Obstrução Esofágica

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Também conhecida como “Choke” a obstrução esofágica é do que um bloqueio no esôfago que impede a passagem de alimentos, derivado geralmente do acúmulo de ração seca, pedaços de frutas deglutidos inteiros, pedaços de madeira e outros objetos que podem chegar até mesmo a perfurar a mucosa esofágica. O esôfago é um tubo musculomembranoso, que em equinos adultos pode variar de tamanho, entre 120 cm a 150 cm de comprimento, responsável pela condução dos alimentos, água e secreções até o estômago. A maioria das obstruções ocorrem na região cervical do esôfago e também na entrada da cavidade torácica.

A obstrução esofágica é de extrema importância e emergência, sendo necessária a intervenção clínica rápida, ou até mesmo cirúrgica. Dentre os fatores que caracterizam essa condição como uma emergência estão as consideráveis perdas hídricas e eletrolíticas, fistulas esofágicas, pneumonia por aspiração e a pressão no tecido esofágico provocado pela obstrução, podendo gerar grandes danos ao tecido.

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Desenho de equino com esôfago obstruído por acumulo de alimento na porção cervical do esôfago. Fonte: http://cdn.thehorse.com/images/cms/2012/10/2324253bb3-aaep-2011-gastrointestinal.jpg?preset=medium

 

Geralmente a obstrução esofágica é causada por impactações intraluminais, frutas, espigas de milho, acúmulo de rações granuladas, capim picado, podendo também estar relacionada à causas luminais (Quando o problema está na parede do esôfago, como úlceras e neoplasias) ou extraluminais (Quando algum fator gera compressão do lúmen do esôfago). Alguns dos fatores que contribuem para a ocorrência da obstrução são mastigação insuficiente, afecções dentárias, sedações, exaustão, jejum prolongado, recuperação anestésica.

Em alguns casos, a pressão exercida pela obstrução pode gerar lesão no tecido, formação de tecido cicatricial e até mesmo levar à perfuração no esôfago.

Imagem videoendoscópica de extensa úlcera após desobstrução do lúmen esofágico na porção torácica (setas vermelhas) MARIZ L. E. Disponível em <http://rei.biblioteca.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/1954/1/ELM03082017.pdf>.

 

Imagem videoendoscópica de massa alimentar compactada no esôfago torácico, realizando-se o procedimento de desobstrução com a pinça do tipo jacaré (seta vermelha). MARIZ L. E. Disponível em <http://rei.biblioteca.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/1954/1/ELM03082017.pdf>

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dentre os sinais clínicos da obstrução esofágica em equinos, os principais são a incapacidade de engolir alimentos ou água (Disfagia), tosse, ptialismo (Salivação excessiva), demonstração de dor na deglutição (Odinofagia), dificuldade ou impossibilidade de passagem da sonda nasogástrica. O animal também irá se apresentar ansioso, com o pescoço e a cabeça estendidos. Pode haver regurgitamento do alimento ou água através das narinas e da boca, que resultará em secreção nasal espessa e bilateral, contendo saliva e partículas de alimentos. Na tentativa de engolir, o animal pode aspirar água e/ou alimento na traquéia, o que levará à ocorrência de pneumonia por aspiração. Os sinais de pneumonia aspirativa geralmente aparecem de 24 a 48 horas após o início da obstrução esofágica e culmina com o aumento da temperatura corpórea desses animais, todavia, alguns animais podem apresentar outras complicações decorrentes da obstrução dentre elas, ruptura esofágica, desidratação e perda de peso.

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Equino apresentando secreção nasala com conteúdo alimentar. Acesse em: < https://tikktok.wordpress.com/tag/horse-choke/>

A utilização de sonda nasogástrica, assim como endoscopia e radiografia de contraste auxiliam no diagnóstico, podendo elucidar de uma vez a etiologia da obstrução. Em alguns casos, e quando existe a suspeita de comprometimento pulmonar secundário, a ultrassonografia também pode ser usada como um método complementar no diagnóstico.

A endoscopia esofágica é o exame complementar que maior permite avaliar a gravidade e determinar a natureza da obstrução, uma vez que grande parte delas leva a lesões no esôfago, além de indicar fatores de predisposição como presença de massas, divertículo ou estenose. A busca por restos de comida nos caminhos respiratórios podem ser feitos através do exame de imagem da traquéia.

Para o tratamento de obstrução esofágica, deve ser levada em conta a evolução do caso. Alguns casos agudos diagnosticados rapidamente podem ser resolvidos com sedação, já que esta fará o animal relaxar, relaxando também o esôfago, levando então a desobstrução do canal esofágico.

Nos casos em que o sedativo não foi o bastante para a resolução do problema, pode-se usar a sonda nasogástrica como força mecânica suave para desobstruir a passagem. A pressão da sonda em conjunto com a sifonagem pode ser o suficiente para que o corpo estranho chegue até a altura de estômago. Com o uso da sonda, também pode ocorrer de passar material que obstrui o canal esofágico e ao tirar a sonda, esta acabe extraindo o material resolvendo ou diminuindo o problema. A massagem externa pode servir como auxiliar para ajudar na desintegração da massa impactada, a depender da localização, extensão e tipo de obstrução.

Se as perdas salivares forem elevadas, pode ser necessária à reposição hidroeletrolítica através de fluido terapia como forma preventiva à complicações como alcalose metabólica.

É importante o acompanhamento do animal no caso de depressão e febre, pois podem ser indicativos de comprometimento pulmonar.

A capacidade de seleção de alimentos pelos equinos faz com que a maior parte dos casos de obstrução esofágica da espécie seja por alimentos. Em casos raros de obstrução por corpos estranhos indigeríveis, não é recomendado que os mesmo sejam direcionados ao estômago. Nestes casos pode ser necessária a esofagotomia para remoção, evitando que haja obstrução adiante no trato gastrintestinal. Esse procedimento, no entanto, envolve riscos relacionados à cicatrização da do esôfago e possibilidade de infecção.

Após a resolução do caso, é sempre indicada a avaliação da mucosa esofágica via endoscopia. A presença de ferimentos na mucosa deve ser levada em consideração nas futuras refeições do animal. A extensão e gravidade da afecção determinará o tipo de alimento e o período necessário para que o animal volte a se alimentar por via oral. Dessa forma, após a resolução do caso, pode ser necessário que o animal seja nutrido por via endovenosa.

Em casos mais graves ou que não tiveram intervenção precoce, as úlceras no esôfago podem vir a ser um problema maior que a obstrução em si. Na cicatrização dessa lesão extensa e/ou profunda pode-se observar o desenvolvimento de estenose ou até obstrução do lúmen, levando à obstrução crônica. Dessa forma, a detecção precoce da obstrução é importante para que essa obstrução secundária não ocorra.

Geralmente, com o tratamento e o gerenciamento adequado da dieta pode-se reduzir os riscos para o animal e favorecer a prevenção de futuros casos de obstrução.

Texto por:

Jessica Caroline Alves Constantino, 6º período, Unisalesiano Araçatuba.

Karina Flausino, 6º período, Universidade Anhembi Morumbi.

Marcela Spinelli Flores de Tulio, 8º período, Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP.

Priscila Lessa Andrade, 10º período de medicina veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ.

Wayllba Assunção Barcelos, 7º Período, UEMA.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

REFERÊNCIAS

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