Mionecroses em Equinos

0

As miosites necrosantes, ou mionecroses (Edema maligno) são infecções exógenas que geram necrose dos tecidos moles, associadas aos Clostridium spp. em equinos. É uma enfermidade aguda e de grande importância econômica devido às altas taxas de letalidade.

A mionecrose é causada de forma isolada por uma ou pela associação de bactérias do gênero Clostridium que são: C. septicum, C. chauvoei, C. novyi (tipo A), C. perfringens (tipo A).  São bacilos Gram-positivos, que produzem diferentes tipos de toxinas, porém todas se proliferam em ambiente com pouca oxigenação (Anaeróbios estritos). A ocorrência nos animais de produção pode estar associada ao pós-parto, tosquia, castração, feridas penetrantes, vacinação ou injeções com reutilização de agulhas, em que esses procedimentos são realizados sem cuidados assépticos necessários. Os locais mais afetados nos equinos são os membros pélvicos, pescoço e peito, pois são os locais de eleição para medicamentos intramusculares.

Ao sofrer uma lesão  (Seja por práticas cirúrgicas inadequadas ou práticas sanitárias sem a assepsia correta), o cavalo é exposto à contaminação da injúria pelos agentes, pois a lesão tecidual promove uma diminuição na concentração de oxigênio na musculatura afetada, dessa forma para o tecido produzir energia tem um aumento na concentração de ácido lático que gera diminuição do pH, essa queda do pH causa anaerobiose local, tornando o ambiente propício para a proliferação dessas bactérias que estavam na sua forma de esporos, transformando-se na sua forma vegetativa, com conseqüente produção de toxinas, que são responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

Os animais afetados apresentam evolução clínica de 24- 48 horas após a infecção pelo agente, podendo ser de até duas semanas. Clinicamente, o animal apresenta normotermia ou hipertermia (Temperatura normal ou elevada), anorexia, depressão, inchaço muscular com dor associada na maioria das vezes, prostração, toxemia, choque e morte. Quando se tem um membro acometido o animal apresenta claudicação, dificuldade de locomoção, edema gasoso, ou seja, eqüino apresenta um aumento de volume com crepitação subcutânea (“Barulho de bolhas”), essa grande quantidade de gás no subcutâneo ocorre devido a multiplicação bacteriana no local da infecção, também observa-se hemorragia no membro. Quando as alterações são intensas, a pele do animal apresenta-se tensionada com coloração avermelhada ou preta, com equimoses, e muitas vezes observa-se a delimitação da área acometida com a área sadia.

O diagnóstico, na grande maioria dos casos é baseado nos sinais clínicos do animal, porém por ser uma enfermidade de quadro agudo pode ser baseado nos dados da necropsia. Na necropsia observa-se nesses casos grande quantidade de líquido inflamatório serosanguinolento presente no tecido subcutâneo, também pode apresentar hemorragia multifocal no subcutâneo em forma de esquimoses e petéquias, com divisão das fáscias e feixes musculares devido à intensa quantidade de gás produzida pela proliferação bacteriana. O diagnóstico também pode ser realizado através de exame histopatológico como imunohistoquímica ou isolamento bacteriano (Para identificar a espécie de Clostridium spp.), imunofluorescência e PCR.

Por ser uma enfermidade de evolução aguda, o tratamento só será efetivo se for realizado no estágio inicial da doença. A melhor opção é a prevenção, como a vacinação dos animais, adoção de medidas de higienização tanto nas práticas cirúrgicas e também na aplicação de injeções, fazendo a assepsia do local de aplicação e da cirurgia, utilização de agulhas estéreis (Novas e limpas) e terapia antimicrobiana e bacteriana nos casos em que se tem perfuração.

Foto: RAYMUNDO, D.L. et al, 2010.

 

Texto por: Maria Eugênia de Andrade Schiavoni. 7º Termo, Unisalesiano de Araçatuba-SP

Revisão e Edição: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

REFERÊNCIAS

RAYMUNDO, Djeison L. et al. Mionecrose aguda por Clostridium septicum em equinos. Pesquisa Veterinária Brasileira, Porto Alegre, v.30(8), p.637-640, Ago 2010.

MACÊDO, Juliana T.S.A. et al. Edema maligno em eqüino causado por Clostridium chauvoei. Acta Scientiae veterinariae, Cruz das Almas, v. 41(Suppl.1), p.24, Out 2013.

LOBATO, Francisco C.F. et al. Clostridioses dos animais de produção. Veterinária e zootecnia, Belo Horizonte, v.20 (Edição comemorativa), p.29-48, 2013.

 

você pode gostar também

Pular para a barra de ferramentas