Terapia Física e Reabilitação de Equinos Atletas: Revisão

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Terapia Física e Reabilitação de Equinos Atletas: Revisão

Physical Therapy and Rehabilitation of Equine Athlete: Review

Terapia Física y Rehabilitación del Equino Atleta: Revisión

Pedro Augusto Cordeiro Borges1*, Fabio Franco Almeida2, Tales Gil de França2, Paulo Ricardo Firmino3, Heider Irinaldo Pereira Ferreira4.

1-M.V Residente em Clínica e Cirurgia de Grandes Animais, no Hospital Veterinário Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia, UFERSA, Mossoró-RN. 2- M.V Residente em Clínica e Cirurgia de Grandes Animais, no Hospital Veterinário Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia, UFERSA, Mossoró-RN. 3- M.V. Esp. Mestrando em Ciência Animal – UFERSA, Mossoró –RN. 4- M.V MSc. Locado no Setor de Clínica e Cirurgia de Grandes Animais, no Hospital Veterinário Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia, UFERSA, Mossoró-RN.

Resumo

Desde a sua domesticação o equino tem sido utilizado em diversos tipos de atividade, a fim de atender necessidades humanas. Recentemente tem-se crescido o interesse do uso desses animais em atividades de esporte e lazer, de tal modo que estes passaram a ser vistos como atletas, tendo de manter altos índices de desempenho e estando susceptíveis aos mais diversos tipos de lesões. Avanços recentes nas áreas da medicina esportiva, fisioterapia e reabilitação equina têm auxiliado no processo de recuperação desses animais e retomada do desempenho atlético após períodos de inatividade por lesão. Assim a presente revisão tem por objetivo caracterizar as técnicas de fisioterapia e reabilitação equina bem como apontar as principais indicações de cada uma destas.

Palavras-chave: Equino, Fisioterapia, Reabilitação, Ultrassom Terapêutico

Abstract

Horses has been used as different purposes to support humans, since it domestication. There is an increase of interest on its use for competition and entertainment and this require high performance levels of these animals witch became them susceptible to injuries. Recent advances on equine sports medicine, physical therapy and rehabilitation have helped on recovery after inactivity period by injury. The aim of this review is to characterize physical therapy and rehabilitation techniques and to show its main indications.

Key-Words: Horse, Physical Therapy, Rehabilitation, Therapeutic Ultrasound

Resumen

Desde su domesticación, el caballo ha sido utilizado en varios tipos de actividades, a fin de satisfacer las necesidades humanas. Más recientemente ha sido el creciente interés en el uso de estos animales en las actividades de deporte y ocio, de tal manera que llegó a ser visto como atletas, teniendo que mantener altos niveles de rendimiento y estando susceptibles a varios tipos de lesiones. Los recientes avances en las áreas de medicina deportiva, fisioterapia y rehabilitación han ayudado en el proceso de recuperación de estos animales y reanudación de rendimiento atlético tras períodos de inactividad por lesión. Por lo tanto, esta revisión es para caracterizar las técnicas de fisioterapia y rehabilitación, así como las principales indicaciones para cada uno de estos.

Palabras claves: Caballo, terapia física, rehabilitación, terapia de ultrasonido

Introdução

Desde sua domesticação o equino tem sido utilizado para os mais diversos tipos de atribuições, tendo crescido consideravelmente o interesse pela utilização desse animal em atividades de esporte e lazer, o que tem proporcionado uma exploração de grande interesse econômico e que envolve animais de alto valor1;2.

Os esportes equestres demandam do animal atleta um elevado índice de desempenho em virtude de exigências competitivas cada vez maiores3. Em muitos casos o tipo de esforço ao qual o equino é submetido excede os seus limites fisiológicos, predispondo esses a diversos problemas de ordem musculoesquelética4.

Muitas das condições clínicas que atingem o equino atleta, além de gerarem desconforto ao animal, por vezes exigem que este se mantenha afastado das atividades esportivas por um longo período, resultando, sobretudo em perdas econômicas. Lesões tendíneas e ligamentares não só significam queda de desempenho, como também podem significar o afastamento definitivo do esporte5.

Avanços recentes na área da reabilitação e medicina esportiva equina tornaram possível aos equinos atletas alcançar novos níveis de excelência6. A fisioterapia e reabilitação são de grande valia para que a terapia médica ou cirúrgica torne-se bem sucedida, reduzindo o tempo de recuperação do paciente e potencializando a chance de que esse volte a ter o mesmo desempenho nas atividades realizadas anteriormente. Agentes físicos, tais como; frio, calor, eletricidade, som, campos magnéticos, compressão e movimento, podem ser utilizados pelo terapeuta durante a reabilitação de equinos atletas, no intuito de auxiliar na redução da dor e edema, e promover a restauração do funcionamento ideal da região afetada7. Entretanto, para a aplicação dessas técnicas, é necessário que se tenha conhecimento a cerca das indicações e métodos de tratamento, bem como um diagnóstico que proporcione a localização da lesão8;9.

Assim, a presente revisão, tem por objetivo abordar características acerca dos mecanismos de ação, indicações e usos de técnicas de fisioterapia e reabilitação de equinos atletas.

Termoterapia

Um dos métodos de terapia física mais acessível e utilizado ao longo do tempo é a termoterapia. Calor ou frio podem ser administrados aos equinos de várias maneiras9.

Terapia a frio

Essa é uma técnica amplamente difundida na medicina esportiva a fim de proporcionar condições ideais para a reparação tecidual, sendo utilizada principalmente quando se trata de lesões musculoesqueléticas recentes, tendo sua maior eficácia em um período de até 24 a 48 horas após a injúria. Os maiores benefícios da aplicação de terapia a frio são; a redução da circulação local, edema e dor9;10;11. Em resposta ao resfriamento tecidual, há uma redução na taxa metabólica que leva a inibição enzimática e reduzida liberação de histamina, reduzindo assim o dano tecidual.

A vasoconstrição proporcionada pelo frio, como uma resposta do sistema nervoso autônomo buscando minimizar a perda de calor corporal, limita a formação de edema e hemorragia. Através da redução do edema, reduz-se também a pressão sobre receptores nociceptivos, o que associado a uma menor velocidade de condução nervosa também proporcionada pelo gelo, promove analgesia12. A aplicação do gelo pode ser feita de diversas formas; manualmente através de compressas ou bolsas de gelo; por imersão dos membros em recipientes contendo gelo ou por meio de botas comerciais para crioterapia, bandagens de gel, duchas e sprays11. Segundo Starkey (2001), uma temperatura em torno de 13,8ºC é aquela que propicia ideal redução do fluxo sanguíneo local. O tempo de aplicação varia de 20 a 40 minutos, devendo-se levar em consideração a estrutura a ser tratada bem como profundidade da lesão11.

Terapia por adição de calor

O uso do calor com fins terapêuticos se dá devido aos seus efeitos hemodinâmicos, neuromusculares, metabólicos e nos tecidos conjuntivos. Um aumento de 10ºC de temperatura representa um acréscimo de duas a três vezes na taxa metabólica local e incrementa a oxigenação tecidual de tal maneira que isso se reflete em uma condição benéfica ao processo de cicatrização de feridas14. Segundo Stashak15, (1994); o calor pode ser administrado sob forma; de calor radiante, através de luz infravermelha; calor condutivo, através de compressas quentes; ou calor conversivo, através de energia elétrica de alta frequência (diatermia) ou ondas sonoras (ultra-som). Com relação a profundidade tecidual que atinge, a terapia por adição de calor pode ainda ser classificada em superficial ou profunda. O calor superficial não atinge profundidades maiores que 2 cm, tendo assim seu uso limitado quando se deseja aquecer diretamente tecidos mais profundos, como músculos. O principal método de aplicação de calor superficial é a luz infravermelha, sendo esta capaz de reduzir a dor através da estimulação de receptores cutâneos11. Para aplicação de radiação infravermelha, preconiza-se uma distancia mínima de 30 cm entre o foco de luz e a pele; e o tempo de aplicação pode variar de 20 a 30 minutos. Seguir essas recomendações torna-se importante a fim de evitar queimaduras cutâneas16.

A aplicação de calor profundo pode ser feita por diatermia; que consiste no uso de energia eletromagnética de elevada frequência que gera calor pela resistência do tecido a passagem da energia; ou através do uso do ultrassom terapêutico, que através de vibrações acústicas de alta frequência produz efeitos térmicos e atérmicos11. Devido aos efeitos não térmicos o ultrassom será melhora abordado em um tópico á parte. De maneira geral; a aplicação de calor é contra indicada quando se tem lesões agudas, em virtude de promover aumento da circulação local podendo favorecer a formação de edema; e indicada em lesões subagudas e crônicas visando o controle da dor e reação inflamatória local e promovendo drenagem de áreas infectadas17;18.

Hidroterapia

Modalidades de hidroterapia tais como, exercícios subaquáticos e natação, têm sido utilizadas para reduzir tensões mecânicas aplicadas sobre os membros, diminuir dor e inflamação e melhorar o tônus muscular19. As diversas possibilidades de uso tornam a hidroterapia uma modalidade versátil capaz de produzir uma gama de efeitos terapêuticos, eficazes na restauração funcional e restabelecimento do desempenho atlético20. As propriedades físicas da água proporcionam um meio onde o empuxo, aumento da pressão hidrostática, viscosidade, capacidade de alterar a temperatura e a osmolaridade são aplicados em diferentes combinações para desempenhar um papel importante na reabilitação músculo-esquelética individualizada21. A força de empuxo associada a exercícios subaquáticos melhora a estabilidade articular e reduz os estresses mecânicos sobre músculos e articulações, além de facilitar a movimentação de fluidos através dos tecidos, promovendo a drenagem de metabólitos acumulados8;21. O aumento da pressão hidrostática extravascular incrementa a circulação local auxiliando na redução de edema21. Além disso, a hidroterapia pode ter adicionada a ela modalidades térmicas; imersão em água morna promove vasodilatação, melhora a circulação e reduz espasmos musculares, enquanto a imersão em água fria ajuda a reduzir processos inflamatórios restringindo por vasoconstrição o acumulo de mediadores inflamatórios21.

A hidroterapia também pode ser aplicada através de duchas, de tal maneira que a pressão exercida pelo jato de água promove massagem tecidual auxiliando a circulação sanguínea local e a drenagem linfática. Quando a se quer promover a drenagem linfática a ducha deve ser feita no sentido desta, ou seja, de baixo para cima, podendo ainda se adicionar a ducha, os efeitos do frio ou do calor22.

Ultrassom Terapêutico

Diferentemente do ultrassom diagnóstico, o ultrassom terapêutico foi trabalhado especificamente para exercer efeitos biológicos sobre os tecidos23. Através de um cabeçote que transforma energia elétrica em energia mecânica, o ultrassom gera ondas acústicas em frequências inaudíveis ao ouvido humano e essas ondas por sua vez são transmitidas aos tecidos biológicos, se propagando através de vibrações de moléculas presentes no meio, de tal maneira que a compressão e expansão promovida aos tecidos possa auxiliar no processo de regeneração destes9;24. Para que haja propagação das ondas acústicas é necessário que se tenha um meio dotado de propriedades elásticas, onde o movimento vibratório de uma molécula possa ser transmitido as moléculas adjacentes25. O ultrassom pode ser utilizado para estimular a cicatrização, aliviar a dor, reduzir edemas e promover fibrinólise9. A aplicação do ultrassom pode ser feita em modo continuo ou pulsado; no modo continuo a energia é aplicada de maneira ininterrupta em ciclos de frequência maiores ou iguais a 100% de tal maneira que predominam os efeitos térmicos, assim o US utilizado nesse modo promove a extensibilidade de tecidos ricos em colágeno, maior fluxo sanguíneo e atividade enzimática locais, podendo ser associado a exercícios de amplitude; quando o ultrassom é utilizado de maneira pulsada, entretanto, a energia é aplicada de modo interrompido em ciclos de frequência que variam de 20 a 100%, de forma que os efeitos mecânicos predominam sobre os efeitos térmicos, esse modo é utilizado principalmente quando se objetiva acelerar o processo de cicatrização de feridas8;12;22;24. A frequência a ser utilizada correlaciona-se com a profundidade dos tecidos que se deseja atingir, o que torna necessário o conhecimento da anatomia e de aspectos particulares desses tecidos11;12. Usualmente se tem duas frequências no ultrassom; de 1 e 3MHz, sendo a frequência de 1MHz capaz de penetrar de 2 a 5cm e a frequência de 3MHz de 1 a 3cm de profundidade12.

A maioria dos aparelhos de ultrassom terapêutico trabalha com intensidades que variam de 0 a 2 W/cm2, em geral quanto maior a intensidade, mais significativo o aumento de temperatura proporcionado pelo ultrassom. Para aquecer áreas com quantidade significativa de tecidos moles, intensidades tão altas quanto 2 W/cm2 podem ser utilizadas, porém quando se tem pouca quantidade de tecido mole ou tecido ósseo próximo a superfície da pele, recomenda-se o uso de intensidades mais baixas12. Apesar de níveis de até 2W/ cm2 poderem ser utilizados, Olsson et al24 (2008); especula que o uso de ultrassom terapêutico em intensidades acima de 1,5W/ cm2 pode causar efeitos danosos aos tecidos em recuperação. A terapia com ultrassom deve sempre buscar se estabelecer dentro de limites abaixo dos quais ocorram efeitos deletérios aos tecidos26.

O tempo de aplicação varia de quatro a dez minutos por área, de maneira que quando se tem uma superfície grande, esta é dividida em três a quatro partes iguais e o mesmo tempo é aplicado em cada uma dessas partes24. O tratamento é normalmente realizado uma ou duas vezes por dia, durante um período que varia de dez a quatorze dias, devendo se fazer tricotomia da área e utilização de gel condutor para melhorar o contato do cabeçote com a pele9. Contraindica-se a utilização do ultrassom terapêutico; em áreas perioculares, próximo a centros de crescimento ósseo antes que esse crescimento tenha sido concluído, em fraturas e processos inflamatórios agudos, animais que apresentam distúrbios circulatórios, neoplasias e processos sépticos18.

Terapia com ondas de choque (Extracorporeal Shock Wave Therapy – ESWT)

A utilização da terapia com ondas de choque (ESWT) na Medicina Equina iniciou na Alemanha por volta de 1996. Devido a experiências positivas no tratamento de desmopatias em humanos, a primeira afecção em equinos a ser tratada com esse tipo de terapia, foi a desmite do ligalemto suspensor do boleto27.

A ESWT consiste em ondas de pressão acústica produzidas por um gerador e propagadas no corpo do paciente, de maneira localizada, onde incrementam o fluxo sanguíneo local, estimulam a remodelação óssea e fortalecem estruturalmente as articulações28,29. O mecanismo através do qual esses efeitos ocorrem ainda não é totalmente elucidado, porém estudos “in vitro” demonstram a influência que essa terapia pode apresentar sobre expressão de genes e fatores de crescimento, envolvidos nos processos inflamatórios e de reparação tecidual31;31. A ESWT diferencia-se do ultrassom terapêutico pela menor frequência de ondas, menor absorção tecidual e ausência de efeitos térmicos32.

Em geral a terapia com ondas de choque é indicada em tendinites, desmites, osteoartrites e dores em grupos musculares profundos9. Um trabalho realizado por Alves et al28 (2009), mostra resposta positiva a ESWT em animais com desmites de ligamento supraespinhoso e interespinhoso, independente de serem crônicas ou agudas.

Para que se atinjam resultados ótimos é fundamental que se tenha um diagnóstico preciso e um acompanhamento através de exames de imagem que permita avaliar a eficácia do tratamento e estabelecer um plano de reabilitação adequado. Para execução do tratamento é importante que se estabeleça um bom contato entre a superfície a ser tratada e o dispositivo, pois o ar pode interferir na transmissão das ondas. O foco da onda, densidade energética e número de pulsos utilizados irão depender da área e grau da lesão. Os tratamentos com ESWT, geralmente consistem de três sessões, com intervalos de duas a três semanas entre elas. Após cada uma das sessões o cavalo deve permanecer ao menos dois dias sem atividade física e duas semanas após a terceira sessão é recomendado que se faça uma avaliação completa do animal, afim de decidir pela continuidade ou não do tratamento9.

Eletroterapia

A estimulação elétrica tem muitos benefícios documentados nos seres humanos, tais como; aumento da força muscular, diminuição de espasmos musculares e alivio da dor aguda e crônica12. O uso de corrente elétrica para redução da dor retoma a estória de um grego antigo que ao pisar em um peixe elétrico notou alivio da dor que sentia23. Embora algumas classificações mais gerais possam colocar modalidades como ultrassom terapêutico e ESWT como métodos de eletroterapia, aqui iremos restringi-la a dois tipos de correntes, por serem essas fornecidas pela maioria dos aparelhos disponíveis no mercado e corriqueiramente utilizadas na prática clinica; a estimulação elétrica funcional (FES) e estimulação elétrica transcutânea (TENS).

A corrente de TENS quando aplicada promove alivio da dor; primeiramente, por meio da inibição de nociceptores aferentes envolvidos no reconhecimento e transmissão do estimulo doloroso, conforme prega a “teoria do portão” e em segundo plano por estimular a liberação de opioídes endógenos que causam a inibição da dor de maneira descendente33;34. A corrente de FES por sua vez, promove estimulação parcial do musculo sadio ou contração total de músculos desenervados, de modo que sua utilização busca evitar que grupos musculares atrofiados exacerbem essa atrofia e auxiliar no fortalecimento muscular de suporte para animais em treinamento8;23;35. Em ambas as correntes a estimulação inicia sempre com uma intensidade mais baixa e que vai sendo aumentada gradativamente8.

Os efeitos adversos da eletroestimulação são mínimos, podendo haver irritação da pele quando os eletrodos são mantidos por muito tempo em um mesmo local. As contraindicações incluem; doenças cardíacas, prenhes, febre e infecção; não sendo recomendado, além disso, posicionar eletrodos sobre a cavidade torácica23.

É importante ressaltar que nem sempre é possível prever a reação do cavalo aos estímulos, devendo sempre se ter cuidado e avaliar constantemente as reações do animal durante a aplicação, evitando assim acidentes.

Laser de baixa intensidade

Embora em uso a mais de trinta anos, a terapia a laser, se consolidou na medicina veterinária apenas nos últimos dez anos. O laser traz benefícios semelhantes aos da acupuntura, porém sem a sem ser invasivo. Existem quatro classes de laser, sendo o laser de classe IV o mais comumente utilizado na clínica médica de equinos23.

A terapia a laser baseia-se na absorção de luz por moléculas cromóforas, que se localizam nas mitocôndrias dos tecidos irradiados. A energia emitida pelo laser é então transformada em energia bioquímica, resultando em uma serie de reações que modulam funções celulares e estimulam mecanismos de reparação tecidual36. Os efeitos biológicos do laser incluem redução na expressão da interleucina-1, redução da despolarização nervosa e liberação de endorfinas, resultando em propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. A dose de energia utilizada no tratamento ira depender da natureza e profundidade da lesão9.

O laser de baixa frequência é indicado no tratamento de feridas, lesões de tecidos moles, osteoartrite e alívio da dor, podendo ainda atuar sinergicamente com o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) no tratamento de lesões de tendões e ligamentos9;23.

Deve-se atentar para a execução do protocolo adequadamente durante o uso, para evitar o superaquecimento tecidual bem como se deve presar pela proteção da córnea do operador e do animal, principalmente quando se trata lesões próximas aos olhos. O laser é contra indicado em fêmeas prenhes, animais em fase de crescimento e pacientes com problemas hematológicos23.

Exercício controlado

O exercício controlado é parte fundamental de praticamente todos os programas de reabilitação37. A realização de exercícios pós-lesão melhora o processo de cicatrização de tendões, ligamentos e músculos38. De acordo com publicação feita por Gillis39 (1997); o exercício sozinho é capaz de promover resultados satisfatórios na recuperação de 67 a 71% dos cavalos com lesões de tecidos moles.

O exercício controlado comumente inicia em baixa intensidade e é aumentado progressivamente de acordo com a resposta do paciente. Uma caminhada leve, a mão, pode ser introduzida na rotina do animal poucos dias após a lesão; a fim de orientar o alinhamento das fibras tendíneas, musculares e ligamentares em reparação, bem como prevenir a formação de aderências indesejáveis9. Davidson37 (2016); destaca a importância de um diagnóstico preciso na prescrição de um programa de exercícios controlados; segundo este autor, sem um diagnóstico apurado a grandes possibilidades que os exercícios adotados, de maneira errônea, possam contribuir para reincidência da lesão ou até mesmo desabilitar o animal de atividades atléticas por completo.

O período de tempo no qual o programa de exercícios controlados tendo em vista a reabilitação irá ocorrer depende, não só do grau da lesão como também do tecido lesionado. Normalmente afecções musculares requerem um menor tempo de reabilitação que afecções ósseas, que por sua vez podem requerer menor tempo que afecções de ligamentos e tendões, isso se dá devido a particularidades desses tecidos que se expressam tanto nos mecanismos pelos quais eles são lesionados, como no processo de reparação destes. Vários protocolos são descritos, podendo o tempo total de reabilitação variar desde alguns meses até mesmo um ou dois anos em desmopatias e tendinopatias mais graves9;37.

Considerações Finais

Os avanços na área da fisioterapia e reabilitação de equinos têm proporcionado resultados aos animais atletas que anteriormente seriam improváveis. A diversidade de métodos de terapia física disponíveis facilita a sua aplicabilidade e torna possível subtrair o tempo que seria necessário a reabilitação dos equinos, provendo melhor condição de vida ao animal e minimizando prejuízos financeiros. Sendo assim, temos em tais métodos uma poderosa ferramenta terapêutica a disposição de medicina esportiva equina.

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