Tromboflebite Jugular Equina

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O termo trombo significa coágulo sanguíneo, sendo a trombose a formação ou desenvolvimento de um trombo dentro do sistema vascular e tromboflebite a inflamação da veia associada ao trombo. Os trombos podem ocorrer em qualquer lugar do sistema cardiovascular variando de tamanho e de forma, ditados pelo local de origem e as circunstâncias que levaram ao seu desenvolvimento.

 

SISTEMA VASCULAR

O sistema vascular é composto pelo coração, artérias, arteríolas, veias, capilares e vênulas, os quais bombeiam, transportam e distribuem os elementos requeridos pelas células do organismo pelo sangue. A função primária do sistema vascular consiste em manter a circulação sanguínea, permitindo o intercâmbio normal de líquidos, eletrólitos, oxigênio, nutrientes e a excreção de substâncias entre o sistema vascular e os tecidos. O comprometimento desta função interfere nessas trocas, originando doenças do sistema vascular e alterações em outros órgãos e sistemas.

A composição básicas dos vasos consiste de três túnicas: íntima, média e adventícia. A camada mais interna é a íntima, que tem contato direto com o sangue e é composta por células endoteliais. A camada média é composta por células musculares lisas, fibras colágenas, fibras elásticas e fibroblastos. A adventícia é a camada mais externa, constituída de tecido conjuntivo frouxo, arteríolas e vênulas que favorecem nutrientes e componentes de tecido conjuntivo fornecendo suporte e sustentação.

 

TROMBOSE

O três fatores que levam ao desenvolvimento da trombose são: a alteração da parede vascular, do fluxo sanguíneo e dos componentes do sangue, que é conhecida como Tríade de Virchow, podendo exercer diferentes graus de influência, atuando isoladamente ou associados. Estes princípios são a base do conhecimento do processo mórbido em questão.

A lesão endotelial impede que as vias inibidoras da coagulação atuem em determinados segmentos reduzindo a atividade antitrombótica de forma significativa, produzindo co-fatores da potrombina e da trombomodulina, além de inibir o ativador do plasminogênio tissular. O endotélio pode ser lesado por agressões mecânicas, por substâncias químicas exógenas irritantes ou ainda por estímulos inflamatórios causados por agentes infecciosos ou não.

 

TROMBOFLEBITE JUGULAR

Nos equinos, a tromboflebite jugular é geralmente de origem iatrogênica, resultante da complicação do uso prolongado de cateteres venosos ou de injeções intravenosas, que causam lesão química ou mecânica na parede do vasos, está associado a processos iatrogênicos que afetam a Tríade de Virchow. A venopunção repetitiva, a aplicação de cateteres, a medicação intravenosa com fluxo rápido e longo período, o uso medicamentos e substâncias agressivas ao endotélio vascular e a deposição perivascular desses medicamentos causa por si a trombose jugular. Estas ações associadas a predisposição do paciente ao processo, são desencadeantes da lesão.

Os sinais clínicos são na maior parte visíveis, podendo apresentar o aumento de volume dos tecidos proximais à obstrução venosa, sendo unilateral ou bilateral; obstrução das vias aéreas, pois o retorno sanguíneo para a cabeça é acometido; em flebites sépticas a região fica tumefeita e com presença de conteúdo purulento, podendo levar à necrose subcutânea e, em casos graves, até o óbito do paciente.

Imagem: Edema de cabeça devido a obstrução bilateral da jugular, com posição de abaixamento de cabeça e exteriorização da língua.
Fonte: http://revistas.bvs-vet.org.br/recmvz/article/view/3338/2543

 

 

O diagnóstico é baseado na história clínica do paciente, o aspecto clínico da veia jugular pulsante e calibrosa, (freqüentemente com frêmito no local) e a presença de sangue arterial no interior da veia, e através da palpação, apresenta-se fina ou engrossada.

Imagem: Aspecto clínico da Tromboflebite jugular equina
Fonte: STAINKI, 2005.

 

A confirmação da enfermidade pode ser feita, através do exame ultrassonográfico que permite ainda avaliar a extensão da lesão e distinguir entre flebite, tromboflebite, perivasculite e presença de infecção local. Quando visualizamos qualquer espessamento na parede vascular, o diagnóstico é de flebite e se acompanhada de uma massa que varia de hipoecóica a ecogênica no lúmen do vaso, caracterizando trombo, estamos perante a um quadro de tromboflebite.

 

Imagem: Aspecto ultrassonográfico da veia jugular.
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-736X2012000700002

A prevenção consiste em punções venosas e cateterizações realizadas com tricotomia e anti-sepsia, equipamentos esterilizados, cateter por um curto período, evitar aplicações de drogas irritantes ou aplicar de maneira correta e esses procedimentos devem ser realizados somente pelo Médico Veterinário.

Nos casos das tromboflebites assépticas o prognóstico é favorável, e o animal pode se recuperar pelo desenvolvimento da circulação colateral. Entretanto no caso das tromboflebites sépticas o prognóstico é reservado, devendo o tratamento ser fundamentado na terapia antimicrobiana apropriada.

Texto por: Isabella Corredor de Oliveira, Graduanda do 5º ano de Medicina Veterinária pela Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista – SP.

Revisão e edição: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

BALIELO, Fernando Negrão. Tromboflebite jugular equina (TJE). Publicação científica da Faculdade de Medicina Veterinária de Garça/FAMED. Garça, 2007

FERREIRA, Renato Fonseca. Relato de Caso: Tromboflebite séptica da Jugular. Publicado em: Abraveq –  Associação Brasileira dos Médicos Veterinários de Equídeos.

HUSSNI, Carlos Alberto et al. Tromboflebite jugular em Equinos. II Simpósio Alagoano de Medicina Veterinária. Botucatu, 2012.

HUSSNI, Carlos Alberto et al. Aspectos clínicos, ultra-sonográficos e venográficos da tromboflebite jugular experimental em equinos. Pesquisa Veterinária Brasileira. Colégio Brasileiro de Patologia Animal – CBPA, v. 32, n. 7, p. 595-600, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/14690>. Acesso em: 27/02/2017

JONES, Thomas Carlyle. Patologia Veterinária. 6ª edição. São Paulo: Editora Manole Ltda, 2000.

TRICHES, Peterson et al. Tromboflebite jugular nos Equinos. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – UNESP. Botucatu/SP, 2000.

 

 

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