PREVALÊNCIA DE OSTEOCONDROSE EM POTROS DA RAÇA PURO SANGUE INGLÊS

A osteocondrose (OC) é uma patologia que ocorre no núcleo da epífise durante a fase de crescimento do animal podendo em alguns casos comprometer o seu futuro atlético.

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PREVALÊNCIA DE OSTEOCONDROSE EM POTROS DA RAÇA PURO SANGUE INGLÊS

OSTEOCHONDROSIS PREVALENCE IN THOROUGHBRED FOALS

PREVALENCIA DE LA OSTEOCONDROSIS EN POTROS DE RAZA SANGRE PURA DE CARRERA

Castro, I.N.*[1,2]; Quintelas, A. R.[1,2]; Fonseca, A.B.M[3]; Alda, J.L.[²]; Weber, E.[²]; Frey Junior, F.[²].

[¹] Equitare, Diagnóstico por Imagem e Recuperação Equina.

[²] Haras Santa Maria de Araras.

[3] Universidade Federal Fluminense, Centro de Estudos Gerais, Instituto de Matemática e Estatística.

RESUMO

A osteocondrose (OC) é uma patologia que ocorre no núcleo da epífise durante a fase de crescimento do animal podendo em alguns casos comprometer o seu futuro atlético. A etiologia é multifatorial e pode acometer várias articulações sendo que a mais comumente envolvida é a do curvilhão, femurotibiorotuliana e a do boleto. Foram examinados radiograficamente 101 potros, sendo 50 fêmeas e 51 machos da raça PSI com idade entre nove e treze meses. Ambos os tarsos foram radiografados nas posições Dorsomedial-Pálmarolateral Oblíqua (DMPLO) e Dorsolateral-Pálmaromedial Oblíqua (DLPMO). Para avaliar a presença de OCD na articulação do tarso foram realizadas análises estatísticas exploratórias. Observou-se prevalência de OCD em 4% dos animais (n=4) e 96% (n=97) não apresentaram a doença. Dentre os animais sadios, 5% apresentaram projeções ósseas, denominadas gota de orvalho, na extremidade distal da crista troclear medial do talus . A presença de OCD foi observada na crista intermédia da tíbia (50%) e na crista troclear lateral (50%) do osso tibiotársico. Nenhum animal estudado apresentou sintomatologia clínica. A erradicação total da enfermidade é improvável, tendo em consideração a sua complexidade. O diagnóstico precoce da doença através de exame radiográfico é muito importante devido às perdas econômicas causadas pela OC na criação equina. Além disso, é importante associar uma seleção genética e um maior controle dos fatores ambientais predisponentes.

Unitermos: Equino, DOD, OCD.

ABSTRACT

Osteochondrosis (OCD) is a disease which occurs in the center of epiphysis during the growth of the animal and in some cases compromises its athletic future. The etiology is multifactorial and may involve multiple joints; hock, stifle and fetlock being the joints most commonly affected. X-rays of 101 thoroughbred foals, 50 females and 51 males aged between nine and thirteen months were examined. Both hocks were radiographed in DMPLO and DLPMO positions. Exploratory statistical analyses were performed to evaluate the presence of OCD. The prevalence of OCD was observed in 4% of animals (n=4) and 96% (n=97) did not show the disease. 5% of healthy animals had bone projections in the distal end of the medial trochlear ridge of the talus. The presence of OCD was observed in distal intermediate ridge of the tibia (50%) and in the lateral trochlear ridge of the tibiotarsal bone (50%). None of the animals studied showed clinical symptoms. In view of the OCD complexity the total eradication of OCD is improbable. Early diagnosis of disease through radiographic examination is very important because of the economic losses caused by OCD in equine breeding. Furthermore, it is important to involve genetic selection and greater control of predisposing environmental factors.

Keywords: Equine, DOD, OCD.

RESUMEN

Osteocondrosis (OC) es una enfermedad que se produce en el núcleo de la epífisis durante el período de crecimiento del animal y puede, en algunos casos, comprometer su futuro como animal para deportes. Su etiología es multifactorial y puede afectar varias articulaciones, siendo las mas comunmente afectadas el corvejón, el menudillo y las palanquillas. Se examinaron radiográficamente 101 potros, 50 hembras y 51 machos de raza PSI de edades entre nueve y trece meses. Ambos tarsos fueron radiografiados en posiciones dorsomedial-pálmarolateral obliqua (DMPLO) y oblicua dorsolateral-pálmaromedial (DLPMO). Para evaluar la presencia de OC en la articulación tarsal se hicieron análisis estadísticos exploratorios. Se observó la presencia de OC en 4% de los animales (n = 4) y 96% (n = 97) no mostró enfermedad alguna. Entre los animales sanos, 5% tenían protuberancias óseas, llamadas “gota de orvalho”, en la extremidad distal de la cresta troclear media del astrágalo. Se observó la presencia de OC en la cresta media de la tibia (50%) y en la crista troclear lateral del hueso tibiotarsal (50%). Ninguno de los animales estudiados demostró síntomatologia clínica. La erradicación total de la enfermedad es poco probable, tendiendo en cuenta su complejidad. El diagnóstico precoz de la enfermedad mediante el exámen radiográfico es muy importante dadas a las pérdidas económicas causadas por OC en la cria de caballos. Por otra parte, es importante asociar la selección genética y un mayor control de los factores ambientales que puedan ser predisponentes.

Palabras – clave: Equino, DOD, OCD.

INTRODUÇÃO

A osteocondronse é uma patologia óssea de desenvolvimento podendo comprometer o futuro atlético dos animais acometidos e consequentemente determinando perdas econômicas. A etiologia é multifatorial e ocorre nos primeiros três meses de vida quando a fase de crescimento ósseo é mais intensa.

Animais com lesão de osteocondrose visísveis radiograficamente possuem um alto risco de desenvolver problemas ortopédicos.  Cita-se que a prevalência de osteocondrose em potros PSI é ao redor de 10% entretanto mais estudos regionais são necessários.

Os objetivos desse trabalho foram a determinação da prevalência de OCD em 101 potros, sendo 50 fêmeas e 51 machos, da raça Puro Sangue Inglês, com idade entre nove e treze meses em um mesmo criatório. O diagnóstico foi realizado através do exame radiográfico digital direto observando a presença ou não de sintomatologia clínica associada à OCD.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Doenças ortopédicas do desenvolvimento (DOD) é um termo usado para descrever um grupo de alterações que afetam o esqueleto do equino em desenvolvimento. Essas alterações incluem as fisites, osteocondroses, osteocondrite dissecante (OCD), síndrome de Wobbler e deformidades flexurais adquiridas (PAGAN, 1996)10.

Osteocondrose (OC) é uma doença de desenvolvimento em indivíduos em crescimento devido a alterações na diferenciação e maturação da cartilagem tendo como predileção a articulação do boleto, joelho e curvilhão (DISTL, 2010)1. A OC é causada por um distúrbio na ossificação endocondral da cartilagem de crescimento do complexo articular/epifiseal ocasionando um espessamento dessa cartilagem. Essa lesão primária poderá progredir para lesões secundárias dentro da articulação tais como: fraturas subcondrais, lesões de cistos subcondrais, flaps de cartilagem, separação de fragmentos osteocondrais (chips, OCD), osteocondrites e sinovites (JEFFCOTT, 19912; NIXON, 19909).

A Osteocondrose abrange todas as condições envolvendo o complexo cartilaginoso articular epifisário e osso epifisário, assim como a placa de crescimento metafisária e o osso epifisário. Os termos osteocondrose, osteocondrite dissecante e osteocondrose dissecante são utilizados normalmente como sinônimos e o seu significado continua duvidoso. Anteriormente osteocondrose referia-se a afecção, osteocondrite era a resposta inflamatória à afecção e osteocondrite dissecante a condição em que uma lasca pode ser observada (STASHAK, 2006)13.

Foi convencionado a utilização do termo osteocondrose para descrever o processo de formações óssea e cartilaginosa anormais e do termo osteocondrose dissecante para descrever as lesões que penetram a superfície articular gerando inflamação e efusão (STASHAK, 2006)13.

A OCD afeta a cartilagem articular (articulação) e frequentemente envolve também o osso subcondral logo abaixo da superfície cartilaginosa. Geralmente uma lesão dissecante desenvolve-se envolvendo a cartilagem, ou cartilagem e osso e o plano de dissecção alcança a superfície articular (McILWRAITH & COX, 2008)7.

Embora a lesão primária tenha sido definida como uma falha na ossificação endocondral a causa definitiva é desconhecida e vários fatores parecem estar envolvidos, tais como: a hereditariedade, taxa de crescimento, nutrição, desequilíbrio mineral, disfunção endócrina e trauma biomecânico (JEFFCOTT, 1991)2.

A etiologia da OC é polifatorial tais como trauma, isquemia, fatores hereditários, nutricionais e crescimento rápido (RICHARDSON, 2008)11. A fase de crescimento mais intensa ocorre nos primeiros três meses de vida e esse período é quando as lesões de OC tem mais probabilidade de ocorrerem.

De acordo com Lins et al. (2008)4 o início do treinamento de animais que ainda estão em desenvolvimento, associado a uma nutrição inadequada, acarreta um desequilíbrio no processo de crescimento ósseo, favorecendo o aparecimento de doenças ortopédicas do desenvolvimento (DOD), dentre elas a osteocondrite dissecante (OCD).

O exercício montado influencia na cartilagem e espessamento do osso subcondral e na severidade das lesões da unidade osteocondral na articulação tarsal distal em equinos. Os sítios predispostos a osteoartrites parecem ser mais afetados do que os não predispostos (TRANQUILLE et al., 2010)14.

Os cavalos com lesões de osteocondrose visíveis radiograficamente possuem um alto risco de desenvolver problemas ortopédicos mais tarde do que aqueles não afetados (DISTL, 2010)1. Por isso é importante a determinação da prevalência da hereditariedade na OC e a sua perspectiva na seleção de cavalos na indústria equina (DISTL, 2010)1.

A OCD pode afetar muitas articulações, mas a articulação mais comumente envolvida é a do curvilhão, articulação femurotibiorotuliana e boleto. A articulação do ombro também pode ser afetada, mas é menos frequente (McILWRAITH & COX, 2008)7.

Embora múltiplas articulações possam ser afetadas isso não é comum e geralmente acomete somente uma articulação. Entretanto, envolvimento bilateral (na articulação do joelho e jarrete) é muito comum e por isso o membro oposto deve sempre ser radiografado. No entanto, não é comum envolvimento simultâneo do jarrete e joelho ou do joelho e ombro no mesmo animal. Também é incomum tratar a OCD em uma articulação e ter desenvolvimento mais tarde em outra articulação (McILWRAITH & COX, 2008)7.

A incidência de DOD em 271 potros da raça PSI num período de quatro anos foi de 10%. As OCDs de boleto ocorreram antes dos 180 dias de idade enquanto que jarrete, escápuloumeral e femurotibiorotuliana ocorreram por volta dos 300-350 dias de idade. Os potros que desenvolveram OCD de jarrete e rótula foram aqueles potros grandes ao nascimento e os que cresceram rapidamente dos três aos oito meses. Esses potros foram mais pesados do que a média da população. Potros que desenvolveram OCD de curvilhão antes dos seis meses de idade foram os nascidos cedo (julho, agosto e setembro). Esses resultados sugerem que a taxa de crescimento e o manejo podem afetar a incidência de certos tipos de DOD (PAGAN, 1996)10.

Segundo Schryver et al. (1987)12 potros que desenvolveram sinais radiográficos de OCD tibiotársica possuiram peso corpóreo maior ao nascimento e continuaram mais pesados com um ganho diário médio maior que os potros não afetados. Os mesmos também apresentaram uma conformação maior que os potros sem OCD tarsocrural, incluindo maior altura da cernelha e da garupa, circunferência do carpo e maior comprimento de canela. Não houve relação entre os achados radiológicos desses fragmentos palmares/plantares e o grau de efusão sinovial ou outro sinal clínico nessa região. Os autores perceberam que os sinais radiológicos precoces de OCD e a diferença observada no peso corpóreo ao nascimento indicaram que o período de gestação e o primeiro mês da vida do potro foram de maior importância no desenvolvimento da OCD.

Potros alimentados com baixo nível de proteína (9%) tiveram uma taxa menor de crescimento do que os alimentados com dietas de 14 e 20% de proteína. Os autores não observaram os efeitos indesejáveis que podem ser atribuídos ao alto nível proteico na dieta ou devido ao crescimento rápido dos potros (SCHRYVER et al., 1987).12

Sinais clínicos

Aproximadamente 60% dos cavalos afetados possuem 1 ano ou menos quando a lesão torna-se sintomática. Os animais jovens que desenvolvem sinais clínicos frequentemente possuem alterações mais severas dentro da articulação. Entretanto, lesões incidentes são identificadas em cavalos mais velhos quando não tiveram sinais clínicos observados. A OCD é mais comumente observada em cavalos Puro Sangue Inglês do que outras raças (McIIWRAITH & COX, 2008)7.

O sinal clínico mais comum da OCD de curvilhão é a efusão tarsocrural. Observa-se um edema proeminente visto ao longo do aspecto medial ou dentro da articulação. Claudicação pode ser vista mas não é comum e raramente é proeminente. Cavalos de corrida geralmente apresentam aos 2 anos de idade e as outras raças normalmente nos sobreanos, um ano antes de irem para o treinamento. Existe a teoria de que os sinais clínicos desenvolvem-se quando a superfície articular é atingida pela lesão dissecante (McILWRAITH & COX, 2008)7.

Sinais radiológicos

Os principais sinais radiográficos de OC são a textura irregular do osso com radiopacidade variável (radiolucência do osso subcondral) e alterações no contorno regular do osso podendo apresentar-se suavemente achatado, irregularmente achatado e com concavidade grande ou, áreas radiodensas isoladas em sítios específicos da articulação predisponente (DISTL, 2010)1.

O sítio de predileção de OCD na articulação do curvilhão é a crista intermediária da tíbia distal, a crista troclear lateral do talus e o maléolo medial da tíbia respectivamente (McILWRAITH & COX, 20087).

As lesões são identificadas como fragmentos ainda no local (crista intermediária), ou superfície irregular da crista troclear ou fragmentos no maléolo medial. A aparência radiográfica frequentemente subestima a extensão do dano identificado na cirurgia particularmente para a crista troclear lateral. O curvilhão também é uma articulação onde radiologicamente as lesões silenciosas (lesões identificadas na cirurgia onde nenhuma anormalidade foi vista na radiografia) são mais frequentes do que em outras articulações (McILWRAITH & COX, 2008)7.

Algumas vezes o fragmento de OCD fica totalmente separado tornando-se um corpo livre ou aderido. Entretanto, na maioria dos casos, os fragmentos permanecem frouxamente aderidos ao seu osso de origem e os debris são liberados na articulação abaixo do flap resultando em sinovite ou inflamação articular desencadeando o aparecimento dos sinais clínicos de dor e claudicação que são vistos na a doença (McILWRAITH & COX, 2008)7.

As lesões radiográficas observáveis no tarso que não são lesões de OCD são as projeções ósseas ou fragmentos (lesões semelhantes a gostas de orvalho) da extremidade distal da crista troclear medial do talus, uma depressão de forma irregular (fossa sinovial) na região central do sulco intertroclear do talus e o achatamento central da crista troclear medial, o que pode ser visto particularmente em equinos pesados. As lesões semelhantes à gota de orvalho ou a presença de fragmentos calcificados da extremidade distal da crista troclear medial no talo não são indicativas de cirurgia já que no geral são extra-articulares. Se um fragmento de OCD livre se encontra na articulação intertarsica proximal, indica-se a remoção. Fragmentos do maléolo lateral são normalmente de origem traumática e raras vezes são manifestações de OCD (STASHAK, 2006)13.

As lesões da crista intermediária da tíbia comumente consistem de separação de fragmento ósseo do aspecto dorsal da crista intermediaria e são melhor demonstrados na radiografia oblíqua dorsomedial-plantarolateral. As lesões de OCD da crista intermediária da tíbia tem sido descrita em uma escala de zero a cinco de acordo com a alteração e presença e tamanho dos fragmentos dentro dela. A maioria dos autores consideram o grau 4 e 5 como caso cirúrgico. O tamanho do fragmento não influencia no prognóstico (McILWRAITH & TROTTER, 1996)6.

Tratamento

Existe muita controvérsia sobre a necessidade ou não de remoção cirúrgica dos fragmentos osteocondrais das articulações. Quando o fragmento osteocondral é acompanhado por sinais clínicos de efusão da articulação ou manqueira a remoção do fragmento é certamente indicada. Porém muitos fragmentos osteocondrais são detectados sem associação de sinais clínicos naquele momento (MARTENS et al, 2008)5.

A cicatrização pode ocorrer com tratamento conservativo nos casos precoces de OCD da articulação femoropatelar e do boleto (McILWRAITH & RUGGLES, 2008)8. Apesar da claudicação ser mínima na OCD de curvilhão deve-se recomendar a cirurgia (McILWRAITH & COX, 2008)7.

Embora a remoção preventiva dos fragmentos de OCD seja realizada com muita frequência pode-se perguntar sobre a necessidade de fazê-la. A decisão final e recomendação são baseadas na possibilidade do fragmento causar problemas no futuro, uso do cavalo, seu valor de venda mais baixo e a interrupção temporária da vida esportiva do cavalo em caso da remoção do fragmento (MARTENS et al., 2008)5.

A maioria das lesões de OCD podem ser diagnosticadas muito antes da idade que corriqueiramente são diagnosticadas. Hoje em dia a metodologia mais usada nas raças de corrida é radiografar animais jovens com idade de ano e sobreano. A maioria das lesões de OCD são visualizadas nesse período e portanto pode-se fazer a decisão sobre quais animais iriam ou não para a cirurgia. Essa decisão deve ser baseada em considerações médicas e práticas. Recomenda-se a remoção de lesões de OCD em animais que irão à venda futura se o benefício econômico de limpar a articulação irá cobrir o custo do procedimento e convalescência (RICHARDSON, 2008)11.

Frequentemente as lesões de OCD são maiores nos potros jovens do que quando observadas mais tarde. Mesmo as lesões grandes podem surpreendentemente cicatrizar. Lesão de OCD parcialmente cicatrizada é de melhor prognóstico do que a não cicatrizada (RICHARDSON, 2008)11.

O tratamento conservativo consiste na restrição de exercício em potros com lesões de OCD grandes ou instáveis. O tratamento conservativo deve ser descartado quando se ocorre uma claudicação significante. Potros com claudicação poderão desenvolver lesões contralaterais que podem comprometer sua performance futura. Potros desmamados com edema articular de rótula ou curvillhão devem ser encaminhados para a cirurgia (RICHARDSON, 2008)11.

De acordo com Laws et al. (1993)3 o prognóstico pode ser dado como bom para o retorno a corrida em cavalos afetados por OC os quais foram realizados artroscopia. Nesse estudo o tratamento conservativo foi recomendado para OC unilateral sem efusão.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram examinados radiograficamente 101 potros, sendo 50 fêmeas e 51 machos da raça PSI com idade entre nove e treze meses de uma mesma propriedade criatória na região do Rio Grande do Sul no ano de 2010. Ambos os Tarsos foram radiografados nas posições Dorsomedial-Pálmarolateral Oblíqua (DMPLO) e Dorsolateral- Pálmaromedial Oblíqua (DLPMO). Todos os animais examinados estavam submetidos ao mesmo sistema de criação e nutricional. Foram utilizados 4 garanhões nos cruzamentos que originaram os 101 potros. Para avaliar a presença de OCD na articulação do Tarso foram realizadas análises estatísticas exploratórias.

RESULTADOS

O modelo estatístico utilizado para avaliação da presença de OCD na articulação tarso crural foi através de análises estatísticas exploratórias.

O total de 101 animais foram avaliados sendo 51 machos e 50 fêmeas. A idade média dos animais em estudo foi de 11,02 meses.

A média de peso e altura ao nascimento foi de respectivamente 58,66kg e 1,04m e a média de peso e altura ao desmame foi de 267,75kg e 1,37m respectivamente (Tabela1).

A prevalência de OCD foi em 4% (n=4) dos animais sendo que, em dois animais foi na crista intermédia da tíbia (Figura 01) e em 2 na crista troclear lateral do osso tibiotársico (Figura 02). Dentre os animais sadios 5% apresentaram projeções ósseas, denominadas gota de orvalho, na extremidade distal da crista troclear medial do talus (Figura 03). Nenhum animal estudado apresentou sintomatologia clínica.

A

B

FIGURA 01: Presença de um fragmento ósseo no aspecto cranial da crista intermédia da tíbia (A, B). O fragmento ósseo é mais visível na projeção DMPLO (A). Ausência de efusão na articulação tíbiotársica.

FIGURA 02: Observa-se na projeção DMPLO a presença de um grande fragmento ósseo preso ao aspecto distal da crista troclear lateral do osso tíbiotársico. Ausência de efusão na articulação tíbiotársica.

FIGURA 03: Projeção óssea, denominada gota de orvalho, na extremidade distal da crista troclear medial do talus.

DISCUSSÃO

Os animais com lesões de osteocondrose visíveis radiograficamente possuem um risco alto de desenvolver problemas ortopédicos mais tarde (DISTL, 2010)1. Diferente do observado em outros estudos, com número semelhante de animais avaliados, no qual a porcentagem de animais que apresentaram as alterações radiográficas foi de 10% (PAGAN, 1996)10, nesse criatório a porcentagem foi inferior (4%).

De acordo com Schryver et al. (1987)12 os potros que apresentaram OCD na articulação tibiotársica possuíram peso corpóreo e altura maior ao nascimento. No presente trabalho não foi possível realizar tal correlação devido ao pequeno número de animais acometidos de alteração.

O sinal clínico mais evidente da OCD de curvilhão é a efusão tarsocrural (McILWRAITH & COX, 2008)7. Corroborando com Schryver et al. (1987)12 não visualizou-se efusão sinovial ou outro sinal clínico nos animais acometidos de OCD.

Como descrito em outros estudos (McILWRAITH & COX, 20087; VOS, 200816; VANDERPERREN et al., 200915) a crista intermédia da tíbia seguido da crista troclear lateral do osso tibiotársico foram os locais mais frequentes para visualização de lesões.

Dentre os animais sadios, 5% apresentaram projeções ósseas, denominadas gota de orvalho, na extremidade distal da crista troclear medial do talus. De acordo com Stashak (2006)13 essas projeções ósseas não são consideradas lesões de OCD.

CONCLUSÃO

A erradicação total da OCD é improvável, tendo em consideração a sua complexidade. O diagnóstico precoce da doença através de exame radiográfico é muito importante devido às perdas econômicas causadas pela OC na criação equina. Além disso, é importante associar uma seleção genética e um maior controle dos fatores ambientais predisponentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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