Placentite em Éguas

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A inflamação da placenta é conhecida como placentite, e é um fator que está relacionado aos abortos, natimortos e partos prematuros (KELLEMAN et al, 2000); representando cerca de 10 a 30% das perdas gestacionais das éguas, principalmente nos últimos 60 dias de gestação (SERTICH, 2000).

A placenta equina é constituída por alantoamnion, alantocorion e pelo cordão umbilical e possui duas grandes funções: Proteção e regulação do ambiente fetal através da absorção e excreção de nutrientes (Trocas realizadas entre a mãe e o feto).  Promove a proteção mecânica do feto e age na síntese de hormônios e metabolismo, permitindo que haja o depósito dos resíduos fetais (ASBURY & LEBLANC, 1993; DAVIES MOREL, 2003).

A placentite pode ser classificada de acordo com sua forma de distribuição, podendo ser difusa ou focal (SERTICH, 2000). Pode ocorrer infecção via cérvix (Sendo a causa mais comum, onde ocorre uma infecção ascendente até o envolvimento da membrana corioalantoide), via sistêmica ou até por infecções uterinas crônicas (KELLEMAN et al, 2000; SCHWEIZER, 2001).

Quando ocorre o comprometimento da integridade da  barreira cervical, á égua torna-se predisposta ao desenvolvimento da placentite. Dentre as causas, pode-se citar: traumas cervicais, irritações crônicas e contaminação bacteriana ou fúngica (decorrente de pneumovagina, urovagina ou pequenas fístulas reto-vaginais, que promovem a contaminação devido relaxamento e abertura da cérvix).

A placentite pode ser associada à perdas econômicas devido à precipitações de partos, pois é uma afecção que pode resultar em asfixia fetal e infecção. A infecção pode gerar a ruptura da unidade fetoplacentária e insuficiência placentária; o aborto também pode ocorrer por septicemia ou  devido á hipermotilidade endomentrial resultante da inflamação (TROEDSSON , 2000).

Os principais microorganismos isolados na placentite, são: Streptococus sp., Escherichia coli e Staphylococcus sp.

Os sinais clínicos mais comuns são o relaxamento cervical, lactação precoce , desenvolvimento mamário prematuro e até descarga vaginal (VAALA, 2000); porém, os abortos também podem ocorrer sem que haja  apresentação de algum sinal clínico.

Ao examinar a membrana corioalatoide pode-se observar a presença de exsudato e espessamento da área próxima a cervix (KELLEMAN et al, 2000).

O diagnóstico da placentite em quase toda a sua totalidade é feito quando a patologia já está bem definida, levando à um prognóstico desfavorável. O uso da ultrassonografia permite monitorar as mudanças fetais e placentárias das éguas (MACPHERSON, 2006).

O uso da ultrassonografia transabdominal permite avaliar a viabilidade do feto, a placenta e qualidade do fluido alantoide. Porém, no exame transabdominal não é possível a visualização da porção placentária que  esta em intimo contato com a cérvix, sendo a porção mais acometida quando há a ocorrência de infecção ascendente.  O exame ultrassonográfico transretal é o mais utilizado pois permite a visualização de toda a porção distal da placenta, proporcionando a detecção precoce de inflamações (RENAUDIN et al, 1997). Desta forma, conclui-se que a ultrassonografia transretal possui maior valor clinico para determinar a espessura útero placentária.

O aumento da espessura (maior que 20mm) do útero e a separação útero placentária  são considerados processos anormais. Qualquer separação na unidade feto-placentária deve ser monitorada através de frequentes exames ultrassonográficos, pois indicam um prognostico desfavorável  (REEF, 1998). A Ultrassonografia é um exame que deve ser realizado minuciosamente, pois as éguas que estão acometidas por placentite e não apresentam sinais clínicos também podem apresentar alterações sutis ao exame (MACPHERSON, 2006).

O diagnóstico definitivo de placentite é relizado através de um exame histopatológico do alantocorion ou do feto proveniente de aborto e de cultura do material (SERTICH, 2000).

O reconhecimento precoce da placentite permite o conhecimento dos sinais de sofrimento fetal e possíveis patologias neonatais que possam ocorrer devido principalmente a hipóxia. Portanto, sugere-se que seja realizado um acompanhamento da gestação das éguas com mais de cinco meses de gestação á fim de detectar alterações placentárias.

 

Texto por: Crícia Alves Gutjahr, 5 º ano da Universidade Estadual do Norte do Paraná – PR.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário CRMV ES 1569

 

REFERÊNCIAS

ASBURY, A.C.; LEBLANC, M.M. The placenta. Equine reproduction. Cap. 60, p.509-516, 1993.

DAVIS MOREL, M.C.G. The reproductive anatomy of the mare. Equine reproduction physiology, breeding and stud management. 2ed., Cambridge , CABI Publishing , 2003, cap.1, p. 1-15.

KELLEMAN, A.A.; LESTER, G.D.; LEBLANC, M.M. Ultrasonografic evaluation of a model of induced ascending placentitis im late gestation in the pony mare. Proceedings of the Equine Symposium and Annual Conference of Society  for Theriogenology. Texas. p.279-291, 2000.

MACPHERSON, M.L. Diagnosis and treatment of equine placentitis. Vet. Clin. Equine. v.22, p.763-776, 2006.

REEF, V.B. Equine Diagnostic Ultrasouond. p.422-443, 1998.

RENAUDIN, C.D. et al. Ultrasonographic evaluation of the  equine placenta by transrectal and transabdominal  approach in the normal pregnant mare. Theriogenology. v.47, n.2, p.559-673, 19997).

SERTICH, P.L. Placentitis in mare. Proceedings of the Equine Symposium and Annual Conference of Society  for Theriogenology. Texas. p.285-291,2000.

SCHWEIZER, C.M. High risk pregnancys: part 2 (Abortion).The blood horse, p.1982-1983, 2001.

TROEDSSON, M.H.T. Placental monitoring. . Proceedings of the Equine Symposium and Annual Conference of Society  for Theriogenology. Texas. p. 45-49, 2000.

VAALA,W. How to estabilize a critical foal prior to and during referral. . Proceedings of the 46° Annual Convention of AAEP. Texas. v.46, p.182-187, 2000.

 

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