TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÃO EM EQUINOS

Os primeiros sucessos da técnica de transferência de embriões (TE) na espécie equina foram obtidos na década de 70 (ALLEN & ROWSON, 1972; OGURI & TSUTSUMI, 1974 apud SILVA, 2003). No Brasil, segundo ALVARENGA (2010) apud EVANGELISTA (2012), o uso da TE iniciou em 1986, sendo considerado hoje o maior produtor de embrião equino, tendo em média 40 centros de TE em equinos, a maioria concentrados nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. A TE propicia a propagação de material genético de fêmeas zootecnicamente superiores, além de promover o aumento anual significativo do número de crias (BALL et al., 1986 apud TAVEIROS et al., 2008). ARRUDA et al., (2008) apud LIRA et al., (2009) mencionaram que a biotécnica favorece o controle de doenças quando há transferência de material genético entre estados e países. HINRICHS, (2005) apud LIRA et al., (2009) afirmaram que a TE é relativamente simples quando comparada com técnicas mais avançadas, a dificuldade desse procedimento está na organização e coordenação dos componentes separados que afetam o sucesso da taxa, como o manejo da égua doadora, qualidade da égua receptora e da sincronização e técnica na transferência.

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TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÃO EM EQUINOS

Os primeiros sucessos da técnica de transferência de embriões (TE) na espécie equina foram obtidos na década de 70 (ALLEN & ROWSON, 1972; OGURI & TSUTSUMI, 1974 apud SILVA, 2003). No Brasil, segundo ALVARENGA (2010) apud EVANGELISTA (2012), o uso da TE iniciou em 1986, sendo considerado hoje o maior produtor de embrião equino, tendo em média 40 centros de TE em equinos, a maioria concentrados nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. A TE propicia a propagação de material genético de fêmeas zootecnicamente superiores, além de promover o aumento anual significativo do número de crias (BALL et al., 1986 apud TAVEIROS et al., 2008). ARRUDA et al., (2008) apud LIRA et al., (2009) mencionaram que a biotécnica favorece o controle de doenças quando há transferência de material genético entre estados e países. HINRICHS, (2005) apud LIRA et al., (2009) afirmaram que a TE é relativamente simples quando comparada com técnicas mais avançadas, a dificuldade desse procedimento está na organização e coordenação dos componentes separados que afetam o sucesso da taxa, como o manejo da égua doadora, qualidade da égua receptora e da sincronização e técnica na transferência.

Atualmente existem dois métodos para a TE em equinos, o cirúrgico e o não cirúrgico. No método cirúrgico foram obtidas taxas de prenhez de menor amplitude de variação, ou seja, mais homogêneas, oscilando entre 65 a 80% (IMEL, 1981; IMEL et al., 1981; SQUIRES et al., 1982; IULIANO et al., 1985; CARNEY et al., 1991; MULLER & CUNAT, 1993; SQUIRES & SEIDEL, 1995; SQUIRES et al., 1999 apud SILVA, 2003). No entanto, SILVA (2003) ressaltou que o procedimento cirúrgico trata-se de uma intervenção de caráter invasivo, que requer profissionais altamente capacitados, tempo, equipamentos especiais, e medicamentos, elevando os custos e tornando sua aplicação questionável em termos práticos.

A técnica de TE não cirúrgica é o método mais prático e foi descrito pela primeira vez por OGURI & TSUTSUMI (1972), desde então, ela vem sendo utilizada em diversos países, sendo considerada uma das principais biotécnicas da reprodução assistida em equinos (FERREIRA, 2011). RIERA (2009) apud FERREIRA et al. (2011), apontaram algumas vantagens do emprego a TE não cirúrgica, como o aumento da produtividade égua/ano, obtenção de produtos de éguas incapazes de conduzir a gestação a termo por problemas adquiridos e a possibilidade de manter éguas de performance em atividades ao longo do ano. Porém, nessa técnica os resultados variavam, entre 26 e 83% de prenhez (IMEL, 1981; IMEL et al., 1981; SQUIRES et al., 1982; IULIANDO et al., 1985; MULLER & CUNAT, 1993; RIERA & McDOUGH, 1993; FLEURY, 1998; SQUIRES et al., 2003). De acordo com HURTGEN & GRANJAM (1979); IULIANO et al. (1985); LAGNEAUX & PALMER (1989) apud SILVA (2003), diversos fatores ocasionam tais variações nas taxas de prenhez por meio da TE não cirúrgica, tais como:

– Local de deposição do embrião;

– Danos sofridos pelo embrião durante a transferência;

– Possível expulsão do embrião do útero;

– Possível introdução de contaminantes dentro do útero;

– Manipulação excessiva da genitália durante a introdução do inovulador ou da pipeta contendo embrião.

Independente do método escolhido, existem alguns aspectos em relação a TE de ligação direta com a égua que precisam ser observados, como a seleção e manejo da égua doadora e da receptora. SQUIRES et al. (1999) apud LIRA et al. (2009), relataram que, para a escolha da égua doadora deve ser levado em consideração todo seu histórico reprodutivo, a fertilidade e genitores, as diretrizes do registro da raça, o valor potencial do potro resultante e o número de gestações desejadas, já o manejo consisti em monitorar seu comportamento reprodutivo, a principal forma de realizar o monitoramento é a observação. Em relação a seleção e manejo da égua receptora, VANDERWALL & WOODS (2007); McKINNON & SQUIRES (2007) apud LIRA et al. (2009), relataram que são os fatores de maior importância para o sucesso dessa biotécnica, já que ela irá conceber o embrião e fornecerá todas as condições necessárias para o seu desenvolvimento (FLEURY et al. 2007, apud LIRA et al., 2009). Os critérios para a seleção inclui peso, idade, boa índole e o bom desenvolvimento mamário (SQUIRES et al., 1999, apud LIRA et al. 2009), assim como ciclos estrais normais e livres de anormalidades uterinas e ovarianas (VANDERWALL & WOODS, 2007 apud LIRA et al. 2009).

Outro ponto importante na TE é a sincronização do estro e indução a ovulação, os métodos utilizados para sincronizar a receptora com a doadora são: ovulação espontânea, indução da ovulação e terapia hormonal de receptoras que não estão ovulando (ZERLOTTI, 2012 apud EVANGELISTA 2012). A janela de sincronização entre a ovulação da receptora e doadora é fundamental para o sucesso da prática. As éguas doadoras que se encontram em estro vão ser examinadas uma vez por dia, até que o folículo dominante seja identificado, designado dia 0. De acordo com, VANDERWALL (2000); SQUIRES (2003); LOSINNO; ALVARENGA (2006); MCKINNON; SQUIRES (2007); HARTMAN (2011) apud EVANGELISTA (2012), a janela de sincronização usualmente utilizada é aquela na qual as receptoras encontram-se entre o quarto e oitavo dia de ovulação, que deve estar relacionado com a doadora (D0), e a coleta do embrião ocorre no dia sete, então a receptora pode ovular um dia antes (+1) ou até três dias depois (+3), encontrando-se apta para receber o embrião.

Em relação a importância da superovulação, LIRA et al. (2009), mencionaram que o tratamento superovulatório aumenta significativamente a eficiência e em contrapartida, diminui potencialmente o custo de um programa de TE, porém existem duas principais razões pelas quais a superovulação não seja comumente utilizada em equinos: por conta da anatomia do ovário, uma vez que, segundo SQUIRES; MCCUE (2007) apud EVANGELISTA (2012), somente uma pequena porção do ovário tem epitélio germinativo para acomodar a ovulação, denominada fossa ovulatória, e a ausência de um produto que induza múltiplas ovulações confiantemente (SQUIRES, 2006 apud LIRA et al., 2009). Mas ainda assim, encontra-se disponíveis alguns protocolos para que se consiga alcançar essa superovulação.

Assim como outras biotécnicas usadas da reprodução equina, a TE tem suas vantagens e desvantagens, que devem ser levadas em consideração na hora da sua aplicação no plantel, juntamente com todos os outros pontos que a compõem para o sucesso da prática. A TE não cirúrgica apresenta maior praticidade em relação a TE cirúrgica, no entanto, a última possui menor variabilidade nas taxas de prenhez. Por esses motivos, a transferência de embriões não cirúrgica é a técnica mais difundida.

Texto por: Nathalia Oliveira, Zootecnia – Universidade Federal de Goiás, UFG, Goiânia GO

Edição e Revisão: Camila Arruda de Almeida – Zootecnista pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS

EVAGELISTA, R. M. A transferência de embriões em equinos e a importância da égua receptora. Porto Alegre – RS, 2012.

FERREIRA, J. C.; MEIRA, C. Aplicação de ultrassonografia colorida doppler em programas de transferência de embriões em equinos. Ciência rural, v. 41, n.6. Santa Maria – RS, jun. 2011. P, 1063-1069.

FLEURY, J. J.; PINTO, A. J.; MARQUES, A.; LIMA, C. G.; ARRUDA, R. P. Fatores que afetam a recuperação embrionária e os índices de prenhez após transferência transcervical em equinos da raça Mangalarga. Braz. J. vet. Res.anim. Sci, v. 38, n. 1. São Paulo – SP, 2001. P, 29-33.

LIRA, R. A.; PEIXOTO, G. C. X.; SILVA, A. R. Transferência de embriões em equinos: revisão. Acta veterinária brasílica, v. 3, n. 4. 2009. P, 132-140.

SILVA, L. D. Técnica ultra-sonográfica de injeção intra-uterina para transferência de embriões em equinos. Viçosa – MG, 2003.

TAVEIROS, A. W.; MELO, P. R. M.; MACHADO, P. P.; NETO, L. M. F.; JUNIOR, E. R. S.; SANTOS, M. H. B.; LIMA, P. F.; OLIVEIRA, M. A. L. Perda de concepto em programa de inseminação artificial e de transferência de embriões em eqüino da raça Mangalarga Machador. Medicina veterinária, v. 2, n. 2. Recife – PE, 2008. P, 28-33.

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