Forrageira para Equinos

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FORRAGEIRAS PARA EQUINOS

Os equinos são a evolução dos animais herbívoros, ou seja, a alimentação fundamental é o volumoso, originado de gramíneas ou leguminosas. O ideal é que o volumoso seja fornecido “ad libitum”, deve ser de boa qualidade e adequado à categoria animal (CINTRA, 2016). De acordo com VICTOR et al. (2007), as pastagens sempre foram o alimento natural para os equinos, eram formadas por diferentes espécies vegetais que serviam para uma dieta completa. Atualmente, com o avanço da nutrição animal, as pastagens continuam sendo fundamentais, mesmo na criação intensiva.

A pastagem de boa qualidade tem condições de suprir a demanda nutritiva dos equinos, para categorias menos exigentes, por exemplo, cavalos adultos em descanso, potros de ano e éguas na primeira fase da gestação. Quando falamos de pastagem de boa qualidade, referimos especialmente ao manejo e fertilidade do solo, além da escolha correta da espécie forrageira (VICTOR et al., 2007). Abaixo estão listadas algumas das principais gramíneas utilizadas como capineira na alimentação dos equinos.

Coast-cross:

O capim Cynodon dactylon (L) Pers cv. Coast cross é um híbrido resultante entre o cruzamento de Cynodon dactylon cv. Castal bermuda com Cynodon nlenfluensis cv. Robusto. Foi desenvolvido nos Estados Unidos, mais especificamente no estado da Geórgia em 1967 e introduzido no Brasil na década de 70. Trata-se de uma forrageira adaptada a regiões temperadas e tropicais, capaz de suportar geadas podendo ser cultivada desde o nível do mar até 14.800m de altitude (VICTOR et al., 2007; VENDRAMINI et al., 2010; PEREIRA et al., 2011).

Em relação a sua morfologia é uma planta estolonífera, possui folhas macias, com lâminas planas, estreitas e agudas e os colmos são finos, cilíndricos, delgados e glabros. A sua inflorescência é caracterizada por apresentar pequenas espigas digitadas. É uma planta perene, sem rizoma o que lhe confere facilidade de erradicação e estolonífera apresentando boa capacidade de cobertura do solo. A gema basal está localizada próxima à superfície do solo, caracterizando sua resistência ao pastejo e ao pisoteio (LEITE et al., 1999).

O capim Coast cross exige solos de média à alta fertilidade, não tolera alagamentos e é produtivo na época da seca, se devidamente irrigado. . O plantio ocorre por meio de mudas, o preparo do solo com correção de calcário e adubação fosfatada deve ser realizado para facilitar a propagação das mesmas (VILELA, 2000).

Segundo VENDRAMINI et al., (2010) sua produtividade pode variar entre 6 a 14 toneladas de massa verde por hectare/ano e o teor de proteína bruta pode atingir até 10,7% na matéria seca. Além de ser usado como pastagem é altamente recomendado para fenação. LEITE et al., (1999) citou que devido a alta proporção folha/caule e por apresentar um caule fino, o capim Coast cross, quando usado em fenação, demonstra uma rápida e uniforme secagem e grande resistência a cortes baixos, até 5 cm, característica que pode ser explicada devido ao seu vigor e crescimento prostrado que atribui a esta forragem elevada capacidade de rebrote.

Os equinos apresentam grande motilidade labial e no momento do pastejo cortam a forragem rente ao solo, portanto as pastagens devem ser resistentes e possuir facilidade de rebrote, características encontradas no Coast cross, motivos pelos quais são usados por muitos produtores, além de apresentar grande aceitabilidade pelos animais. Muitos estudos estão sendo realizados com o capim Coast cross, onde diversos autores concordam que com o manejo adequado esse cultivar produz maior quantidade de massa verde com maior proporção de nutrientes por hectare ao ano.

Jiggs:

O capim jiggs (Cynodon dactylon) é um cultivar introduzido no Brasil recentemente. Segundo ATHAYDE et al., (2005) é resultado da seleção de grama bermuda feita por um produtor do leste do Texas, chamado J. C. Riggs. É uma gramínea com elevada capacidade de suporte no período de estiagem prolongada e capaz de desenvolver crescimento superior quando comparada as demais cultivares da grama bermuda. Apresenta características interessantes para as condições climáticas do Brasil, manifestando alto potencial de adaptação. ROECKER et al., (2011), realizou um experimento em Cascavel – PR, em que foi constatado que o capim jiggs exibiu ótimo comportamento em períodos de estiagem, capaz de suportar veranicos. No trabalho conduzido pelo autor, as mudas foram plantadas e irrigadas, após isto ocorreu um longo período de estiagem e o estabelecimento da forragem não foi prejudicado.

CARVALHO et al., (2012) apud BRANDSTETTER (2016), apontou que o sucesso do capim jiggs quando comparado com as demais cultivares do gênero Cynodon está na forma de implantação, podendo ser feita por meio de mudas, tornando mais fácil e rápido seu estabelecimento. Além disso, o jiggs é capaz de apresentar melhor arranjo estrutural da parede celular, com menor concentração de fibras, o que torna mais interessante para a nutrição animal (REZENDE et al., 2015 apud BRANDSTETTER, 2016).

De acordo com GUIMARÃES (2012), é um genótipo ainda pouco estudado, mas vem mostrando bom potencial produtivo, VENDRAMINI et al., (2010) apud BRANDSTETTER (2016) constataram o mesmo, avaliando quatro cultivares do gênero Cynodon – Jiggs, Coast cross, Tifton 85 e Florakirk – observaram maior acúmulo de forragem pra Jiggs durante o verão. Em outro trabalho, realizado por MISLEVY et al., (2008) apud BRANDSTETTER (2016), foi estudado o acúmulo de forragem e o valor nutritivo no capim Jiggs e Tifton 85, houve superioridade no acúmulo de forragem para o Jiggs, cerca de 13,9 T ha-1 e 11, 9 T ha-1 para o Tifton 85. BARBERO et al., (2009), evidenciaram que independente das demais práticas adotadas na produção de forragem, a boa formação de massa de forragem está associada com o manejo adequado da gramínea.

Com relação a composição bromatológica, uma comparação feita no Brasil e nos Estados Unidos mostra que a gramínea apresenta boas características, mesmo com algumas diferenças, ela mantém alto valor proteico, apesar de serem países com climas diferentes, como podemos observar na Tabela 1.

Tabela 1: Composição bromatológica da gramínea Jiggs:

Cultivar PB (%) FDN (%) FDA (%) Umidade (%) País – Ano
Jiggs

(5 sem)

18,06 62,40 35,08 63,81 BR – 2005
Jiggs

(4 sem)

20,80 58,10 27,40 77,60 EUA – 2006

Fonte: Adaptado de DORE’ (2006) e RANDÜZ (2005) apud ATHAYDE et al., (2005).

Apesar das informações encontradas por DORE (2006) e RADÜNZ (2005) apud ATHAYDE et al., (2005) serem relevantes, precisam ser analisadas com mais cautela, pois antes de escolher a espécie forrageira que vai compor o volumoso da dieta, é importante saber qual a planta com maior teor de umidade, quantidade de fibra que se apresenta diluída na planta, levando em consideração que a menor resistência da planta no momento em que o equino realiza o bocado, é determinante na escolha da espécie forrageira, e em função do número reduzido de experimentos com a forrageira jiggs, muitas vezes essas informações não são encontradas na literatura (O´REAGAN & SGHWARTZ, 1995 apud RADÜNZ, 2005).

Tifton 85:

O cultivar Tifton 85 é um híbrido, estéril, do gênero Cynodon oriundo do cruzamento do Tifton 68 (Cynodon nlemfuensis) com uma introdução, proveniente da África do Sul (PI-290884). Desenvolvido na Coastal Plain Experiment Station da Universidade da Geórgia, na cidade de Tifton, sul do estado da Geórgia (BURTON et al., 1993). Introduzido no Brasil na década de 90 é atualmente uma das forrageiras mais recomendadas para os Equinos, desde que se faça a correção e adubação do solo corretamente, pois é uma gramínea de alta exigência em fertilidade. Exige solos com pH corrigidos, entre 5,5 e 6,5, por meio de calagem, e adubação de P, K, N, S e micronutrientes de acordo com a análise do solo onde será implantado. Responde bem à aplicação de N, requerendo maior reposição para uma maior produtividade.

É uma forrageira perene, estolonífera, de crescimento prostrado e possui elevado potencial de produção de forragem com qualidade (PEDREIRA, 2010). Apresenta grande massa folhear com hastes delgadas e lisas, folhas estreitas de cor verde escura e rizomas, o que lhe confere características de resistência a secas, geadas e fogo. É resistente a doenças e apresenta baixa resistência à acidez e a umidade (BURTON et al., 1993). Difundido em todo território nacional; sua propagação é feita por mudas, tolerando pisoteio e cortes frequentes; podendo ser implantada em solos arenosos, argilosos e mistos, mas sempre em solos corrigidos, não alagados e com reposição de nutrientes periódicas.

É caracterizado pela alta produção de matéria seca e alta digestibilidade (60%), possuindo boa palatabilidade e elevado valor nutritivo. Segundo VALADARES FILHO et al. (2017) o Tifton 85, com altura de 25 a 30 centímetros (ideal para pastejo), apresenta 71,45% de FDN; valor de Proteína Bruta (PB) em torno de 14% e 39,5% de FDA. Para alturas superiores a 30 centímetros, a PB cai para 10% e o FDN aumenta para 75%. Possui produção entre 15 a 20 (ton. MS/ha/ano) com até seis cortes anuais, sendo bastante recomendado para fenação além do pastejo, em decorrência da sua boa relação lâmina foliar/colmo. Não possui altos teores de Oxalato (que sequestra o cálcio tornando-o indisponível) conferindo assim ótima relação Ca: Oxalato para equinos, sendo < 0,5% (VICTOR et al., 2007).

Alfafa:

No Brasil, a criação de equinos está associada com as atividades da pecuária e desenvolve-se predominantemente em pastagens próprias. Há também uma tendência de crescimento da utilização do cavalo de lazer e especialmente do cavalo de esporte. (VICTOR et al., 2007)

Para animais de atividade intensa indica-se a Alfafa, uma leguminosa perene (renovada constantemente pela natureza), pertencente à família Fabaceae e subfamília Faboideae, de origem asiática, com alto valor nutritivo. Apresenta uma grande variedade de ecotipos (subtipos adaptados ao clima da região). É restringida a equinos de esporte devido ao seu alto custo de produção e teor proteico.

O potencial de produção de matéria seca da alfafa é em torno de 25 t/ha/ano, no entanto esse potencial não é atingido, na maioria das situações, por motivo de limitações edafoclimáticas (FONTES et al.,1993; PAIM, 1994 apud FERREIRA et al., 1998). FERREIRA (2002) constatou em seu experimento conduzido na Estação Experimental da Embrapa – Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite, em Coronel Pacheco, MG, que durante a estação das águas, a produção de matéria seca por corte variou de 1.584 kg/ha a 805 kg/há, e na seca 1.356 kg/ha e 639 kg/ha.

Algumas vantagens do feno de alfafa são: palatabilidade, a maioria dos equinos gostam do sabor, é rico em energia, possui propriedades curativas em caso de úlceras e pode ser peletizado. Normalmente a Alfafa é fornecida em forma de feno (a fenação é a retirada de 75% da umidade sem diminuir o valor nutritivo), facilitando o transporte e armazenamento.

Pode-se encontrar Alfafa conservada em fardos ou peletizada. Cerca de 30% do feno é perdido durante a alimentação, a utilização do pellet pode diminuir as perdas, facilitar o armazenamento e substituir completamente o feno. Podem ser substituídos por uma porcentagem de suplementação, cerca de 0,5 a 2% do peso vivo do animal por dia. Exemplo: Um cavalo de 500 kg pode ingerir 2,5 kg de pellets de alfafa por dia. (ZÜGE, 2014).

Segundo Paulo Nania, engenheiro agrônomo, do Centro de Treinamento do Jockey Club de São Paulo em Campinas (SP), não é recomendado que a alfafa seja consumida pura pelos cavalos estabulados, sugere-se uma associação com feno de gramíneas. Com a alta ingestão de proteína a necessidade de ingestão de água aumenta, logo o nível de ureia no sangue se eleva, causando problemas intestinais ou irritação nervosa. Portanto, a utilização deste alimento como dieta exclusiva para eqüinos adultos em mantença não é adequada.

Texto por: Julia Cristine Duarte de Souza, 8º período, Zootecnia – Universidade Federal de Goiás, Goiânia – GO.

Marcella Fernandes dos Santos, 10º período, Zootecnia – Universidade Federal de Goiás, Goiânia – GO.

Nathalia Souza de Oliveira, 10º período, Zootecnia – Universidade Federal de Goiás, Goiânia – GO.

Tainara Luana da Silva Soares, 7° período, Zootecnia – Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas – MG.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALFAFA: a grande forrageira. Rev. Puro Sangue Inglês, n. 59. São Paulo – SP, 2000. Disponível em: <http://www.bisvideo.com.br/artigos/119/alfafa-a-grande-forrageira/>. Acesso em: 28 de setembro de 2017.

ATHAYDE, A. A. R.; CARVALHO, R. C. R.; MEDEIROS, L. T.; VALERIANO, A. R.; ROCHA, G. P. Gramíneas do gênero Cynodon – Cultivares recentes do Brasil. Editora UFLA. Boletim técnico – n. 73, Lavras – MG, 2005. P, 1-14.

BARBERO, L. M.; CECATO, U.; LUGÃO, S. M. B.; GOMES, J. A. N.; LIMÃO, V. A.; BASSO, K. C. Produção de forragem e componentes morfológicos em pastagem de coastcross consorciada com amendoim forrageiro. R. Bras. Zootec., v. 59, n. 5. Viçosa – MG, maio/2009.

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BURTON, G. W.; GATES, R. N.; HILL, G. M. Registration of “Tifton 85” bermudagrass. Crop Science, Madison. v. 33, n. 3, p. 644-645, 1993.

CINTRA, A. A escolha do melhor capim para equinos. Disponível em: <https://meiorural.com.br/andrecintra/2016/08/04/a-escolha-do-melhor-capim-para-equinos/>. Acesso em: 27 de setembro de 2017.

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