Pleuropneumonia em Equinos

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A pleuropneumonia é uma enfermidade caracterizada pela inflamação do parênquima pulmonar associada à inflamação da pleura. Essa afecção é uma importante fonte de perdas econômicas, sendo responsável pela queda no desempenho dos animais afetados, principalmente em equinos atletas.

Em geral, a pneumonia é uma das principais causas da pleuropneumonia, podendo ter origem infecciosa, imunomediada, inalatória, corpos estranhos, iatrogênica (Como por exemplo, intubação pulmonar ou sondagem nasogástrica) e traumas traqueais ou torácicos. Ainda como fatores que favorecem o desenvolvimento da pneumonia, e consequente pleuropneumonia, pode-se citar o estresse em que os cavalos atletas estão submetidos, tais como, viagens prolongadas, cirurgias, treinamentos intensos, e também o uso indiscrimidado de corticosteroides.

A resposta inflamatória resulta na formação de exsudatos, os quais se acumulam no espaço pleural. Esse conteúdo pode ser de grande volume, rico em neutrófilos, bactérias e restos celulares, levando à expansão pulmonar deficiente e podendo culminar em abscedação.

Desenvolve-se, então, um estágio denominado estágio de organização, onde ocorre o aparecimento de fibroblastos originados da superfície das pleuras parietal e visceral, os quais produzem uma membrana sem elasticidade que envolve o pulmão.

Na anamnese, geralmente é relatado que os animais foram transportados por longos períodos, passaram por situações estressantes, entraram em contato com outros animais e permaneceram em lugares com pouca ventilação. Rotineiramente, são equinos em treinamento, com histórico de aumento na exigência de trabalho e/ou que passaram por uma competição recente com alto grau de estresse.

Foto 1: Secreção Nasal em animal com pleuropneumonia Fonte: ranchoclark.com.br/2015/09/bem-estar-dos-cavalos-durante-o-transporte/

Os sinais clínicos nos animais acometidos se modificam com o agravamento da doença e podem definir o diagnóstico. Entre os sinais estão, febre, depressão, fraqueza muscular, alterações respiratórias como secreção nasal espessa e purulenta, as vezes com presença de sangue, tosse, respiração ofegante e frequência cardíaca elevada. Mucosas cianóticas, existência de linfadenopatia e edema facial, torácico ou nos membros, odores fétidos associados à respiração e perda de peso.

O diagnóstico é baseado na anamnese, observações dos sinais clínicos e realização do exame clínico. Auscultação, percussão, ultrassonografia e toracocentese são os meios comumente utilizados para obtenção do diagnóstico. Posteriormente, com a obtenção de amostra do liquido pleural, pode ser realizado exame citológico e cultura. O diagnóstico diferencial, inclui doenças que, assim como a pleuropneumonia

causam angústia respiratória e efusão pleural, como hérnia diafragmática, insuficiência cardíaca congestiva, perfuração esofágica, neoplasia intratorácica, entre outras enfermidades.

Com a identificação precoce da doença, o prognóstico é favorável, entretanto a longa duração do tratamento eleva o custo, limitando muitas vezes o sucesso do resultado final, sendo assim, tem-se como consequência uma decisão mais baseada no campo econômico do que no clínico.

O tratamento consiste no uso de terapia antimicrobiana de amplo espectro, remoção do liquido pleural infectado e dos restos celulares, correção do desequilíbrio eletrolítico e prevenção da laminite. A terapia antimicrobiana geralmente é iniciada antes mesmo do resultado final do diagnóstico, com intuito de evitar o agravamento da doença. O uso de antiinflamatórios, fluidoterapia, dieta adequada, também estão incluídos como parte da terapia.

 

Foto 2: Lavagem Pleural (PIOTTO, 2007)

Os animais mais debilitados ou imunossuprimidos são os mais afetados com a pleuropneumonia, podendo ser secundária às doenças infecciosas pulmonares, como influenza equina e pneumonias bacterianas. É uma doença relacionada a animais jovens que tenham passado por fatores estressantes como transporte em condições inapropriadas, e por tempo prolongado, sendo estes, fatores que devem sempre ser considerados no histórico e diagnóstico. O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para o sucesso.

 

 

Texto por:

Diego Duarte Varela, 5ª fase, UFSC, Curitibanos.

Carolina Rogerio Panossian, 6º semestre, Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo. Daniela Copetti Cezar dos Santos, Zootecnista, Mestre em Produção animal no Cerrado/Pantanal (UEMS), pós-graduanda em Gestão de agronegócios (UNIPAR), Campo Grande- MS.

Taynah Torres Oliveira, 8º semestre, Universidade de Cuiabá, Cuiabá – MT.

Fernanda Feliciano Faria, 10º semestre, Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR.

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar,Technical Supervisor at Informativo Equestre, Vet Tech Rood & Riddle Equine Hospital – Lexington – KY/USA +1 (513) 510-0956 

Referências

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