Estratégias e Entraves na Superovulação de Éguas – Resumo Expandido –

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RESUMO

A superovulação é uma biotécnica reprodutiva utilizada para aumentar a eficiência dos programas de transferência de embriões (TE). Ainda não é usada em larga escala, pois essa técnica ainda possui alguns entraves como a baixa resposta ovariana aos hormônios empregados. As principais substâncias pesquisadas atualmente são extrato de pituitária equina (EPE), hormônio folículo estimulante equino (e-FSH), e o FSH recombinante (re-FSH) associado ao LH recombinante (re-LH). Os protocolos com esses hormônios tem sido eficientes em aumentar o número de ovulações e embriões produzidos, mas barreiras como a falta de um produto comercial padronizado e baixa taxa de embriões por ovulação impedem a disseminação desse programa no manejo reprodutivo dos haras. A presente revisão abordou as principais estratégias e entraves na superovulação (SOV) de éguas.

Fonte: cdn.thehorse.com
Fonte: cdn.thehorse.com

INTRODUÇÃO

A SOV traz muitas vantagens para a reprodução equina como: aumento da fertilidade das éguas, melhor aproveitamento de garanhões subférteis, maiores taxas de prenhez com sêmen congelado e aumento da taxa de recuperação embrionária por lavado uterino.

A conformação invertida do ovário da égua, com o córtex situado na porção interna, faz com que a fossa de ovulação seja o único lugar onde o folículo pode romper, portanto limitando o número de ovulações. Além disso, não existe um produto comercialmente disponível que seja capaz de induzir a SOV de maneira eficiente, por isso não é usado na rotina reprodutiva dos haras.

ranchodasamericas.com.br
Fonte: ranchodasamericas.com.br

DESENVOLVIMENTO

Várias drogas já foram testadas na indução de múltiplas ovulações, tais como hormônio folículo estimulante suíno (p-FSH), vacinas anti-inibina, EPE, gonadotrofina coriônica equina (eCG), GnRH, e-FSH, re-FSH em associação com re-LH e, mais recentemente, o acetato de deslorelina. Algumas dessas substâncias não foram eficientes, sendo então as pesquisas direcionadas para protocolos com EPE, e-FSH, combinação entre re-FSH e re-LH e o acetato de deslorelina.

A maioria das éguas tem uma única onda folicular que se inicia na metade do diestro. Os folículos se desenvolvem até que o maior deles atinja aproximadamente 23,5 mm de diâmetro, liberando inibina e estrógeno, levando os outros folículos a atresia. O tratamento deve começar antes da dominância folicular.

O EPE é a substância mais utilizada, porém ainda tem grande variação na taxa de ovulação, principalmente por causa da falta de padronização  das concentrações de FSH e LH no extrato. Estudos estão focados nas doses diárias, dia do início do tratamento, uso de purificados de e-FSH e sincronização com esteroides previamente ao uso do EPE.

A dose de EPE capaz de induzir a melhor resposta ovulatória ainda não foi determinada. Duas aplicações diárias foram mais eficientes que somente uma, na dosagem de 25 mg. Outro estudo revelou que duas doses de 12,5 mg também é eficiente. Em relação à dose mínima, 4 e 6 mg aumentaram a resposta ovulatória, porém o uso de 2 mg foi ineficiente.

Os protocolos com EPE e e-FSH aumentaram entre três e quatro vezes as taxas de ovulação, porém o número de embriões recuperados foi menor que o esperado, e isso pode ter ocorrido provavelmente porque a captação e o transporte para o oviduto fique prejudicado. Corroborando esses resultados, outro estudo relatou uma correlação negativa entre as taxas de ovulação e a recuperação dos embriões.

Após a detecção de um ou mais folículos medindo >35 mm a administração de e-FSH deve ser interrompida e, a seguir, haverá um intervalo de 30 a 36 horas para indução com hCG. Esse período é denominado coastinge tem o intuito de diminuir as concentrações de FSH na fase final de maturação dos folículos. O e-FSH, porém, tem diversas desvantagens como alteração da morfologia do embrião, mudança no tônus uterino e variações nas concentrações de progesterona e estrógeno.

O uso de re-FSH foi ineficiente, pois resultou em maior concentração de estradiol durante o tratamento, consequentemente menores concentrações de LH durante os períodos peri e pós-ovulatório, impedindo a maturação folicular e ovocitária.  Diante disso, testou-se o uso associado de re-FSH com re-LH, com indução da ovulação com hCG na presença de um ou mais folículos >35 mm sem o período de coasting. Os autores obtiveram maior taxa de ovulação (4,9) e de embriões recuperados (3,9), comparado ao uso isolado de re-FSH, corroborando a importância do LH nos estágios finais de maturação ovocitária.

O acetato de deslorelina, análogo do GnRH, em baixa dose (100 microgramas) a cada doze horas, resultou em 82,0% de duplas ovulações por ciclo nas éguas tratadas. Porém, a taxa de recuperação de embrião por ovulação não apresentou diferença significativa entre os grupos tratado e controle, mostrando que duas ovulações, uni ou bilateral, não afetaram esta variável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A SOV tem o objetivo de recrutar maior número de folículos de uma onda com consequente aumento no número de ovulações e embriões produzidos. Os resultados inconstantes e a falta de um produto eficiente que esteja disponível no mercado impede essa técnica de ser utilizada em larga escala. Mais pesquisas devem ser feitas no intuito de padronizar o protocolo de SOV, com o emprego de gonadotrofinas recombinantes gerando o maior potencial para uniformização desta biotécnica.

Resumo Expandido por Ramona Bastos, graduanda do 11o período da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Editado e Revisado por Deivisson Ferreira Aguiar, Médico Veterinário – Muniz Freire/ES

 

BERTOZZO, B.R.; SAMPAIO, B.F.B.; BENDER, E.S.C.; PAGNONCELLI, R.R.; SILVA, E.V.C.; ZÚCCARI, C.E.S.N. Estratégias e entraves na superovulação de éguas. Veterinária em Foco, v.10, n.1, p. 26-33, 2012.

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