Intolerância à Lactose em Potros

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Para entender como isso ocorre, primeiramente, devemos compreender que os contituintes do leite são captados da circulação sanguínea  pelas células mamárias. Nestas células, estes componentes são transformados em lactose, gordura e proteínas e armazenados nos alvéolos junto com a água. À medida que a câmara de armazenamento se enche, aumenta a pressão dos ductos, deixando assim o leite pronto para o potro. A taxa de produção é controlada por hormônios que, por sua vez, são controlados pela quantidade de leite que o potro mama.

O leite das éguas possui baixos teores de proteína, gordura e energia bruta e elevada concentração de lactose, diferenciando-se do leite da maioria das espécies domésticas. O potro mama esse leite contendo seus constituintes essenciais para sua sobrevivência nos primeiros meses de vida.

Algumas vezes, os potros mostram-se intolerantes à lactose, e isso pode ocorrer porque esse potro não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva (Lactase) que quebra e decompõe a lactose, então, o mesmo, não consegue digerir o açúcar existente no leite, causando os sintomas clínicos da enfermidade.

A lactose é um hidrato de carbono, mais especificamente um dissacarídeo, que é composto por dois monossacarídeos: a glicose e a galactose. É o único hidrato de carbono do leite e é exclusiva desse alimento, porque apenas é produzida nas glândulas mamárias dos mamíferos. Para ser absorvida, a lactose tem de ser dividida em glicose e galactose e, por isso, o organismo produz uma enzima que tem essa função – a lactase.

 

Fonte: http://www.salusnutricao.com.br/intolerancia-a-lactose/

 

Os sinais clínicos da intolerância a lactose são semelhantes aos sinais demonstrados por humanos, podendo começar 30 minutos até 2 horas depois de ingerir o leite. O sintomas mais comuns incluem diarreia intratável, cólicas e dores abdominais, flatulência e abdômen distendido. A fermentação da lactose pelas bactérias produz ácidos, o que torna as fezes mais ácidas e pode causar irritação (assaduras) na cauda e região perianal.

Imagens: Potros apresentando diarreia intratável. Fonte: http://pt.slideshare.net/amomeucavalo/diarria-em-potros

O diagnóstico é feito pelo teste de intolerância a lactose (TIL). O potro recebe em jejum uma dose padrão de lactose (Diluída em solução aquosa), que pode ser oral ou via sonda nasogástrica, e depois de algumas horas, são coletadas amostras de sangue do mesmo para análise, e, se os níveis de glicose apresentam-se alterados, o animal provavelmente é portador do distúrbio. Porém, podem ocorrer falsos positivos, por não conter a enzima digestiva em quantidade suficiente para degradação da lactose, esses açúcares se acumulam, causando uma carga de hidratos de carbono no organismo. Outros testes podem ser considerados invasivos em animais, portanto, quando um neonato ingerir leite e apresentar sintomas parecidos como esses, a melhor terapia é evitar a lactose. Como isso não é muito prático, pois o leite de éguas e leite artificial para potros órfãos contêm quantidades significativas dos nutrientes essencias e de lactose, a opção mais viável é o tratamento com lactase, podendo ser adicionada lactase dietética com o leite, e após 24 horas, introduzir esse leite ao potro, ou ainda adimistração da lactase diretamente por via oral. Em potros mais velhos o desmame precoce é a melhor opção, e a função intestinal normal e a flora serão, geralmente, restauradas rapidamente.               Apesar de ser um distúrbio não tão comum em potros, a sua importância é significativa e o Médico Veterinário qualificado deve saber diagnosticar e introduzir o tratamento rapidamente em seu paciente de forma que se mantenha a qualidade de vida e o desenvolvimento do potro.

 

Texto por: Isabella Corredor de Oliveira, graduanda do 5º ano da FESB –  Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista – SP

Revisão e Edição: Deivisson Ferreira Aguiar, Médico Veterinário.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Cavichio, Marcia W. Investigação e diagnóstico de intolerância a lactose. Revista fleury Medicina e Saúde. Publicado em 22/03/2013.

Soelet, M. M. Van Oldruitenborgh – Oosterbaan; Clinical commentary: Lactose Intolerance in foals; Equine Veterinary Education, 2008. 252-255.

Reis, Aline de Paula. Composição do leite de éguas da raça Mangalarga Marchador. Mestrado na Universidade Federal de Góias, 2007.

Pardini, Marcelo. Composição do leite equino. Disponível em: www.infohorse.com.br Acesso em: 20/02/2017.

Pinheiro, Pedro. Intolerância à lactose – Sintomas e tratamento. Disponível em: http://www.mdsaude.com/2013/08/intolerancia-a-lactose.html Acesso em: 20/02/2017.

 

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