Pneumonia por Rhodococcus Equi

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Pneumonia por Rhodococcus equi

As enfermidades respiratórias causam grandes prejuízos às atividades equestres no Brasil e no mundo, reduzindo o desempenho dos animais e elevando os gastos com os animais. Dentre as enfermidades respiratórias, a Rodococose é causada pela bactéria Rhodococcus equi e culmina com alta taxa de morbidade e mortalidade em potros até o sexto mês de vida.

O Rhodococcus equi é um cocobacilo gram positivo capsulado, aeróbio obrigatório, que pode causar uma broncopneumonia piogranulomatosa, enterite ulcerativa e linfadenite mesentérica em potros. É um dos patógenos mais importantes na medicina veterinária, por apresentar alto índice de morbidade e mortalidade quando acomete neonatos. Dentre as características da bactéria, destaca-se a ampla capacidade de adaptação em diversos ambientes, como no solo e organismo dos mamíferos, e se multiplicarem facilmente em solos que recebem esterco desses animais. Além disso, R. equi possui grande resistência no ambiente, mesmo sem formar esporos, podendo sobreviver até 12 meses, quando exposto à condições extremas de temperatura e pH, sendo que a infecção é mais comum em regiões com clima quente.

Potros infectados são a principal fonte de infecção em fazendas com histórico da doença, pois disseminam grandes quantidades de R. equi virulento em suas fezes até a sétima semana de vida.

A suscetibilidade dos potros ao R. equi relaciona-se a uma combinação de fatores que incluem desafio respiratório intenso, anticorpos derivados da mãe em declínio e ausência de mecanismos competentes imunocelulares. A infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas de poeira contaminadas com bactéria, apesar de o trato alimentar ou a pele lesada também servirem de porta de entrada. A alta concentração de cepas virulentas de R. equi encontradas no ar e exaladas pelos potros doentes sugerem que a transmissão entre os potros seja direta. Normalmente os potros são infectados nos seus primeiros dias de vida, podendo apresentar alguns sinais clínicos ao redor da quinta semana de vida.

A manifestação inicial da doença é uma infecção inaparente com ou sem alterações respiratórias, porem, com o desenvolvimento dos abcessos pulmonares, os potros podem apresentar um aumento progressivo na frequência respiratória e dispneia, e a doença na sua forma mais severa caracteriza-se pela presença de hipertermia, taquipneia e depressão, podendo ou não tem tosse e descarga nasal associada. Com a progressão do quadro clínico, os animais tendem a apresentar anorexia, decúbito, respiração abdominal e cianose. Diarreia severa acompanhada de tiflocolite ulcerativa pode ser observada em animais que ingeriram grande quantidade de fezes contendo o agente.

O diagnóstico geralmente se baseia em cultura positiva, lavado traqueal, coloração de Gram, citologia e presença de achados clínicos e radiográficos.

A auscultação pulmonar dos animais acometidos por R. equi pode variar consideravelmente entre sibilos ou estertores expiratórios. Os sons pulmonares podem estar diminuídos em áreas de consolidação severa, formação extensiva de abscesso ou efusão pleural.

A identificação precoce da pneumonia com isolamento e terapia dos potros infectados reduz perdas e evita a disseminação de microrganismos virulentos. O tratamento padrão envolve o uso de uma associação de antibióticos específicos e terapia suporte com fluidoterapia por via intravenosa para os potros desidratados. Os potros com desconforto respiratório serão beneficiados pela insuflação nasal de oxigênio. O soro hiperimune pode também auxiliar no tratamento dos potros acometidos.

Os potros ficam em risco da doença quando expostos a grandes números de microrganismos concomitantemente com a ausência de anticorpo protetor ou imunossupressão, portanto, condições que provocam estresse devem ser evitadas, como: superpopulação, manejo excessivo e ambientes mal ventilados e empoeirados. O recolhimento e a remoção frequente do esterco são simples ações que podem reduzir muito a contaminação ambiental e a prevalência da doença. Não existe apoio para o conceito de que as larvas migrantes de Parascaris equorum possam transportar R. equi do intestino para o pulmão, mas esta teoria parece plausível, e um bom programa de controle da verminose é recomendado. A garantia de ingestão de colostro pelos potros é essencial.

Medidas simples de prevenção tem tido grande relevância na erradicação do Rhodococcus equi, fazendo com que áreas endêmicas, com históricos de alta mortalidade de potros acometidos pela pneumonia, se tornem melhor aproveitáveis por criadores.

Texto por:

João Vitor Castro, 8° semestre, UNIP, Bauru- SP

Rafaela Pimentel, graduanda da Universidade Anhembi Morumbi, Santo André- SP

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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REED, S. M.; BAYLY, W. M. Medicina Interna Equina. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A. 2000. 938p.

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