ENTERITE PROXIMAL

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ENTERITE PROXIMAL

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Figura 1. Fonte: RowdyPony

A enterite proximal, também conhecida como duodeno-jejunite proximal ou enterite anterior é uma enfermidade inflamatória do intestino delgado dos equinos que promove alterações na fisiologia e motilidade, apresentadas por distensão, cólica, refluxo gástrico, secreção elevada de fluidos e eletrólitos, queda na reabsorção e aumento da permeabilidade intestinal. A retenção e o acúmulo deste líquido se não aliviada, pode levar à ruptura do órgão e consequentemente, o animal ao óbito (Reed et al., 2010; Firmino et al., 2014).

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Figura 2. Figura representando os segmentos do trato gastrointestinal de um equino. Fonte: SimpleFeeder

 

Segundo Firmino et. al (2014), sugere-se que as bactérias do gênero Clostridium e Salmonella presentes no trato digestivo são causas possíveis da enterite proximal. Porém, de acordo com Cohen et al. (2005), a dieta rica em grãos ou ração peletizada poderia ser a causa deste processo inflamatório do intestino delgado, devido à fermentação excessiva ou indevida de carboidratos, e micotoxinas presentes no alimento.

Os efeitos prejudiciais causados pela inflamação, na motilidade intestinal e nos mecanismos de transporte de água e eletrólitos, desenvolvem um quadro de desidratação com azotemia, acidose metabólica, choque hipovolêmico, sinais clínicos que se complicam pela presença de endotoxinas (Freeman, 2000). Apesar do estímulo doloroso ser de moderado à grave, com o tempo, o equino pode desenvolver quadro depressivo. A frequência cardíaca é mantida acima dos valores de referência, e durante o início do quadro, os batimentos cardíacos reduzem após a descompressão gástrica. Porém, conforme o quadro endotoxêmico se estabelece, esta taquicardia pode se tornar persistente mesmo com repetidas descompressões (Sprayberry & Robinson, 2014).

Durante o exame físico do equino acometido é comum além da taquicardia, desidratação e febre, o Médico Veterinário ao realizar a sondagem nasogástrica pode se deparar com quantidades variáveis de refluxo gástrico (Figura 2) com coloração de verde à marrom avermelhado, com ou sem odor fétido. A distensão do intestino delgado nem sempre pode ser palpada através do reto e os sinais clínicos são similares aos apresentados nas lesões obstrutivas deste segmento, e a diferenciação é importante, pois o tratamento para estas lesões obstrutivas é o procedimento cirúrgico. Um diagnóstico preciso pode ser confirmado durante a laparatomia exploratória ou necropsia, os sinais clínicos não são diagnósticos, mas aliados à resposta do animal ao tratamento sugerem enterite proximal (Lavoie & Hinchcliff, 2011).

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Figura 3. Realização de sondagem nasoesofágica e grande volume de refluxo. Fonte: Chino Valley Equine Hospital

 

Os achados laboratoriais incluem aumento do hematócrito e das proteínas plasmáticas totais que refletem a desidratação, e a contagem de leucócitos pode estar normal, diminuída ou aumentada. Há hiponatremia, hipocloremia e hipocalemia, além disso, enzimas hepáticas como a GGT, AST e FA estão elevadas. São achados típicos da análise do líquido peritoneal, concentração elevada de proteína. Os achados ultrassonográficos servem como ferramenta diagnóstica e permitem avaliar o diâmetro do intestino delgado e espessura da mucosa, bem como o volume de líquido peritoneal (Reed et al., 2010).

O tratamento indicado é o de suporte. A descompressão gástrica frequente é importante para a retirada do líquido que se acumula fazendo com que os sinais de dor abdominal reapareçam. A fluidoterapia intravenosa (Figura 4) para reposição hídrica e eletrolítica deve ser iniciada imediatamente e o cálculo deve ser feito com base na avaliação da desidratação, uma vez que a terapia de reposição foi realizada e o cavalo está hidratado, deve-se administrar quantidades para a manutenção deste quadro. Em animais com enterite, recomenda-se aferir os pulsos digitais até que os sinais sistêmicos da endotoxemia tenham diminuído, pois há risco de desenvolvimento de laminite (Reed et al., 2010).

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Figura 4. Administração de fluidoterapia intravenosa em equino. Fonte: The Horse.

 

Em grande parte dos equinos afetados, o tratamento clínico é suficiente. Entretanto, pacientes que apesar do tratamento intensivo continuam a produzir refluxo enterogástrico ou quando não se pode descartar uma obstrução mecânica, o procedimento cirúrgico é uma opção. Os pontos que determinarão a necessidade são o grau e duração de dor abdominal, análise do líquido peritoneal, achados da palpação retal e ultrassonografia. A terapia apropriada para cada caso estabelece chances de uma recuperação completa. Todavia, cavalos que continuam apresentando episódios frequentes de refluxo, sinais sistêmicos de endotoxemia e septicemia têm pior prognóstico. Complicações frequentes da enterite proximal são laminite, tromboflebite e perda de peso.

Texto por: Artur Antero S. Amorim – 9º período – Universidade Federal de Goiás

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

Referências Bibliográficas

COHEN, N.D.et al. Is duodenitis=proximal jejunitis associated with high carbohydrate diets? Proceedings from the Eight International Equine Colic Research Symposium. Quebec City, Canada, Aug. 3-5, 2005.

FIRMINO, P. R. et al. Duodeno-jejunite proximal em equino. Ciência Veterinária nos Trópicos, v. 17, n. 3, p. 50-50, 2014.

FREEMAN, D.E. Duodenitis-proximal jejunitis. Equine Veterinary Education, v.12, n.6, p.322-332, 2000.

LAVOIE, Jean-Pierre; HINCHCLIFF, Kenneth William (Ed.). Blackwell’s five-minute veterinary consult: equine. John Wiley & Sons, 2011.

REED, Stephen M.; BAYLY, Warwick M.; SELLON, Debra C. Equine internal medicine. Elsevier Health Sciences, 2010.

SPRAYBERRY, Kim A.; ROBINSON, N. Edward. Robinson’s current therapy in equine medicine. Elsevier Health Sciences, 2014.

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