Febre do Cavalo Potomac

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O cavalo é um animal versátil que desperta muito interesse em seus proprietários. Além do seu contexto histórico de estar presente nos campos de batalha, é utilizado para diversos fins, como por exemplo trabalho de campo, meio de transporte, esportes equestres, corridas e lazer. A criação desses animais exigem alguns cuidados especiais e assistência veterinária sempre constante.

Dentre as várias doenças que podem surgir ao longo da vida desses animais está a Erliquiose Monocítica Equina, conhecida como Febre do Cavalo Potomac, pelo fato de ter sido descrita em 1979 no estado de Maryland (EUA), próximo ao rio Potomac.

O agente causador é Neorickettsia risticii, anteriormente chamada Ehrlichia risticii, tendo forma de pequenos cocos gram-negativos e intimamente relacionado aos agentes da erliquiose humana (E. sennetsu) e envenenamento por salmão de Cães (Neorickettsia helminthoeca). É uma doença infecciosa, mas não contagiosa, sem predisposição de sexo, idade ou raça, e sem risco zoonótico conhecido. O agente infeccioso tem predominância esporádica em cavalos da América do Norte, América do Sul e também em algumas partes de Europa, com ocorrência mais comum perto de áreas alagadiças e em meses mais quentes. A infecção pode ocorrer por ingestão de insetos aquáticos infectados pelo agente.

Agente Neorickettsia risticii (Imagem: LanceAgronegócios)

O ciclo de vida completo de Neorickettsia Risticii ainda não foi elucidado, porém, sabe-se que existe relação com a presença de trematódeos aquáticos, sendo que caramujos foram identificados como hospedeiros intermediários no Rio Grande do Sul.

A infecção é seguida de bacteremia, e, como um parasita intracelular obrigatório no organismo, infecta principalmente monócitos, macrófagos e células epiteliais glandulares do trato gastrintestinal. Na transmissão transplacentária, ocorre a infecção e, em sequência, causa aborto.

Os sinais clínicos se caracterizam por anorexia, depressão, febre (39º – 41.7ºC), edema de membros, diarreia profusa na maioria dos casos, desidratação e, ocasionalmente, cólica. O quadro clínico pode variar de leve a severo, culminando com a morte do animal. No início da enfermidade observa-se leucopenia e, posteriormente, leucocitose. Pode ocorrer ainda laminite e abortos.

O tratamento é variável de acordo com a severidade do caso e o momento de início da terapia. Em casos tratados precocemente e de forma correta, o animal pode apresentar melhora com 3 a 5 dias de tratamento.

O diagnóstico presuntivo pode ser realizado por meio dos sinais clínicos e pela epidemiologia da doença, por possuir características endêmica e sazonal.

O diagnóstico laboratorial pode ser realizado por testes sorológicos, como a Imunofluorescência Indireta, testes imunoenzimáticos ELISA e Western Blot. Dentre estes, a Imunofluorescência Indireta é o teste padrão para o diagnóstico, devido à sua praticidade e especificidade. Equinos infectados apresentam um rápido aumento no título de anticorpos presentes no sangue, de aproximadamente 1:2560 ou acima, e que tendem a persistir por cerca de 1 ano após a primoinfecção. O exame deve ser realizado em duplicata, sendo que a primeira amostra de sangue deve ser colhida logo no início da manifestação clínica e a segunda, de 5 a 7 dias após a primeira amostra. Animais vacinados apresentam baixos títulos imunológicos e que tendem a desaparecer em 6 a 9 meses após a vacina.

Atualmente, as técnicas moleculares, como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), têm sido amplamente utilizadas, pois conseguem detectar a presença do micro-organismo em amostras de sangue equino e de tecidos dos invertebrados envolvidos na cadeia epidemiológica, de forma rápida e sem a necessidade de realizar a cultura celular.

Devido às suspeitas de relação entre a transmissão da doença e a presença de moluscos e trematódeos, uma das medidas profiláticas é evitar a presença destes hospedeiros da bactéria nos locais de criação de equinos, assim como evitar a presença de insetos nos estábulos.

Nos Estados Unidos, primeiro local em que a doença foi identificada, utiliza-se vacina inativada como medida de prevenção efetiva para a Erliquiose Monocítica Equina.

O estudo epidemiológico em conjunto dos sinais clínicos pelo médico veterinário é de suma importância para o direcionamento do diagnóstico e início da terapia, assim como para decidir as medidas profiláticas nas áreas alagadiças e margens de rios e lagos para controle dos hospedeiros intermediários (caramujos) nos meses mais quentes do ano. Dessa forma, perdas econômicas relacionada à Erliquiose Monocítica Equina podem ser minimizadas ao criador, assim como a manutenção do bem-estar animal pode ser preservada, mesmo nos períodos de maior incidência da doença, através de melhorias no manejo de animais e do ambiente.

Texto por:

Andreza de Cássia Gomes Araújo – 6 período, Centro Universitário Maurício de Nassau – UNINASSAU

Diego Rodrigues Gomes – 7° período, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Giovana Louise Bezerra de Souza – 6° período, Universidade Potiguar UNP

Jéssica Monique dos santos Lima, 9°  período, IFPB

Vitoria Yuki Endo, 11° período, Universidade Federal Rural de Pernambuco – SEDE.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário

REFERÊNCIAS

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