Organização social dos equídeos

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Os equídeos se organizam em diversos tipos de grupos sociais e a atividade sexual dos machos tem sua relevância.

Esse tipo de organização apresenta algumas vantagens e outras desvantagens a seguir:

  • Vantagens:
    • Visão: busca de alimento e predadores – tornando a busca áreas para alimentação mais eficiente e a segurança do grupo maior por se tratar de muitos olhos para desempenhar estas atividades.
    • Confundimento e defesa contra predador – com um número grande de indivíduos eles podem, num ataque por predadores, correr em direções contrárias ou ainda fazer um grupo coeso onde todos os indivíduos se protegem.
    • Proteção do material genético – como no grupo apenas um garanhão cobre todas as éguas e suas filhas são estimuladas a deixar o grupo em período adequado.
  • Desvantagens:
    • Risco para cria num estouro de manada – as crias podem ser pisoteadas
    • Competição por recursos limitados
    • Disseminação de doenças infecciosas

Estrutura social:

  • Um garanhão como coordenador
    • Se mantém “velando” o pastoreio das fêmeas da manada, atento a qualquer predador ou concorrente pelo harém
  • Uma égua como líder
    • Égua velha à frente da manada por conhecer os perigos e a localização das pastagens mais nutritivas e abundantes
  • Um controlador de uma atividade
    • Tem a função de evitar que movimento ou ação de um indivíduos levem risco ao grupo, uma vez que os cavalos tendem a imitar atitudes.

Podemos destacar  também o tipo de comportamento que se divide em territorialista ou controlador dos indivíduos do grupo

Os garanhões Defendem mais indivíduos que território controlando o acesso ao harém, se preocupando mais com o que “é” com o “por onde está”

Desta forma podemos indicar o pensamento do garanhão:  “não importa onde esteja, estas são minhas éguas, mantenha distância”. O jumento podemos classifica-lo com territorialista e sua conduta é compatível com o pensamento: “este é meu pedaço, portanto vá se embora”.

Se houver invasão (do espaço ou do harém) as etapas do confronto será:

  • O dono cumprimenta bem de perto com um bufo estridente e com a musculatura toda contraída
  • Se não intimidar o invasor: eles se medirão e cada um irá liberar um monte de esterco
  • Começarão a relinchar e urrar e tentarão empurrar o outro para fora do território
  • Início da agressão física (muito violento)
  • Vencedor fica com tudo

Existe duas organizações distintas de grupos onde:

– harém com onde existe um número de no máximo 20 indivíduos, éguas mais velhas à frente conduzindo o rebanho, com um garanhão dominante na retaguarda controlando e/ou afugentando os indivíduos que se aproximam

– grupo de garanhões jovens que tentam acasalar com éguas de algum harém, e que desafiam os garanhões dominantes.

 

Conduta sexual de cavalos e jumentos

A domesticação e a seleção modificaram boa parte do comportamento fisiológico normal do equídeo, de forma a facilitar, para o ser humano, seu manejo. Desta forma já podemos imaginar a confusão que nós causamos por não respeitarmos os grupos sociais e  suas particularidades. Adotando a conduta doméstica, modificamos radicalmente o estado reprodutivo dos equídeos reduzindo desta forma a fertilidade e natalidade destes animais quando comparados com os de vida livre (na natureza).

Na natureza os garanhões apresentam dois comportamentos principais:

– mantém seu harém junto e protegido;

– identificação de éguas em estro, corte e acasalamento.

No harém, conforme vimos anteriormente a égua mais velha vai a frente e o garanhão segue atrás conduzindo o grupo (como timoneiro) e garantindo que nenhuma égua escape do grupo, levadas por outros garanhões. Eles seguem conduzindo trotando ou galopando atrás do grupo ou ladeando os indivíduos desgarrados do grupo, mostrando sua irritação abaixando e levantando a cabeça e murchando as orelhas para junto da nuca. Apenas ocasionalmente ocorrem lutas, antes o garanhão sinaliza, se exibindo e provocando seu adversário, sapateando e ameaçando. Pois a agressão envolve riscos de ferimentos mesmo que seja o vencedor da disputa, desta forma os indivíduos que conseguem desenvolver alternativas aos conflitos físicos são superiores e conseguem se reproduzir e desta forma perpetuar sem gen. Isso inclui marcar bem seu território e saber ler o adversário, ter noção da sua condição física, saber se impor e sobretudo saber quando se retirar da disputa. Tudo isso pode durar muito tempo enquanto o embate físico dura segundos.

Para marcar o território o garanhão utiliza urina e fezes, e ele consegue distinguir a urina e as fezes dos outros membros do harém. Na sua ausência isso é usado como meio de comunicação, um aviso aos invasores, evitando embates físicos. Este tipo de marcação sinaliza com sinais químicos que existe um garanhão na área e de dependendo da quantidade e frescor que esteve ali recentemente.

Se o rebanho não está migrando montes de fezes se acumulam em locais estratégicos para mostrar aos possíveis invasores do território que ali “tem dono”.

Devido as condições de cativeiro é inseguro manter garanhões juntos, porém na vida selvagens é normal encontrarmos grupos de garanhões solteiros. Esses também brigam e podem se matar na ocasião das disputas por haréns. Mas isso não ocorre com frequência e da mesma forma que com os garanhões que protege seus haréns, os solteiros avaliam os riscos e a escala de ameaças também é utilizada. Em cativeiro o comportamento agressivo só ocorre em ocasiões de disputa por fêmea ou por má conduta, em geral adquirida.

Cortejo

Quando um garanhão percebe que uma das éguas de seu harém está próxima ao estro, este começa a prestar mais atenção e a fazer investidas, mordiscando sua traseira. Até entrar em estro ela não permite este comportamento e se esquiva ou escoiceia, repelindo a atitude, porém ao entrar em estro em resposta a investida do garanhão ela para, permitindo que ele mordisque seu corpo até o pescoço. Seguindo para a região perineal onde cheira e em resposta a qualquer eliminação de líquidos corporais ele faz o flehmen. O garanhão também saltita e empurra a égua, aumentando gradativamente a intensidade.

Em resposta a égua em estro everte o clitóris, lateraliza a cauda e urina. O garanhão “testa” a égua expondo o pênis e montando algumas vezes, inicialmente pela lateral do seu corpo. Após as invertidas exploratórias o garanhão terá a certeza de sua aceitação pela égua, ele faz a exposição do pênis em ereção e efetua a monta com penetração. Na cópula que é rápida o garanhão pode morder a crina e/ou pescoço da égua e a ejaculação pode ser presumida pelos movimentos de abaixar e levantar da cauda, abaixa a cabeça e relaxa os músculos da face. Na vida selvagem o garanhão estará disposto a cobrir outra égua em 10 minutos.

Os jumentos se comportam bem diferentes, e é necessário que conheçamos seu comportamento para evitarmos problemas de manejo na propriedade ou descartes de animais bons por erro de interpretação de seu comportamento natural.

Apesar de pertencer a mesma família do cavalos (Equus caballus) os asininos (Equus asinus) apesentam comportamento reprodutivo bem diferentes. Enquanto os cavalos protegem as éguas do seu harém os jumentos se preocupam muito mais com seu território, que pode variar de um raio de 2km a 50km. O jumento vive solitário, em geral no centro deste território, sendo permitido às  jumentas o deslocamento entre os territórios.

Para atrair as fêmeas em estro, principalmente àquelas distantes do seu campo visual o jumento utiliza a vocalização, como principal ferramenta. As jumentas zurram em resposta, como que pedindo autorização para aproximação, que é concedida com outro zurro. Daí se inicia a corte, com abordagem frontal, onde haverá o contato visual e o contato físico nasonasal, seguindo com mordiscadas  da região de pescoço até a região posterior. Ele faz o reflexo de flehmen e monta diversas vezes sem exposição peniana, para testar a receptividade da fêmea. Intercalando momentos de cortejo e outros de desinteresse (descansa, pasteja, se espoja…). Todo esse processo pode durar muitos minutos ou horas, até o momento da cobertura, quando ele se afasta abruptamente por cerca de 40m, exterioriza o pênis algumas vezes, se aproxima novamente, nova corte, novo afastamento e aí sim uma exposição peniana com ereção e o jumento está pronto para cobrir. Esses conhecimentos são de suma importância para o manejo destes animais na propriedade, para que não haja uma interpretação errônea do seu comportamento reprodutivo ou de sua libido…

 

 

 

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