Imprinting training, doma racional de potros

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Os equinos são animais que, no processo de domesticação, passam pela fase de doma, atualmente dividida em duas vertentes: doma tradicional e doma racional. A doma tradicional consiste em ensinar os comandos para o animal por meio da violência e do cansaço, porém o ser humano observou a necessidade de adequar as condições de criação à natureza comportamental dos cavalos, surgindo os princípios de doma racional e o imprinting training (PINTO, 2013).

O imprinting é o instinto animal, após o nascimento, de seguir a mãe ou qualquer objeto que se movimente, foi descrito pela primeira vez por Konrad Lorenz, considerado o pioneiro em estudos sobre o comportamento animal. O trabalho de Lorenz demonstrou que existe um tempo restrito após o nascimento dos filhotes para que o imprinting se realize com eficácia pela mãe, ser humano ou até mesmo objetos. Na natureza, o imprinting é de suma importância, pois trata-se do reconhecimento mútuo entre os pais e a prole, fator de extrema importância caso ocorra alguma situação ameaçadora, pois os pais irão garantir a proteção do filhote (CARDOSO et al., 2001).

Na área de equinos o termo imprinting training foi desenvolvido pelo médico veterinário Robert Miller na década de 90. É uma técnica que consiste em manusear o potro desde o momento do nascimento, antes mesmo de ele dar a primeira mamada na égua, fazendo a desinfecção umbilical e o reconhecimento materno em decúbito lateral, acariciando todo o corpo do potrinho, com isso o animal entende que o ser humano não representa um perigo a ele e não desenvolve o medo (FILHO et al., 2009; HOYOS-PATIÑO, 2016).

O primeiro passo do treinamento é que o potro aceite a manipulação do ser humano, para isso, o animal deve se sentir relaxado. Inicialmente deve-se dessensibilizar todo o corpo do potrinho a partir da cabeça para as extremidades. É importante que a égua permaneça junto a cria, esta sessão de treinamento pode durar de 45 minutos a uma hora. O segundo passo é a familiarização do potro com os estímulos ambientais. O primeiro passo é repetido, e acrescenta a manipulação com um pano, bolsa plástica, escova ou almofada, para que o animal se acostume com objetos que, para ele até então são estranhos (HOYOS-PATIÑO, 2016).

Na terceira sessão coloca o cabresto e introduz comandos de voz para que o animal aprenda a ser guiado. Estas manipulações devem durar em média 30 dias, o animal deve ser acostumado com sons que farão parte de sua vida como o barulho de carros e de aplausos, caso o animal seja destinado a competições. Após os 30 dias o potro é solto e só volta para o processo de doma aos dois anos e meio, quando já tem uma formação óssea que aguenta o peso de um cavaleiro. De acordo com Miller, o potro não esquecerá essa experiência dos primeiros dias de vida, facilitando a doma quando for mais velho (PUOLLI FILHO et al., 2009; GIRARDI, 2014).

Manejar o potro nos primeiros dias de vida rende benefícios duradouros, o animal cresce entendendo que o ser humano não é uma ameaça, tornando esta relação positiva no momento da doma. Um dos problemas encontrados está relacionado com falta de pessoas capacitadas, mão de obra e tempo dos criadores para realizar o imprinting training.

   Então antes de assistir o vídeo vamos recapitular:

 

IMPRINTING é uma técnica que parte do princípio de que logo ao nascer, o potro não conhece o mundo em que vivemos, e ainda não desenvolveu seus medos e instinto de fuga. Na verdade, quem vai ensinar ao potro o instinto de sobrevivência e o instinto de fuga é a égua. Potros aprendem muito rápido imitando a mãe, repetindo cada gesto que ela faz, segundo dados esse aprendizado acontece nas duas primeiras horas de vida.

Conceito de Imprinting
Esta técnica que resume-se ao seguinte: se logo ao nascer, você pega o potro no colo, antes mesmo de ele dar a primeira mamada na égua, e começa a manuseá-lo, mexendo nas orelhas, focinho, boca, patas, alisando e passando a sua mão por todo o corpo do potro neonato, ele irá aprender que o ser humano não representa um perigo a ele, e não desenvolve o medo.
Esta técnica deve ser repetida durante 30 dias, em sessões de 15 a 20 minutos, e depois o potro pode ser solto no pasto junto com a égua para crescer e se desenvolver.
Segundo os estudos e pesquisas, todos os potros que foram submetidos a esta técnica, ao completarem 2 anos e chegarem na idade da doma, tornaram-se potros dóceis e fáceis de serem domados e ensinados, pois já não tinham o fator medo do ser humano como um complicador a ser vencido no processo da doma.

Neste vídeo o proprietário o Sr Bento do Rancho São Miguel mostra detalhadamente como se baseia o processo de Imprinting em seu Burrinho que é filho do Jumento Tenório e de uma Eguá Mangalarga Pompéia PROV.

OBS: Falar para o resposavel que faz a cura do Umbigo fazer o uso de uma Luva de Procedimento. #ficaadica

Nós da Informativo Equestre parabenizamos ao Sr Bento pelo belo vídeo demonstrativo e pelo lindo burrinho que veio a este mundo ja dócil e sem medo do ser humano.

Fonte: Doma do Cavalo.
Imagens:Rancho São Miguel
Informativo Equestre o Melhor conteúdo!

  

Texto por: Tainara Luana da Silva Soares, 7°, Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

CARDOSO, S.H.; SABBATINI, R.M.E. Aprendendo quem é a sua mãe. 2011. Disponível em: http://www.cerebromente.org.br/n14/experimento/lorenz/index-lorenz_p.html. Acesso em: 04/07/2017.

PUOLI FILHO, J.N.P.; BRANDI, R.A.; OLIVEIRA, R.A.R.; CHIQUITELLI NETO, M..; MARSON, F.L.; SOUZA, T.O. Imprinting training mito ou verdade. V Simpósio de Ciências da UNESP – Dracena. VI Encontro de Zootecnia – UNESP Dracena. Dracena, 2009.

GIRARDI, A. O encantador de cavalos. Unesp Ciência, Botucatu, 2014.

HOYOS-PATIÑO, J. F. Evaluación comparativa de laaplicacióndel imprinting en potros criollos colombianos. Fagropec-Facultad de CienciasAgropecuarias, v. 8, n. 2, p. 62-67, 2016.

PINTO, A.P.S. Criação e manejo de potros. 2013. 26f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Zootecnia)- Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2013.

SCHMIDEK, A.; OLIVEIRA, J. V.; MIGUEL, F. B. Influência da manipulação de potros ao nascimento sobre o comportamento ao cabrestear. APTA Pesquisa & Tecnologia, v. 8, n. 56, 2011.

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