Ocorrência de camulorrhinus lateralis em muar

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INTRODUÇÃO
Nariz torto, Wry Nose ou campylorrhinus lateralis, é uma deformidade congênita descrita na odontologia equina e constitui uma deformidade crânio facial que compromete estruturas da face, tendo como  resultado diferentes graus de desvio lateral da face rostral (pré-maxilar e mandibular) para o lado displásicos3.

Casos leves não sofrem efeitos adversos, no entanto, casos graves tem desvio de septo nasal e oclusão nasal. A reconstrução facial pode ser realizada em casos mais leves, casos graves com obstrução nasal, são geralmente eutanasiados em uma idade precoce. Os desvios maxilares rostrais são associados ao desvio do septo nasal, e constituem deformidades congênitas no cavalo. Não existem evidências de que o nariz torto é de causa hereditária ou  de mal posicionamento uterino, porém atribui-se Camulorrhinus de nariz em potros às distocias, deformidades do pescoço, e ocasionalmente, dos membros3.

Um potro com o nariz torto terá o maxilar superior e o nariz desviado ou posicionado para um lado. Um desvio de septo nasal também costuma estar presente, o que resulta na obstrução das vias respiratórias e dificuldade respiratória2. Esta é a maior preocupação funcional com o nariz torto. Normalmente haverá má oclusão dentária, sendo que em casos leves pode ocorrer resolução clínica espontânea com o tempo,porém em casos de desvios mais graves há a necessidade de correções cirúrgicas.

Radiografias da cabeça vão ajudar o médico veterinário avaliar a gravidade e recomendar opções de tratamento. A correção cirúrgica é geralmente realizada em múltiplos estágios. Este tipo de cirurgia reconstrutiva é oneroso e requer cuidados posteriores significativos. 1.

Em casos de nariz torto  leves ou moderados, o animal não apresenta disfunções alimentares ou respiraratórias. Sua mandíbula é funcional e seu maxilar superior se desvia para a esquerda e a língua para o direito sendo caso típico de Camulorrhinus lateralis1.          O presente relato de caso tem como objetivo registrar a ocorrência de Camulorrhinus lateralis em mula de 30 dias de vida.

Relato de Caso

Uma égua com 12 anos de idade multipará, teve como produto do acasalamento com um asinino de nove anos de idade, uma mula com deformidade facial esquerda e projeção da lingua para fora da cavidade bucal do lado direito (Figuras 01 e 02). Em toda literatura consultada, não há nenhum registro dessa deformação facial em Mula, ocorrendo sim, alguns registros em equinos no Brasil6.

A avaliação semiológica revelou pela inspeção desvio lateral esquerdo e projeção da língua para a direita, bem como lábio superior fendido, caracterizando um caso de lábio leporino e a fenda palatina bem pronunciada4.

Devido a dificuldade de sucção, desidratação acentuada, o animal veio a óbito transcorridos 60 dias de vida, uma vez que, não conseguia alimentar-se perfeitamente  na teta em virtude da mesma fugir de sua boca após as primeiras mamadas. (Figuras 03 e 04).

 

Figura 01- Animal com desvio da língua
Fígura 02 – Animal com desvio do maxilar

 

Figura 03- Animal Mamando.
Figura 04 –Animal em busca da teta.
Discussão

Em toda literatura consultada nacional e internacional, não foi registrado nenhuma ocorrência na espécie, sendo portanyo, o primeiro caso de camulorrhinus lateralis em mula. Caso clinicamente identificado pela fenda palatina combinada com o Wry nose5.

Pela profundidade do palato e fenda palatina pode o mesmo ser registrado como caso grave, em virtude das dificuldades de sucção e manutenção da vida do animal.

Conclusão

O camulorrhinus lateralis é uma alteração congênita que ocorre nos ossos da cabeça, sendo caracteriza pela displasia unilateral da face, do comprometimento das regiões buco-maxilo-facial, podendo causar obstrução das vias aéreas superiores.

A eutanásia pode ser realizada devido à inviabilidade dos custos cirúrgicos para correção, podendo ainda apresentar debilidade orgânica, alterações mastigatórias, respiratórias e disfagias.

 

Autores:

Manoel de Oliveira Dantas1, Wandersom Marques Gomes2, Ronilso de Sousa da Silva2, Cássio Rodrigues Vargas2, Jonas José da Silva Neto2, Dourival Sipião da Silva Júnior2; Josivaldo Silva Motta3.

1) Professor da UEMA e Pesquisador da Fapema. escritorio_imperatriz@fapema.br

2) Acadêmicos do Curso de Medicina Veterinária do CESI-UEMA.

3) Professor de Clínica Cirúrgica CESI/UEMA.

 

Local do Trabalho: UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

O presente trabalho registra a ocorrência de camulorrhinus lateralis em uma mula de 30 dias de vida, atendida na fazenda São Cristovão, municipio de Tocantins. A mula foi gerada a partir do acasalamento de uma égua com um asinino que em parto normal teve esse animal com alteração facial esquerda e projeção da língua para o lado direito. Transcorrido 60 dias a mesma veio a óbito em virtude das dificuldades de alimentação e sucção do leite materno.

Referências

  • ALLEN,T. Manual of Equine Dentistry, Mosby, 1ªed.,p.71,2003
  • BAKER, G. J.;EASLEY,J. Equine Elsevier Saunders,2ªed.,p260-261,2005
  • EASLEY,J.A Review of Equine Dentistry: The First Year of Life, Proceedings of the American Association of Equine Practitioners – Focus Meeting,2008.
  • PALMER, J.E., et al. Respiratory problems of the neonate (part1).Proceedings of 11thGeneva Congress on Equine Medicine and Surgery, p120-212,2009.
  • PENSE, P. Equine Dentistry: a pratical guide. 3ªed. Lippincolt Willians & Wilkins, p.115, 2002.
  • SIQUEIRA, CÂNDIDA CONRADO et al..Wry Nose em equinos recém nascidos: Relato de três casos no Brasil.Revista Brasileira de Medicina Equina.ano 6 nº33 –Janeiro/Fevereiro.p 28-31,2011.

Post Autorizado pela Revista +Equina retirado da Edição 45° Janeiro/Fevereiro 2013

 

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