TRATAMENTO CIRÚRGICO DA MIOPATIA FIBRÓTICA

A Miopatia Fibrótica é uma doença degenerativa que atinge principalmente equinos da raça Quarto de Milha, afetando comumente os membros pélvicos do animal caracterizado pela formação de uma fibrose ou ossificação do músculo, causada por ações traumáticas que evoluem para uma ruptura dos feixes musculares. Acometem principalmente os músculos semimembranoso e semitendinoso, podendo estes aderir-se e limitar a sua movimentação alterando o andar.

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TRATAMENTO CIRÚRGICO DA MIOPATIA FIBRÓTICA – RELATO DE CASO

Autores:

Ivens Navarro Haponiuk Prus

Graduando de Medicina Veterinária PUCPR

ivenshaponiuk@gmail.com

Enio Augusto Granatto de Oliveira

Instituição Regimento da Polícia Montada Coronel Dulcídio

Luane Camargo Zeni

Instituição PUC PR

Andressa Batista da Silveira

Instituição UFMG

Luciana Doria Ribeiro Cabral

Médica Veterinária Autônoma

Introdução

A Miopatia Fibrótica é uma doença degenerativa que atinge principalmente equinos da raça Quarto de Milha, afetando comumente os membros pélvicos do animal caracterizado pela formação de uma fibrose ou ossificação do músculo, causada por ações traumáticas que evoluem para uma ruptura dos feixes musculares. Acometem principalmente os músculos semimembranoso e semitendinoso, podendo estes aderir-se e limitar a sua movimentação alterando o andar. A formação da fibrose é facilmente identificada durante a palpação pelo desenvolvimento de uma massa de consistência firme. A alteração no passo do animal, o auxílio do exame ultrassonográfico e radiográfico da região, são métodos que colaboram no diagnóstico da doença e da região afetada. Com isso, a intervenção cirúrgica é recomendada.

Relato de caso

Um equino macho, mestiço, 17 anos, utilizado no patrulhamento montado, foi atendido na Unidade Hospitalar de Equinos – PUC-PR, apresentando claudicação do membro posterior esquerdo (MPE). Ao exame clínico constatou-se claudicação mecânica ao passo, sendo possível observar que o paciente não executava a fase cranial do passo, fazendo com que o membro acometido fosse abruptamente puxado para trás. Durante a palpação notou-se uma massa de consistência rígida na porção caudal da coxa do MPE. Ao exame radiográfico da região do glúteo não foi observado alteração, porém ao exame ultrassonográfico observou-se presença de sombra acústica posterior, no músculo semitendinoso do MPE (Figura 1), podendo estar relacionado à calcificação muscular. Com os achados optou-se por realizar tenotomia da inserção tibial do m. semitendinoso (Figura 2), porém não foi obtido sucesso.

FIGURA 1 – imagem de US sobre a massa em região de glúteo esquerdo, podendo ser observado sombra acústica posterior do m. semitendinoso

FIGURA 2 – ressecção do tendão do músculo semitendinoso com auxilio de um cabo de bisturi.

Com isso, após 4 meses da primeira intervenção, foi realizado a ressecção cirúrgica da massa fibrosa no músculo semitendinoso (miectomia) (Figura 3), sendo fixados pontos de ancoragem, para auxiliar na manutenção do curativo da incisão cirúrgica (Figura 4).

FIGURA 3 – ressecção cirúrgica do m. semitendinoso, na porção mais distal da massa.

FIGURA 4 – curativo para manutenção da incisão cirúrgica, com auxilio de pontos de ancoragem fixados na pele.

Como tratamento pós operatório foi estabelecido antibioticoterapia durante 9 dias, analgésico por 4 dias, anti-inflamatório não esteroidal e protetor gástrico por 3 dias. A fisioterapia diária constituída de caminhadas duas vezes ao dia durante oito dias e hidroterapia na região foi instituído a fim de não criar aderências. Após 10 dias, foram retirados os pontos cirúrgicos e readaptou-se a fisioterapia para caminhadas que intercalavam passo e trote, fechando 21 dias de tratamento. Posteriormente a este período, o animal foi liberado para as suas atividades.

Resultados e Discussão

A tenotomia da inserção tibial do semitendinoso é uma cirurgia que por menos invasiva que seja não apresenta bons resultados, pois não tem o efeito desejado de recuperação completa do passo do animal. Neste caso a massa impediu de alguma forma que o andar retornasse por completo, sendo necessária nova intervenção cirúrgica. Outros autores propõem a miectomia do músculo afetado e liberação de possíveis adesões com outros músculos, sendo está técnica mais invasiva, porém com melhor evolução e conclusão do caso.

Conclusões

A miectomia neste relato, mostrou-se mais efetiva, pois permitiu com que o passo do cavalo retornasse ao normal, reduzindo seu tempo de recuperação e com retorno satisfatório as suas atividades físicas habituais.

Referências de Pesquisa

ALMEIDA, L.E.; ALMEIDA, R.D.; BASSO, K.M.; OLIVEIRA, L.A.; ROLIM, R.D.; YAMASAKI, L.; Miopatia fibrótica em equino: relato de caso

FRASER, C. M. Manual Merck de Veterinária. 8 ed. São Paulo: Roca, 1997. 2980p.

JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 7. ed. Rio de Janeiro. Guanabara koogan. 1998.

OLIVEIRA, Carlos Eduardo Fernandes. Afecções locomotoras traumáticas em eqüinos (Equus caballus, LINNAEUS, 1758) de vaquejada atendidos no Hospital Veterinário /UFCG, Patos – PB. 2008. 55f. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade Federal de Campina Grande Centro de Saúde e Tecnologia Rural, Patos, 2008. Disponível em: http://www.cstr.ufcg.edu.br/mono_mv_2008_2/monogr_carlos_eduardo_fernandes.pdf. Acessado em: 12 de dez. de 2015.

STASHAK, T. S. Claudicação em Eqüinos Segundo Admas. 5ª. ed. São Paulo: Roca, 2006. 1112p.

VETERINARIAN DOCS. Clínica Médica de Equinos. [S.I.; s.n.], 2001. Disponível em: http://www.veterinariandocs.com.br/documentos/Arquivo/Cl%C3%ADnica-de-Equinos/Cl%C3%ADnica%20M%C3%A9dica%20de%20Equinos%2001.pdf. Acessado em: 15 de dez. de 2015.

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