ESTUDO DAS IDENTIFICAÇÕES DA CLAUDICAÇÃO DOS EQUINOS

A claudicação é um indicador de distúrbio estrutural ou funcional, caracterizada pela falta de sincronia na locomoção, demonstrada em movimentos assimétricos ou em estação, é classificada em quatro tipos, sendo a claudicação de membro locomotor de apoio, claudicação de membro locomotor em suspensão, claudicação mista, claudicação complementar ou compensatória.

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ESTUDO DAS IDENTIFICAÇÕES DA CLAUDICAÇÃO DOS EQUINOS

 

NATHÁLIA CORNÉLIO ALBINATI¹

¹Discente de Medicina Veterinária do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos. Av. Dr. Octávio da Silva Bastos, s/nº, São João da Boa Vista/SP.

RESUMO

A claudicação é um indicador de distúrbio estrutural ou funcional, caracterizada pela falta de sincronia na locomoção, demonstrada em movimentos assimétricos ou em estação, é classificada em quatro tipos, sendo a claudicação de membro locomotor de apoio, claudicação de membro locomotor em suspensão, claudicação mista, claudicação complementar ou compensatória. O conhecimento detalhado, a classificação da claudicação e seus graus, sinais clínicos, anamnese e métodos de avaliação possibilitam o melhor diagnóstico. Assim, identifica e esclarece a localização da dor e a extensão da lesão, na busca da claudicação específica de origem mecânica, neuronal ou dolorosa para as inúmeras patologias musculoesqueléticas envolvidas na inatividade de cavalos atletas.

Palavras-chave: claudicação, equinos, conhecimento, membros locomotores.

INTRODUÇÃO

A claudicação pode ser de etiologias variáveis ou combinações das demais, sendo as principais envolvidas pelos traumas, anomalias congênitas ou adquiridas, infecções, distúrbios metabólicos, alterações circulatórias e nervosas (STASHAK, 2006). O desempenho dos equinos é sempre beneficiado pela integridade do aparelho locomotor. As altas exigências impostas às suas estruturas, devido à atividade física intensa, representam a maior causa de descarte de animais e perdas econômicas. Embora, as injúrias músculo esqueléticas fatais tenham baixa prevalência comparadas com muitas condições que levam a claudicação (RIBEIRO, 2013).

Maior parte das claudicações é encontrada no membro anterior dos equinos, esclarecida pela razão de que, os membros anteriores carregarem 60 a 65 % do peso do equino e estão submetidos a maior sobrecarga em relação aos membros posteriores, que tem a função de impulsionar enquanto os membros anteriores recebem o choque do apoio quando tocam o chão (STASHAK, 2006). As principais lesões relacionadas ao aparelho locomotor dos equinos atletas são as fraturas dos ossos sesamóides proximais, que apresentam alta incidência em cavalos submetidos ao estresse de modalidades esportivas em que se atingem altas velocidades, como ocorre em cavalos de corrida (PYLES et al., 2007).

REVISÃO DE LITERATURA

A claudicação é uma indicação de uma perturbação estrutural ou funcional de um ou mais membros, ou do esqueleto axial, que pode ser observada quando o cavalo está parado ou em movimento. Normalmente, a claudicação é visualmente mais evidente ao trote ou galope. Algumas claudicações importantes muitas vezes são vistas no cavalo ao passo, enquanto que manqueiras mais sutis podem não ser aparentes até que o cavalo seja exercitado ao trote (RIBEIRO, 2013).

Existem quatro tipos de classificação de claudicação e a primeira a ser comentada é a claudicação de membro locomotor de apoio que é evidenciada quando o cavalo está sustentando o peso na pata ou quando o cavalo coloca-a no solo e as lesões nos ossos, nas articulações, ligamentos colaterais, nervos motores e na pata propriamente dita são consideradas causas deste tipo de claudicação (STASHAK, 2006). A segunda é a claudicação de membro locomotor em suspensão, essa claudicação é evidenciada quando o membro está em movimento, alterações patológicas envolvendo a cápsula articulares, músculos, tendões, bainhas tendíneas ou bursas são consideradas as principais causas (STASHAK, 2006). A terceira é a claudicação mista, é evidente quando o membro está em movimento como quando está suportando o peso, essa claudicação pode compreender qualquer combinação de estruturas afetadas do membro em suspensão ou na claudicação do membro de apoio (STASHAK, 2006). A quarta é a claudicação complementar ou compensatória, que a dor em um membro vai causar uma distribuição de peso desigual em outro membro, ou membros, que pode provocar uma claudicação em um membro previamente sadio. Um problema relativamente pequeno em uma pata pode causar lesões mais graves no mesmo membro ou no membro oposto (STASHAK, 2006). O método de classificação mais utilizado para classificações dos graus da claudicação é o da American Association of Equine Practitioners (AAEP). A categorização das claudicações é descrita em leve, moderada ou intensa, proporcionando ao examinador uma referência objetiva para determinar melhora na reavaliação (STASHAK, 2006).

As causas das enfermidades locomotoras são multifatoriais (FIGUEIREDO et al., 2013). Alguns grupos de afecções que acometem os membros dos equinos se manifestam em determinadas andaduras, podendo ficar mascaradas em outras. Para que se propõe esta exposição, é suficiente o estudo das andaduras naturais ao passo, trote, galope e salto. (THOMASSIAN, 2005). Sendo de grande importância a reparação da passada dos membros dos equinos no diagnóstico de uma claudicação. A primeira etapa a ser notada é saber que o passo constitui-se de uma fase cranial e uma fase. A fase cranial do passo é realizada a frente da pegada do membro oposto e a fase caudal é localizada atrás da pegada do membro oposto. Na claudicação, as fases cranial ou caudal podem ser encurtadas, apesar do comprimento do passo ter que ser igual ao do membro oposto para o cavalo andar em linha reta. Se a fase cranial for encurtada, precisará ocorrer um aumento compensatório da fase caudal, e vise e versa. Se não ocorrer este aumento compensatório da fase cranial ou caudal, o cavalo vai locomover-se de lado. (STASHAK, 2006). Na claudicação de membro torácico a cabeça é elevada quando o membro afetado toca o solo e é abaixada quando o membro sadio toca ao solo. Na claudicação de membro pélvico a garupa do lado afetado se eleva ao apoio do membro lesado e desce ao apoio do membro são. Já na claudicação bilateral a movimentação da cabeça é mínima ou quando pesos iguais são colocados em membros igualmente doloridos, produzindo assim um andar arrastando a pinça do casco. (FERRARI et al.,2011).

O diagnóstico da claudicação exige um conhecimento detalhado de anatomia, fisiologia da movimentação do membro e uma avaliação do desenho geométrico e das forças resultantes sobre os cascos dos cavalos (FERRARI, et al., 2011). Para o desenvolvimento de avaliação visual de uma claudicação, deve-se entender a conformação e o movimento. O procedimento de avaliação de qualquer cavalo é semelhante. Primeiramente é feita uma forma geral das quatro partes funcionais do cavalo, dando a cada uma a mesma importância. Componentes da conformação do cavalo são avaliados em detalhe e o cavalo observado de maneira simétrica (STASHAK, 2006). Deve-se palpar o animal em busca de aumentos de volume, mudanças de temperatura, pontos de dor, soluções de continuidade na pele ou qualquer outra alteração. A sensação de calor ou aumento do pulso digital podem ser sinais de inflamação no membro distal. Os pulsos podem ser aferidos na parte abaxial da região palmar do boleto e da quartela, e ainda pode ser feita uma comparação com o membro contralateral. O pulso digital normal é quase imperceptível para a maioria das pessoas; porém, quando associado à inflamação, pode aparecer claramente. Existem alguns equipamentos específicos que são necessários para examinar cuidadosamente o casco, sendo a pinça do casco mais importante. A pinça é uma ferramenta projetada para aplicação de pressão em áreas especificas na face palmar do casco e o uso desse equipamento deve ser feito com critério (RIBEIRO, 2013). A anestesia local é comumente utilizada durante um exame de claudicação para confirmar ou identificar o local ou os locais de dor, quando alguma patologia óbvia não existir. A anestesia local pode ser conseguida por infiltração perineural ou bloqueio do nervo local; bloqueio em anel, ou infiltração direta de uma região dolorosa; e também pela injeção intra-sinovial, que consiste em depositar anestésico dentro de articulações, bainhas de tendões e bursa. (RIBEIRO, 2013).

CONCLUSÃO

O conhecimento adquirido com busca de pesquisas, conclui que a claudicação é de alta incidência em cavalos atletas, pela maior força exercida nas estruturas musculoesqueléticas. As etiologia e causas das enfermidades locomotoras são multifatoriais e o diagnóstico é um conjunto de procedimentos visuais, clínicos e complementares que utiliza as classificações de claudicação, graus e sua importância, na busca eficaz da lesão com estruturas acometidas, no objetivo de alívio da dor, ausência da claudicação e bem estar animal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERRARI, P; PACHECO, M; MONTANHA, F. Métodos de diagnóstico da claudicação equina- Revisão de Literatura. Garça, SP, 2011.

FIGUEIREDO, T; DZYEKANSKI, B; KUNZ, J; SILVEIRA, A; RAMOS, M. G. C; JÚNIOR, P. V M. A importância do exame termográfico na avaliação do aparato locomotor em equinos atletas. São José dos Pinhais, PR, 2013.

PYLES M. D; ALVES A. L. G; HUSSNI C. A; THOMASSIAN A; NICOLETTI J. L. M; WATANABE M. J. Parafusos bioabsorvíveis na reparação de fraturas experimentais de sesamóides proximais em equinos. Ciência Rural, Santa Maria, 2007.

RIBEIRO, G. H.C. Anatomia, biomecânica e principais patologias do membro distal de equinos: quartela e casco. (TCC). Goiânia, 2013.

STASHAK, T. Claudicação em Equinos Segundo Adams. 5 ed. São Paulo: Rocca, 2006.

THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. Cap. 4. Ed. Livraria Varela. São Paulo, 2005.

 

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