Intoxicação por cobre em equinos

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A intoxicação por cobre é pouco comum na rotina clínica de equinos, podendo ser por pouca incidência de casos ou por não serem reportados em literatura. O cobre é um microelemento que desenvolve um papel essencial em diversas funções metabólicas no organismo, como formação de hemoglobina, elastina e colágeno, auxilia na formação do sistema imunológico, respiração celular e promove mielinização medular. Porém, quando a quantidade armazenada no organismo é superior a necessidade fisiológicas, se torna tóxico para o animal.

Os níveis tóxicos ou insuficientes de cobre podem variam muito de acordo com as espécies. Os equinos apresentam resistência em relação a quantidade de cobre presente na dieta (500 ppm/ kg de matéria seca), pôneis são mais resistentes (800 ppm/ kg de matéria seca), enquanto outros animais como os ovinos tem uma sensibilidade bem maior (15 ppm/ kg de matéria seca).

Quando presente, a intoxicação pode se apresentar de forma aguda ou crônica. Usualmente as intoxicações agudas ocorrem pela oferta de uma grande quantidade de cobre, que estão presentes em vermífugos, misturas minerais e em dietas elaboradas erroneamente, causando a liberação do cobre acumulado para a circulação e consequentemente provocando hemólise e anemia.

A intoxicação crônica se divide em duas etapas, a subclínica, na qual o fígado armazena o cobre absorvido por um período de tempo, e a clínica, que é caracterizada pelo aparecimento dos sintomas.

A etiologia da intoxicação crônica pode ser pela ingestão excessiva do cobre ou quando o animal ingere uma quantidade normal, mas o acumulo do cobre acontece em consequência de uma alimentação em pastagens pobres em molibdênio.

O cobre pode ser encontrado em pastagens, silagem ou feno, sendo que o processo de fenação aumenta a disponibilidade dele, pois ele se liga a proteínas durante o processo.

A absorção do cobre acontece no intestino delgado, sendo transportado por uma metaloproteína até o fígado, onde é conjugado a algumas moléculas para posteriormente, cair na circulação sistêmica. Se houver uma grande disponibilidade no tecido hepático, ele irá armazenar em suas células, os hepatócitos, quando a quantidade acumulada é maior do que a permitida, ocorrem lesões celulares que tornam o cobre livre dentro das células. A principal via de excreção do cobre é a bile, porem uma parte pode ser excretada via urina.

Os sintomas apresentados podem variar, porem normalmente são: dor abdominal, convulsões, paralisia, colapsos, hematúria, aborto, distrofia muscular e pode levar o animal a óbito.

O diagnóstico pode ser feito através de anamnese e histórico, hemograma, exames bioquímicos de função hepática e exames de urina.

O tratamento deve ser indicado por um médico veterinário de sua confiança.

Há uma escassa literatura disponível sobre intoxicação de cobre em equinos, dificultando assim, a identificação de possíveis casos e possibilidades de tratamento, pois os sinais clínicos dessa enfermidade são bastante parecidos com outras afecções comuns na clínica.

 

Texto por: Rafaela Pimentel, graduanda, 9° semestre, Universidade Anhembi Morumbi, Santo André –SP

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

 

Referências Bibliográficas:

 

COSTA, Thays Nascimento. Intoxicação por cobre: aspectos clínicos e laboratoriais. 2011. 23 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Medicina Veterinária, Ciência Animal da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2011

JEFFCOTT, L. B.; DAVIES, M. E.. Copper status and skeletal development in horses: still a long-way to go. Equine Veterinary Journal, [s. L.], v. 3, n. 30, p.183-185, 1998

WRENCKE, D. Cobre: etiopatogênia e tratamento. Seminário apresentado na disciplina Transtornos Metabólicos dos Animais Domésticos, Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014. 8 p

SANTARÉM, CecÍlia Laposy. Valores séricos de macro e microminerais de eqüinos da raça Puro Sangue Inglês (PSI), do nascimento aos seis meses de idade. 2004. 117 f. Tese (Doutorado) – Curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista “júlio de Mesquita Filho”,, Botucatu, 2004

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