Eventração abdominal traumática com encarceramento do ceco em equino

Eventração abdominal traumática com encarceramento do ceco em equino

0

Eventração abdominal traumática com encarceramento do ceco em equino

Traumatic abdominal eventration with the cecum entrapment in horse

Eventración abdominal traumática con prisión cecal in equino

Autores:

Anderson Fernando de Souza1

Jackson Schade2

Milena Carol Sbrussi Granella3

Ademar Luiz Dallabrida4

Marcos Paulo Antunes de Lima5

Joandes Henrique Fonteque6

1Médico Veterinário, aluno especial do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal pelo Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lages, SC, Brasil.

2Médico Veterinário, Programa de Pós-graduação em Ciência Animal pelo Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lages, SC, Brasil.

3Acadêmica de Medicina Veterinária pelo Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lages, SC, Brasil.

4Professor Doutor de Patologia e Clínica Cirúrgica do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lages, SC, Brasil.

5Médico Veterinário Residente em Anestesiologia de Animais de Companhia, Escola de Veterinária (EV), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizionte, MG, Brasil.

6Professor Doutor de Clínica Médica de Grandes Animais do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lages, SC, Brasil. *Autor para Correspondência: joandes.fonteque@udesc.br

Resumo

O reparo de defeitos adquiridos na parede abdominal do equino pode se um desafio para o cirurgião, uma vez que as recomendações da literatura são contraditórias. Este relato tem por objetivo descrever um caso de eventração abdominal traumática em equino com encarceramento de ápice do ceco, em que fora realizada correção cirúrgica por meio da aposição dos bordos da lesão. Um equino, mestiço, apresentou aumento de volume na região ventrolateral esquerda do abdômen caudal após chocar-se com uma cerca. Ao exame clínico observou-se aumento de volume de 40 cm de diâmetro na localização supracitada, de consistência flutuante, irredutível e sensível à palpação. O animal apresentava ainda, dificuldade à locomoção. A ultrassonografia confirmou a presença de alças intestinais na área afetada. Após a pré-medicação, da indução anestésica e a preparação asséptica da área, procedeu-se a redução cirúrgica, por simples aposição das camadas musculares. O ápice do ceco encontrava-se encarcerado na região com extensas áreas de aderências. O ceco apesar de ser incomum pode sofrer encarceramento nos casos de eventrações. A aposição dos bordos foi efetiva para correção do defeito. Um menor tempo entre a ocorrência do trauma e a cirurgia pode ser benéfico para a cicatrização primária do defeito.

Palavras-chave: Deslocamento, intestino, laparotomia, trauma abdominal.

Abstract

The repair of abdominal wall’s acquired defects in horses can be a challenge for the surgeon, once that the literature recommendations are contradictory. This report aims to describe a case of traumatic abdominal eventration in a horse with cecal apex imprisonment, where the surgical correction was performed affixing the edges of the lesion. The horse, mongrel breed, showed increased volume at the left ventrolateral region of caudal abdomen after running into a fence. Clinical examination revealed an increase on volume of 40 cm in diameter at the location already mentioned, with floating consistency, irreducible and sensitive to palpation. The animal also had difficulty locomotion. Ultrasonography was use to confirm the presence of bowel loops in that area. After premedication, anesthetic induction and aseptic preparation area, we proceeded surgical reduction by simple apposition of the muscle layers. The cecal apex was imprisoned in the region with large areas of adhesions. The cecum entrapment is uncommon, but may occur with cases of eventration. The affixing of the lips was effective to correct the defect. Whereas a shorter time between the occurrence of trauma and surgery may help the primary healing of the defect.

Key-words: Displacement, intestinal, laparotomy, abdominal trauma.

Resumen

La reparación del defecto adquirido en la pared abdominal del caballo puede volverse en un desafío para el cirujano, pues, las recomendaciones de la literatura se encuentran de manera contradictoria. Este informe tiene como objetivo describir un caso de eventración abdominal traumática de un equino con encarcelamiento del vértice cecal, en la cual se ha realizado una cirugía de corrección mediante la aposición de los bordes de la lesión. Un caballo, mestizo, se ha aumentado de volumen en la región ventrolateral izquierda del abdomen caudal después de chocarse contra una cerca. El examen clínico reveló un aumento de volumen de 40 cm de diámetro en la ubicación anterior, consistencia flotante, irreducible y sensible a la palpación. El animal también tenía dificultad para la locomoción. La ultrasonografía confirmó la presencia de manijas intestinales en el área afectada. Después de la aplicación de los medicamentos previos, de la inducción de anestesia y de la preparación aséptica, se procedió la reducción quirúrgica por simple yuxtaposición de las capas musculares. El vértice cecal se encontraba encarcelado en la región con grandes áreas de adherencias. Aunque sea raro el atrapamiento del intestino ciego, se lo puede ocurrir en caso de eventraciones. La colocación de los bordes se demostró eficaz para la corrección del defecto. Un tiempo más corto entre la ocurrencia del trauma y cirugía puede volverse una ventaja para la cicatrización primaria del defecto.

Palabras-clave: Desplazamiento, intestino, laparotomía, traumatismo abdominal.

Introdução

A eventração é a ruptura da parede abdominal com saída das vísceras para o espaço subcutâneo, onde estas ficam contidas apenas pela pele e é resultante geralmente de condições traumáticas em cercas, nas instalações, choque contra veículos e coices de outros animais, podendo ocasionar estrangulamento dos órgãos acometidos.1, 2 Esta condição pode também ser descrita como falsa hérnia, por ser originária de um orifício não natural e por não apresentar o saco herniário, devido sua condição traumática.1, 3 Foram também relatados casos decorrentes da deformação associada com o parto e a quadros de hidropsias dos envoltórios fetais em éguas gestantes.4, 5

A abordagem diagnóstica e o tratamento de lesões abdominais nos equinos representam um desafio para o profissional. As lesões podem variar de trauma externo simples, sem envolvimento visceral e não penetrantes, até quadros de lesões penetrantes que envolvam órgãos abdominais, principalmente intestinos e porções dos sistemas urinário e reprodutivo, neste, quando acomete fêmeas.6 Vários métodos são relatados para realizar a correção cirúrgica dos defeitos na parede abdominal que foram idealizados, principalmente frente a necessidade em se reparar quadros de hérnias incisionais, uma complicação frequente da laparotomia exploratória.7, 8, 9

Na ocasião de grandes defeitos, a reconstrução cirúrgica é imprescindível e muitas vezes pode ser necessário o uso de artefatos que garantam maior segurança para o procedimento, uma vez que o peso das vísceras abdominais é fator agravante, predispondo a ocorrência de recidivas, exigindo reforço da linha de sutura.1, 10 Vários materiais de origem sintética e biológica têm sido aplicados para a reconstituição da parede abdominal, que servem como reforço a sutura e até mesmo estimulando a cicatrização e os processos de regeneração de tecidos.10, 11 Porém a utilização desses artifícios parece não ser uma necessidade eminente, em que a reconstituição primária das lesões é uma conveniente abordagem inicial.

Este trabalho tem por objetivo descrever um caso de eventração abdominal traumática em equino com encarceramento de ápice do ceco, em que fora realizada correção cirúrgica por meio da aposição dos bordas da lesão.

Relato de Caso

Um equino macho, mestiço de 10 anos de idade, pesando aproximadamente 430 kg foi encaminhado ao Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em Lages, SC, apresentando aumento de volume na região ventrolateral esquerda do abdômen há sete dias.

O proprietário relatou que o animal escapou do piquete onde permanecia juntamente com outro equino, encontrando-o no dia seguinte apresentando o referido aumento de volume após ter se chocado contra um mourão de cerca. Não foi observado evolução com aumento do tamanho da lesão após o trauma. O animal recebeu como tratamento na propriedade anti-inflamatório não esteroidal, flunixin meglunime (Banamine®), no volume de 10 mL, por via intramuscular, uma vez ao dia, durante cinco dias. O animal continuou a se alimentar, ingerindo água e defecando normalmente, revelando apenas dificuldade e desconforto ao se locomover.

C:\Users\Anderson\Documents\PESQUISA\Eventração ceco\Fotos\DSC07230.JPG
Figura 1. A e B. Equino, mestiço, macho, castrado de 10 anos de idade, apresentando aumento de volume na região ventrolateral esquerda do abdômen caudal (eventração) (setas).
C:\Users\cliente\Documents\PESQUISA\Eventração ceco\Fotos\DSC07223.JPG
Figura 1. A e B. Equino, mestiço, macho, castrado de 10 anos de idade, apresentando aumento de volume na região ventrolateral esquerda do abdômen caudal (eventração) (setas).

Ao exame físico, o animal apresentava-se alerta, em posição quadrupedal, normotermia (37,8°C), frequência respiratória de 10 movimentos por minuto, frequência cardíaca de 46 batimentos por minutos, grau de hidratação normal, pulso normocinético, mucosas róseas e tempo de preenchimento capilar de dois segundos. Observou-se aumento de volume de aproximadamente 40 cm de diâmetro de aspecto flutuante, irredutível e sensível à palpação na região ventrolateral esquerda do abdômen caudal (Figura 1). O animal apresentava desconforto e dificuldade à locomoção. À auscultação abdominal foi identificado hipomotilidade nos quadrantes dorsal, ventral direito e ventral esquerdo. À palpação transretal, constatou-se presença de cíbalos fecais em reto e colón menor, a base do ceco e a flexura pélvica encontravam-se em suas localizações anatômicas normais, porém constatou-se posicionamento transversal de umas das tênias cecais, contudo havia dificuldade de progressão para a porção ventral esquerda, não sendo possível alcançar internamente o defeito, devido à presença e posição de segmentos indistinguíveis. A ultrassonografia sobre o aumento de volume revelou a presença de alça intestinal e grande quantidade de líquido em seu interior. Frente aos achados do exame físico e ultrassonográfico, estabeleceu-se o diagnóstico de eventração abdominal traumática. A redução cirúrgica foi o tratamento indicado.

C:\Users\Anderson\Documents\PESQUISA\Eventração ceco\Fotos\DSC07349.JPG
Figura 2. Redução cirúrgica do defeito adquirido na parede abdominal esquerda. Ápice do ceco encarcerado na lesão (seta) de coloração e aspecto normais. Confirmou-se a suspeita clínica de eventração e no transoperatório o diagnóstico de segmento do ceco encarcerado.

O procedimento cirúrgico para correção da lesão foi realizado a campo. Após 12 horas de jejum hídrico e alimentar procedeu-se o acesso venoso na jugular externa, sendo pré-medicado com xilazina (1 mg/kg, IV), seguido de éter gliceril guaiacol (EGG) 5% (500 ml, IV) e induzido com cetamina (3 mg/kg, IV). O animal foi posicionado em decúbito lateral direito sobre colchões e usado para a manutenção anestésica o triple drip (xilazina 1 mg/ml + cetamina 2 mg/ml + EGG 100 mg/ml). Após tricotomia e antissepsia da região, realizou-se incisão de aproximadamente 15 cm sobre a lesão, abrangendo pele e tecido subcutâneo. Observaram-se lacerações nos músculos oblíquos abdominais externo e interno e transverso abdominal e o ápice do ceco encontrava-se encarcerado na região, com extensas aderências, porém a superfície do órgão apresentava coloração e aspecto normais, evidenciando que não havia comprometimento vascular (Figura 2). No momento em que se desfizeram as aderências, ocorreu pequena laceração seromuscular no ceco, sendo realizada sutura com fio poliglactina 910, 2-0 em padrão Sultan. Efetuou-se o reposicionamento do segmento, seguida da lavagem da ferida com solução fisiológica. Realizou-se rafia da parede abdominal com fio polipropileno 2 em padrão isolado simples, aplicação de drenos de Penrose n° 4 e a dermorrafia com fio náilon 2 em padrão isolado simples.

C:\Users\cliente\Documents\PESQUISA\Eventração ceco\Fotos\DSC07588.JPG
Figura 3. Deiscência parcial da sutura de pele duas semanas após a redução cirúrgica do defeito adquirido na parede abdominal em equino (seta).

No pós-operatório realizou-se a limpeza diária da ferida com solução fisiológica, administração de flunixin meglumine (1,1 mg/kg, SID, IM, por cinco dias), dipirona (25 mg/kg, TID, IM, por três dias), penicilinas associadas (Bravecilin Forte®) (quatro frascos, diluída com água para injeção, a cada 48 horas, em duas aplicações), heparina (40 UI/kg, SC), vacina e soroterapia antitetânica. Observou-se liberação de líquidos em quantidade moderada pelo sistema de drenagem nos dias que seguiram a cirurgia, havendo deiscência parcial da sutura de pele duas semanas após o procedimento, sendo tratada para cicatrização por segunda intenção (Figura 3). Posteriormente o processo de cicatrização foi satisfatório e houve recuperação total do animal.

Discussão

O intestino grosso, por ter maiores diâmetros, com conteúdo mais pesado, associado a pontos de fixação por meio de ligamentos, lhe confere menor mobilidade em relação ao intestino delgado, que está seguro apenas pelo mesentério permitindo maior mobilidade na cavidade, sendo este, o conteúdo observado na maior parte dos casos de eventrações e herniações.1 O deslocamento com encarceramento do ápice do ceco numa eventração na porção contralateral a sua no abdômen é um evento incomum. Mesmo que esta porção do intestino apresente certa mobilidade, seria mais esperada a sua localização em rupturas da parede abdominal na região ventral ou ipsilateral devido à distância.4

Esperava-se que o trauma associado ao rearranjo dos órgãos abdominais nesse caso, pudessem levar a demonstrações de dor em graus variáveis,1, 6 mas que não foi observado, o que pode ser atribuído ao efeito analgésico visceral que o flunixin meglumine apresenta, podendo mascarar quadros leves até mesmo moderados de dor, ou ainda a modificação do posicionamento das porções do intestino não foi suficiente a ponto de causar sinais de dor grave. Ainda, mesmo que identificadas aderências da porção acometida junto ao local da lesão durante o transoperatório, estas não apresentavam estrangulamento vascular ou obstrução/distensão luminal,1 fazendo com que o animal demonstrasse apenas desconforto durante a locomoção.

O aumento de volume é extremamente sugestivo nos quadros de eventração e hérnias, em que a palpação muitas vezes é suficiente para confirmação do diagnóstico, em condições onde não há maiores complicações, identificando-se conteúdo redutível e a presença do anel herniário. Entretanto, quando a inflamação, infecção ou distensão luminal de uma víscera está presente, o diagnóstico preciso é difícil de ser obtido apenas por meio da palpação.1 Além disso, pode ocorrer migração subcutânea do conteúdo, em que o anel herniário estará distante do local com maior aumento. Em todos os casos a palpação externa é parte importante do exame físico.1

No caso apresentado, foi identificado à palpação que o conteúdo era irredutível e álgico, indicando que o mesmo estava encarcerado, associado ao exame ultrassonográfico que agregou aos achados do exame físico e do histórico, reafirmando a necessidade da intervenção cirúrgica. O uso de aspiração com agulha fina como meio de realizar diagnósticos diferenciais é totalmente contraindicado, porque frequentemente resulta na contaminação do local, trazendo consequências graves.1

A literatura descreve que é aconselhável aguardar em torno de dois a três meses antes da reparação cirúrgica do trauma abdominal,1,12 obviamente quando o quadro de abdômen agudo não está presente. Este tempo seria suficiente para resolver o processo inflamatório e permitir a formação de tecido fibroso revestindo o defeito da parede abdominal, aumentando assim a probabilidade de a reconstrução ser bem-sucedida.4 Entretanto, neste caso optou-se por não esperar demasiado tempo, realizando a cirurgia aproximadamente 15 dias após o ocorrido. Tal conduta foi bastante adequada, pois diferente das hérnias, na eventração não existe o saco herniário, fazendo com que, ao passar do tempo, as aderências identificadas pudessem se tornar mais extensas e graves, acarretando em injúria muito maior da serosa do órgão, do que a ocorrida podendo causar aderências intra-abdominais posteriormente.13

Além disso, a espera maior pelo procedimento pode não ser bem aceita pelos proprietários, em que o retorno mais rápido do equino as suas funções seria desejável. Nestes casos, realizar a cirurgia entre duas a três semanas após a lesão pode originar bons resultados.14 Com a maior demora de tempo entre a lesão e a cirurgia é provável que grandes defeitos abdominais possam não ser passiveis de correção apenas pela aposição dos bordos da ferida, fazendo-se necessário a implantação de malhas sintéticas.1,6 Portanto, o menor tempo entre a ocorrência do trauma e a correção cirúrgica pode ser benéfico quando objetiva-se a redução primária da lesão.14

A ocorrência de deiscência da sutura de pele e o volume significativo de drenagem observado no pós operatório podem ser atribuidos a não redução do espaço subcutâneo e ao material de sutura empregado. O polipropileno como material de sutura é ainda utilizado para a síntese da parede abdominal em equinos, embora opções melhores de materiais como o ácido poliglicólico e a poliglactina 910 estejam disponíveis atualmente. No entanto, a formação de fístulas é consequência indesejável, mas que pode ocorrer com frequência, estando relacionada com a quantidade de nós necessários e a maior tensão da sutura quando se utiliza esse material.15 Mesmo não causando maiores complicações, tal condição é potencialmente perigosa, sendo necessário reavaliação da conduta cirúrgica neste caso.

Mesmo sendo considerado que qualquer procedimento cirúrgico realizado fora dos limites da sala de cirurgia seja não asséptico, a prática destes ao ar livre em grandes animais é por vezes, necessária. A consciência cirúrgica deve imperar da mesma forma, em que o cirurgião e seus auxiliares devem mantê-la de forma rigorosa, a fim de evitar quebras de assepsia em ambiente tão crítico.16 No presente caso, mesmo pondo em prática as considerações acima descritas, optou-se pelo uso de antibiótico pós-operatório, uma vez que houve exposição da cavidade abdominal.

O desfecho desse caso reforça os resultados encontrados por Azizi et al.14 (2016), em que o tratamento cirúrgico realizado num intervalo de duas a três semanas apresenta bons resultados nos defeitos traumáticos da parede do abdômen.

Conclusão

O ceco, apesar de ser incomum pode sofrer encarceramento nos casos de eventrações localizadas distante da sua posição anatômica. A correção cirúrgica por meio da confecção de sutura de aposição foi efetiva para a correção do defeito. Um menor tempo entre a ocorrência do trauma e a cirurgia pode ser benéfico quando se objetiva a cicatrização primária do defeito.

Referências

  1. KUMMER, M. R.; STICK, J. A. Abdominal hernias. In: AUER, J. A.; STICK, J. A. Equine Surgery. 4th ed. Saint Louis: Elsevier, 2012. p. 506-515.
  2. NELSON, D. R. The abdominal wall. In: Textbook of Large Animal Surgery. 2nd ed. Maryland: William & Wilkins, 1986. p. 383-398.
  3. VAN DER VELDEN, M. A.; KLEIN, W. R. A modified technique for implantation of polypropylene mesh for the repair of external abdominal hernias in horses: a review of 21 cases. Veterinary Quarterly, v. 16, suppl. 2, p. 108-110, 1994.
  4. HANSON, R. R.; TODHUNTER, R. J. Herniation of the abdominal wall in pregnant mares. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 189, p. 790-793, 1986.
  5. MEEK, D. G.; DEGROFFT, D. L.; SCHNEIDER, E. E. Surgical repair of similar parturition-induced midline ventral hernias in two mares: a comparison of results. Veterinary Medicine: Small Animal Clinician, v. 72, n. 6, p. 1066, 1068, 1073, 1977.
  6. PERONI. J. F. Abdominal injuries. In: WHITE, N. A.; MOORE, J. N.; MAIR, T. S. The Equine Acute Abdomen. Wyoming: CRC Press, 2009. p. 703-708.
  7. COOK, G.; BOWMAN, K. F.; BRISTOL, D. G. et al. Ventral midline herniorrhaphy following colic surgery in the horse. Equine Veterinary Education, v. 8, n. 6, p. 304-307, 1996.
  8. VILAR, J. M.; DORESTE, F.; SPINELLA, G. et al. Double-layer mesh hernioplasty for repair of incisional hernias in 15 horses. Journal of Equine Veterinary Science, v. 29, n. 3, p. 172-176, 2009.
  9. CARON, J. P.; MEHLER, S. J. Laparoscopic mesh incisional hernioplasty in five horses. Veterinary Surgery, v. 38, n. 3, p. 318-325, 2009.
  10. ORLANDINI, C. F.; STEINER, D.; BOSCARATO, A. G. et al. Surgical treatment of traumatic eventration with polyester button and polypropylene mesh to strengthen the suture technique in equine. BMC Veterinary Research, v. 12, n. 1, p. 1, 2016.
  11. VULCANI, V. A. S.; MACORIS, D. G.; PLEPIS, A. M. G. Biomateriais para reparação cirúrgica da parede abdominal em animais domésticos revisão. Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da UNIPAR, v. 12, n. 2, p. 141-147, 2009.
  12. KAWCAK, C. E.; STASHAK, T. S. Predisposing factors, diagnosis, and management of large abdominal wall defects in horses and cattle. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 206, n. 5, p. 607-611, 1995.
  13. MAIR, T. S.; SMITH, L. J. Survival and complication rates in 300 horses undergoing surgical treatment of colic. Part 3: Long‐term complications and survival. Equine Veterinary Journal, v. 37, n. 4, p. 310-314, 2005.
  14. AZIZI, S.; HASHEMI-ASL, S. M.; TORABI, E. Early herniorrhaphy of large traumatic abdominal wounds in horses and mules. Equine Veterinary Journal, v. 48, p. 434-437, 2015.
  15. TROSTLE, S. S.; HENDRICKSON, D. A. Suture sinus formation following closure of ventral midline incisions with polypropylene in three horses. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 207, n. 6, p. 742-745, 1995.
  16. HENDRICKSON, D. A. Presurgical considerations. In: HENDRICKSON, D. A.; BAIRD, A. N. Turner and McIlwraith’s Techniques in large animal surgery. 4th ed. Iowa: John Wiley & Sons, 2013. p. 3-6.

Artigo Autorizado e Disponibilizado pela Revista +Equina

 

 

 

você pode gostar também

Pular para a barra de ferramentas