Glutamina: Saúde e Desempenho

0

A glutamina é um aminoácido não essencial, ou seja, o corpo consegue sintetizar não dependendo da dieta para sua obtenção. No entanto, estudos recentes têm classificado a glutamina como aminoácido condicionalmente essencial, devido à sua grande importância sobre o sistema imunológico, células intestinais, proteção do organismo e também no exercício de alta intensidade.

O Sistema gastrointestinal é o local de maior consumo da glutamina, pois é o principal nutriente dos enterócitos. A glutamina absorvida pelas células intestinais, estimula sua proliferação e segue aos demais órgão do corpo pela corrente sanguínea. Uma vez dentro do sistema, atua regulando o metabolismo proteico quando há grande consumo deste aminoácido ou catabolismo proteico, como em inflamações, infecções ou subnutrição.

Durante o jejum, ocorre catabolismo muscular para liberação de aminoácidos que serão usados no metabolismo e para gerar energia, essa via produz amônia como metabólito, que é toxica. O organismo então aumenta a liberação da glutamina muscular, pois ela carreia a amônia para o fígado e rins, prevenindo seus efeitos deletérios. Ainda durante esse processo, a glutamina é desaminada e sua parte carbônica ainda é usada para gerar glicose, essencial para o organismo em jejum.

A glutamina é de fundamental importância para o sistema imunológico pois é fonte de energia para as células imunológicas. Estudos relacionam a disfunção imunológica de atletas com a redução da glutamina plasmática pós exercício intenso. Sugere-se que essa redução sistemática após os treinos aumenta a suscetibilidade à infeções, por prejudicar a ação das células de defesa. Esse aminoácido pode ainda modular a ação de proteínas de estresse ou de choque térmico (HSP). Quando uma célula é exposta a algum risco como calor, agentes infecciosos ou espécies reativas de oxigênio, também conhecidas como radicais livres, a ativação das HSP aumenta a capacidade da célula se proteger contra lesões e sobreviver ao desafio.

O músculo esquelético é o principal local de estoque e síntese da glutamina. Aproximadamente 80% do total de glutamina do corpo está nos músculos esqueléticos; este aminoácido corresponde a 60% do total de aminoácidos dentro das células musculares, sendo sua concentração nos músculos até 30 vezes maior que na corrente sanguínea. Mesmo em intensidade moderada, exercícios reduzem o estoque de glicogênio e elevam o metabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) dos músculos. A glutamina atua na reposição mais acelerada do glicogênio muscular, de forma que a suplementação com glutamina pode, potencialmente, melhorar o desempenho esportivo, reduzir a fadiga e acelerar a recuperação após treinos e provas.

A glutamina tem ação ampla e importante no metabolismo, atua tanto na fisiologia básica como também na proteção do animal contra infeções e durante situações clinicas, além de contribuir para o desempenho de atletas. Sua utilização na recuperação de animais em tratamento e na nutrição de atletas tem grande potencial.

Bibliografia

CRUZAT, V. F.; PETRY, É. R.; TIRAPEGUI, J. Glutamina: Aspectos bioquímicos, metabólicos, moleculares e suplementação. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 15, n. 5, p. 392–397, 2009.

FRANCISCO, T. D.; PITHON-CURI, T. C.; CURI, R.; GARCIA, J. R. J. Glutamina: metabolismo, destinos, funções e relação com o exercício físicoArquivos de Ciências da Saúde Unipar, 2002. .

PAULA, S. L. de; SANTOS, D. dos; OLIVEIRA, D. M. de. Glutamina como recurso ergogênico na prática do exercício físico. RBNE – Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 9, n. 51, p. 261–270, 2015. Disponível em: <http://www.rbne.com.br/index.php/rbne/article/view/531>.

SIMON;, L.; LIBERALI, R. Efeitos da Suplementação de glutamina no exercício físico: Revisão Sistemática. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 6, n. 33, p. 212–223, 2013.

ZAVARIZE, K. C.; MENTEN, J. F. M.; TRALDI, A. B.; SANTAROSA, J.; SILVA, C. L. S. Administration of glutamine in the nutrition of monogastric animals. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, v. 109, p. 5–10, 2010.

você pode gostar também

Pular para a barra de ferramentas