências posteriores e após 14 dias retirou-se os pontos.

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b – Flunixin Injetável®, da empresa Chemitec.

h – Gentatec®, da empresa Chemitec.

i – Agrosil®, da empresa Vansil.

j – Rifamicina®, da empresa EMS.

k – Vetaglos®, da empresa Vetnil.

l – Cloridrato de Ranitidina®, da empresa Hypofarma.

DISCUSSÃO

Alguns fatores podem predispor particularmente um cavalo à ocorrência de um encarceramento das alças intestinais através do anel inguinal após uma orquiectomia, dos quais se destacam a presença de vísceras muito próximas do anel inguinal ou uma pressão abdominal demasiado elevada após a cirurgia4. No caso relatado não se sabe o que predispôs ao encarceramento, pode ter ocorrido um aumento de pressão abdominal no momento do animal se levantar, mas nada que possa ser certificado.

O tratamento cirúrgico para hérnias inguinais deve ser instituído quando houver sinais evidentes de cólica, encarceramento de alça intestinal, estrangúria, edema escrotal, sinais esses que foram observados no presente caso. Os animais com hérnias irredutíveis que apresentem os sinais acima descritos devem ser imediatamente operados, sob o risco de complicações que os leve rapidamente ao óbito1.

A indução anestésica pode ser variável, mas agentes que causem o mínimo de depressão cardiorrespiratória são recomendados e a manuteção da anestesia com gases anestésicos é o procedimento de escolha12. Teixeira e Schossler (1997) relatam que empregaram esta conduta para a indução e manutenção anestésica e o animal apresentou depressão cardiorrespiratória durante a cirurgia, chegando a permanecer em apnéia durante alguns minutos. Embora no presente caso tenha-se usado fármacos com as características citadas acima e a manutenção com gases anestésicos, o animal não apresentou depressão cardiorrespiratória e nem sequer apnéia.

Durante a cirurgia, mesmo realizando todos os procedimentos clínicos, anestésicos e cirúrgicos recomendados para os casos de encarceramento de alça intestinal em anel inguinal, o animal apresentou hipotensão, situação considerada comum em equinos durante cirurgias deste tipo, devido aos efeitos de endotoxinas e do sequestro de líquidos no intestino5. Para essas situações recomenda-se o uso de catecolaminas sintéticas que proporcionam melhora no rendimento cardiocirculatório, o tratamento realizado com Efedrina em nosso caso mostrou-se efetivo e manteve a pressão arterial do animal dentro dos valores esperados.

A miosite pós-anestésica é uma complicação que compromete significativamente o prognóstico do animal. Estudos têm demonstrado que a hipotensão durante a anestesia é um fator determinante para o desencadeamento desse processo7. Uma forma de se prevenir a miosite pós-anestésica e que foi realizado no nosso caso foi a manutenção da pressão arterial média acima de 70 mmHg, bem como o posicionamento e o acolchoamento das partes do corpo do animal expostas à compressão evitando assim a ocorrência dessa síndrome.

Devido à dificuldade em reposicionar e delimitar a inviabilidade das alças intestinais através da incisão escrotal foi necessária outra incisão na região abdominal para a melhor avaliação das alças intestinais e reposicionamento, conduta também sugerida por Thomassian, 1997.

A laparoscopia pode substituir a celiotomia no exame das alças intestinais, evitando complicações cirúrgicas como aderências e infecções iatrogênicas. Se a alça intestinal não for viável a ressecção e anastomose será feita pelo acesso inguinal ou abdominal6. Neste caso não foi realizada a laparoscopia para a análise da viabilidade das alças intestinais e a celiotomia foi a técnica escolhida para a resolução da afecção.

A morte irreversível de um segmento intestinal ocorre após 2 horas de isquemia no intestino delgado e após 3 horas no cólon maior, mas isto pode variar de acordo com a quantidade de fluxo sanguíneo residual para o tecido afetado. Para o cirurgião, a oclusão venosa causa o tipo mais difícil de lesão, porque o espessamento ou a quantidade de hemorragia não podem ser correlacionados com a viabilidade10. A biópsia seria o método mais confiável para decidir sobre a viabilidade tecidual, entretanto o processamento e a análise do material coletado demandam tempo, tornando inviável sua utilização em situações cirúrgicas como a do caso relatado. A cirurgia foi realizada após 4 horas do encarceramento do intestino delgado, fato esse que explica a enterectomia de 1,8 metros pela morte irreversível desse segmento intestinal, que apresentava alterações significativas quanto à coloração, motilidade e teste de beliscamento.

CONCLUSÃO

Os processos estrangulativos intestinais em equinos apresentam o caráter emergencial como característica comum, quanto mais rápido é realizado o diagnóstico e o encaminhamento do animal para o procedimento cirúrgico maiores as chances de sucesso visto que o processo de isquemia intestinal causa alterações rápidas e severas tanto na porção intestinal afetada quanto no equilíbrio hemodinâmico do paciente.

No caso relatado podemos apontar a rapidez no diagnóstico como um fator determinante para seu sucesso. O fato do animal já estar internado no momento em que iniciaram os sintomas permitiu que os mesmos fossem rapidamente constatados e a decisão pela intervenção cirúrgica foi prontamente tomada. Dessa forma, minimizou-se os efeitos deletérios da isquemia e as alterações hemodinâmicas puderam ser controladas permitindo tanto a realização da correção cirúrgica quanto uma recuperação anestésica favorável, fatores que foram determinantes para o sucesso da recuperação pós-operatória.

AUTORES

Bianca Marfil Dias* – Graduanda do curso de Medicina Veterinária pela Universidade Metodista de São Paulo.

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Gabriela Marchioni -Prof. Ms. de Medicina Veterinária da Universidade Metodista de São Paulo.

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Raphael Roseti Lavado – M.V. responsável pelo setor de grandes animais do Hospital Veterinário da Universidade Metodista de São Paulo.

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Anderson Coutinho da Silva – Prof. Ms. de Medicina Veterinária da Universidade Metodista de São Paulo.

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Jordana Casemiro Pinto Monteiro – M.V. responsável pelo setor de anestesiologia do Hospital Veterinário da Universidade Metodista de São Paulo.

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Thiago de Azevedo Noronha – Prof. Ms. de Medicina Veterinária da Universidade Metodista de São Paulo.

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Tel (11) 3768-2114 E-mail: noronhavet@hotmail.com

* Autora para correspondência

REFERÊNCIAS

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ARTIGO LIBERADO PELA REVISTA +EQUINA

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