OTOHEMATOMA EM EQUINO

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As doenças auriculares em animais de produção têm interesse e ocorrência limitados na literatura, existem três categorias mais abrangidas: os defeitos auditivos, a otite média e a otite externa. Os distúrbios da audição também ocorrem em animais, mas os episódios presentes na literatura médica são do modelo de surdez humana. A crescente disponibilidade de equipamentos para avaliação da audição pode, no entanto, ver o ressurgimento do interesse nas doenças auriculares dos animais. Apenas a otite média recebe, regularmente, durante o exame macroscópico na necropsia, maior atenção em grandes animais.

O otohematoma é uma patologia que envolve o pavilhão auricular e o local mais acometido é a parte côncava da orelha. A lesão está associada ao trauma, como consequência à movimentação excessiva, contínua e vigorosa da cabeça, devido a inflamações, parasitas, alergias e corpos estranhos. Cães e porcos possuem orelhas pendulares e são particularmente propensos à enfermidade nesta região, mas outros animais, ocasionalmente, são afetados. O hematoma é normalmente limitado pela cartilagem, sugerindo que fissura desta, seja fonte causadora.

Equino apresentando otohematoma no pavilhão auricular direito. Fonte: Blog de Vicente Peña.
Equino apresentando otohematoma no pavilhão auricular direito. Fonte: Blog de Vicente Peña.

 

Inicialmente as lesões são flutuantes, mas tornam-se firmes à medida que o hematoma (Ou seroma contaminado pelo sangue) se organiza. Como é convertido em tecido de granulação por crescimento fibroblástico e capilar, as lesões tornam-se intensas, a contração fibroblástica subsequente pode resultar em desfiguração do pavilhão auricular, haja vista que sua localização sobre dano inicial não está clara na literatura. As oscilações violentas da cabeça e/ou prurido acabam aumentando a pressão, causando separação da cartilagem e recomeçando a hemorragia.

Sem o tratamento correto instituído pelo médico veterinário, pode ocorrer a fibrose e a contração ocasionando espessamento e deformação da orelha. Podem ser instituídos tratamentos clínicos e cirúrgicos, dependendo da gravidade dos sinais clínicos. Embora a cronicidade do hematoma deve ser levada em consideração, os objetivos terapêuticos devem identificar e tratar a origem da irritação, estabelecer drenagem, manter a aposição do tecido e prevenir a recorrência. As opções minimamente invasivas incluem somente a aspiração por agulha, ou ainda a aspiração por agulha seguida de deposição local de corticosteroides.

http://cdn.thehorse.com/images/cms/2017/05/otohematoma-in-foal.jpg?preset=medium
Fonte: The Horse.

O otohematoma se não tratado pode causar necrose, inflamação crônica e deformação do pavilhão auricular. Fonte: The Horse.

A drenagem por agulhas é uma técnica utilizada para restaurar a aposição dos tecidos e só deve ser empregada quando os sinais clínicos são recentes, com no máximo um dia de curso. O conteúdo do hematoma deve ser removido de maneira asséptica. Devido a ocorrência de recidiva é recomendado o uso da bandagem compressiva. O uso de bandagens pode ser realizado no tratamento, com o principal objetivo de proteger a orelha do auto traumatismo e manter os tecidos em aposição e livre de contaminações.

Em hematomas recentes pode-se utilizar uma cânula mamária descartável de auto retenção. A cânula é posicionada assepticamente através de uma pequena incisão em uma região ventral do hematoma, próxima à margem da orelha, permitindo a drenagem.

Os métodos de drenagem aberta incluem incisão cirúrgica e colocação de um dreno de Penrose, em conjunto com o uso corticosteroides sistêmicos, uma cânula descartável ou em combinação com várias técnicas de sutura para eliminar o espaço morto dentro do pavilhão auricular. As técnicas incisivas envolvem múltiplos orifícios de perfuração de biópsia, uma incisão linear, uma incisão em forma de S projetada para minimizar a contratura longitudinal do ouvido e a excisão de uma pequena tira de pele para criar um defeito para melhorar a drenagem. As técnicas são descritas para aliviar a tensão da sutura usando stents e filme radiográfico.

What is Equine Otohematoma?
Fonte: The Horse.

Incisões cirúrgicas verticais sobre a superfície côncava da orelha auxilia a eliminação dos coágulos de fibrina.

Em relação aos stents, estes podem estar associados à infecção e à necrose do ouvido. Alternativamente, um dreno fechado e habitável pode ser usado. Procedimentos adicionais usando um laser de dióxido de carbono e enzimas proteolíticas locais como um tratamento adjunto são descritos.

O uso de stents é mais comumente descrito nos procedimentos recorrentes de hematoma em comparação com os tratamentos cirúrgicos iniciais, provavelmente refletindo a preferência de diferentes veterinários que já haviam tentado drenagem de agulhas ou manejo conservador, ao invés de modificação da técnica cirúrgica por aqueles que já haviam realizado cirurgia. Os stents destinam-se a evitar que as suturas cortem a pele, mas podem levar a necrose de pressão do tecido subjacente. A tensão cuidadosa das suturas deve prevenir lesões iatrogênicas.

O tratamento dos animais afetados depende principalmente do histórico do paciente e dos achados do exame clínico. Para a resolução desta afecção, a avaliação de um médico veterinário é imprescindível para a decisão da melhor terapêutica, dependendo dos sinais clínicos apresentados pelo animal. Os objetivos comuns para a resolução do otohematoma envolvem: tratar a fonte de irritação, estabelecer a drenagem, manter a aposição tissular e prevenir recidiva. Os procedimentos médico e cirúrgico oferecem resultados estéticos bons a excelentes, e o tratamento cirúrgico é considerado mais favorável à prevenir a recorrência.

Texto por:

Artur Antero S. Amorim – 10º período – Universidade Federal de Goiás.

Laisa Sincero Rabelo de Oliveira Raniero – 4° ano – Uningá.

Lucas Eduardo Soares – 2º período – UFG.

Maíra Munaretto Copetti – Residente Clínica e cirurgia de grandes animais – R1 – UFRGS

Marília Gabriela de Mendonça Silva – 2º período – Unibra.

Mayara de Mello Lima – 8º período – Universidade Anhembi Morumbi.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

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