Síndrome Cólica em Neonatos

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Síndrome Cólica em Neonatos

A síndrome cólica é um termo geral usado para descrever qualquer condição que envolva dor na região abdominal do cavalo. Essa condição tem importância tanto em potros como em animais adultos.

Em neonatos, a cólica pode se desenvolver por diversas etiologias, tais como retenção de mecônio, uroperitônio, úlcera gastroduodenal e obstruções intestinais com estrangulamento vascular. Independente da causa, a cólica em potros requer cuidados intensivos e intervenção imediata, de forma a se evitar maiores prejuízos ou até mesmo a morte do animal.

Alguns sintomas apresentados podem ser semelhantes nessas afecções, desencadeadas pelo desconforto. Normalmente pode-se observar sudorese, abanar a cauda, olhar no flanco, decúbito por tempo prolongado e colocar-se em posições anormais, com os membros anteriores estendidos por sobre a cabeça.

Vale ressaltar a importância da anamnese como auxiliar no diagnóstico correto, visto a impossibilidade de se realizar alguns métodos semiológicos em potros, como a palpação transretal.

A retenção de mecônio é uma das causas mais comuns de cólica em potros. Esta patologia pode ser consequente da não ingestão de colostro, estreitamento pélvico em potros machos ou má formação do trato gastrointestinal, e tem como sintomatologia a postura com esforço para defecar e polaquiuria. O diagnóstico pode ser feito através da anamnese, na qual é relatada a não passagem de mecônio e por ultrasonografia. Neste caso, além da terapia de suporte, o tratamento envolve a administração de enemas com produtos específicos para esta patologia.

As úlceras gastroduodenais são mais comuns em potros lactentes e são resultados do desequilíbrio entre os fatores protetores e agressores da mucosa. Os fatores protetores são responsáveis pela manutenção da higidez do trato gastrointestinal e incluem a manutenção do fluxo sanguíneo na mucosa, produção de muco e bicarbonato, produção de prostaglandina E2 e fatores de crescimento epitelial, inervação gástrica aferente, reposição das células epiteliais e motilidade gastroduodenal. Os fatores agressores incluem o ácido gástrico, que se encontra aumentado nos intervalos entre mamadas, sais biliares, pepsina e várias enzimas.

A sintomatologia consiste em febre, diarreia, decúbito dorsal, bruxismo, sialorréia e refluxo gástrico, e o diagnostico pode ser feito por exame endoscópico, mensuração de pepsinogênio sérico, abdominocentese e radiografia abdominal contrastada. O tratamento se baseia em analgesia, diminuição da acidez gástrica, melhora na proteção da mucosa, estímulo da cicatrização e da motilidade e prevenção de complicações secundárias.

A obstrução intestinal com estrangulamento vascular ocorre principalmente em potros de 2 a 4 meses, época que há alteração na alimentação e desenvolvimento do intestino grosso. Assim como as outras afecções citadas, o diagnóstico se baseia principalmente no histórico, ultrassonografia, observação de sinais clínicos diferenciais, como refluxo intestinal e pela anamnese. O tratamento é cirúrgico, por laparotomia exploratória.

Nos casos de ruptura de bexiga, os potros demonstram sinais de dor abdominal (Cólica), além de outros sinais. Essa afecção ocorre devido à compressão que a vesícula urinária do potro sofre no momento do parto, ou em consequência de extrema tensão sobre o cordão umbilical e úraco, que podem tracionar e levar ao rompimento da estrutura. Os possíveis sinais clínicos são: disúria; polaquiúria e grande quantidade de liquido na cavidade abdominal. O diagnóstico é feito através da ultrassonografia e abdominocentese, buscando um diferencial de retenção de mecônio, pela semelhança da sintomatologia. O tratamento realizado consiste em procedimento cirúrgico para correção do quadro.

O prognóstico das patologias citadas depende, principalmente, do tempo de evolução, pelo fato de que o agravamento geral do mesmo ocorre de forma mais aguda em potros lactentes, pois eles param de mamar quando sentem dor, evoluindo rapidamente para um quadro de desidratação e entrando em hipoglicemia. A intervenção deve ser realizada o quanto antes, favorecendo a resolução do problema e reduzindo os riscos de complicações mais graves ao potro.

Texto por:

Maria Clara Miranda, 4° semestre, Universidade Potiguar, UNP, Natal- RN

Rafaela Pimentel, graduanda da Universidade Anhembi Morumbi, Santo André- SP

Edição e Revisão:

Deivisson Aguiar, Médico Veterinário

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