Uroperitônio em três potros Puro Sangue de Corrida

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Uroperitoneum in three Thoroughbred foals.

Stefano Leite Dau¹; Flávio Desessards de La Corte2*; Karin Erica Brass2; Marcos Azevedo3; Roberta Carneiro da F. Pereira3; Endrigo Pompermayer4; Laura Huber5

  1. Médico Veterinário, Mestrando, Programa de Pós-Graduação, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: stefanodau@hotmail.com
  2. Professor Associado do Departamento de Clínica de Grandes Animais (DCGA), UFSM. Email: delacorte2005@yahoo.com.br *Autor para correspondência.
  3. Doutorando, Programa de Pós-Graduação em Cirurgia Veterinária, UFSM. Email: socram_vet@yahoo.com.br
  4. Médico Veterinário Autônomo, Doha Racing & Equestrian Events, Qatar
  5. Médica Veterinária Autônoma, Santo Angelo-RS. E-mail: laura.huber16@hotmail.com

RESUMO: São descritos três casos de uroperitônio em duas potrancas e um potro Puro Sangue de Corrida de 12, 20 e 8 dias de idade, respectivamente. Os animais apresentavam sinais de dor abdominal leve à moderada, taquipnéia, taquicardia, distensão abdominal e disúria. O diagnóstico de uroperitônio foi realizado por meio de ultra-sonografia transabdominal onde se observou a presença de imagens ecográficas sugestivas de alças intestinais flutuando em grande quantidade de líquido hipoecóico; e confirmado pela relação creatinina do líquido abdominal : creatinina sérica acima de dois. Primeiramente os potros foram submetidos à fluidoterapia intravenosa associada à drenagem progressiva do líquido peritoneal para posterior celiotomia exploratória com o objetivo de localizar e reparar a lesão. Na potranca de 20 dias e no potro de 8 dias foi identificada uma ruptura de úraco. Na potranca de 12 dias, foi constatado um defeito congênito na parede dorsal da bexiga que foi reparado após leve debridamento dos bordos da lesão. Nos três casos foi efetuada a ressecção do úraco, veia e artérias umbilicais e posterior cistorrexia. Os animais de 20, 8 e 12 dias de idade apresentaram uma melhora rápida e sem complicações após a correção cirúrgica, recebendo alta aos nove, sete e 23 dias após a intervenção, respectivamente.

Unitermos: potros, ruptura de bexiga, uroperitônio, úraco patente

ABSTRACT: Three cases of uroperitoneum in Thoroughbred foals, two females and one male, are described in the present study. The animals showed clinical sings of mild to moderate abdominal pain, tachycardia, tachypnea, abdominal distention and straining to urinate. The diagnosis of uroperitoneum was made by transabdominal ultrasound examination and confirmed by the ratio of [abdominal fluid creatinine] : [serum creatinine] greater than two. Initially the foals were treated with intravenous fluid therapy associated with progressive drainage of peritoneal fluid for subsequent exploratory laparotomy in order to identify and repair the lesion. A ruptured urachus was identified in the 20-day-old filly and in the 8-day-old colt. The 12-day-old filly had a congenital defect in the dorsal aspect of the bladder; this defect was repaired after debridement of the lesion edges. The resection of urachus, umbilical vein and arteries was performed in all three cases followed by cistorrhaphy. The outcome was good without complications after surgical correction; the 20-day old filly , 8-day-old colt and the 12-day-old filly were discharged at 9, 7 and 23 days after surgery, respectively.

Keywords: foal, bladder rupture, uroperitoneum, patent urachus

Uroperitoneo en tres potros Pura Sangre de Carrera

Tres casos de uroperitoneo son descriptos, respectivamente, en dos potrancas y un potro Pura Sangre de Carrera de 12, 20 y 8 días de edad. Los animales presentaban señales de dolor abdominal discreta a moderada, taquipnea, taquicardia, distensión abdominal y disuria. El diagnóstico de uroperitoneo fue realizado por medio de ultrasonografía transabdominal, donde fueron observadas vueltas intestinales fluctuando en gran cantidad de líquido hipoecogénico; fue confirmado por la relación creatinina del líquido abdominal: creatinina sérica arriba de 2. Primeramente los productos fueron sometidos a la fluidoterápia intravenosa asociada a un drenaje progresivo del líquido peritoneal para una posterior quirurgia abdominal exploratoria con el objetivo de localizar y reparar la lesión. En la potranca de 20 días y en el potro de 8 días fue identificada una ruptura de uraco. En la potranca de 12 días fue constatada una alteración congénita en la pared vesical dorsal que fue reparada después de un desbridamiento de los bordos de la lesión. En los 3 casos fue efectuada la resección del uraco, de las venas y arterias umbilicales e una posterior cistorrafia. Los 3 animales de 20, 8 y 12 días de edad presentaron una rápida mejora sin complicaciones después de la corrección quirúrgica, y recibieron alta 9, 7 y 23 días después.

Palabras-claves: potrillo, uroperitonio, ruptura de vejiga, quirurgia

Introdução

O uroperitônio é uma doença comum em neonatos, principalmente recém-nascidos hospitalizados, de ocorrência mais esporádica em potros jovens e menos frequente em animais adultos6,15,16. A ruptura de bexiga é a causa mais comum de uroperitônio, contudo, outras lesões do trato urinário como ruptura e infecção de úraco, ruptura e a má formação congênita dos ureteres podem determinar o mesmo quadro clínico3,10,19. A fisiopatologia da ruptura de bexiga e úraco não está completamente esclarecida, porém se acredita que as pressões extra-abdominais sofridas durante o parto sobre a bexiga repleta e a infecção do umbigo sejam as principais causas, respectivamente10,13. Por outro lado, em cavalos adultos, as causas mais comuns de uroperitônio descritas são urolitíase, exercício intenso e, em éguas, lesões de bexiga e uretra durante o parto12,15.

A manifestação clínica de uroperitônio pode ocorrer nos primeiros dias pós-parto. Os sinais clínicos comumente encontrados são fraqueza, depressão, dificuldade em mamar, disúria, presença de pequeno volume ao urinar, taquicardia e taquipnéia10. À medida que a doença progride, pode-se observar distensão abdominal e os animais podem adotar uma postura com os membros estendidos13. Sinais de comprometimento sistêmico como febre, congestão de mucosas, diarréia e envolvimento de outros órgãos também são observados em alguns casos de uroperitônio19.

O diagnóstico é baseado nos achados clínicos associados aos exames de ultra-sonografia, análise do liquido peritoneal, bioquímica e hemograma5,10. A relação maior que dois entre a concentração de creatinina do líquido peritoneal e a sérica confirma o diagnóstico16. O tratamento de escolha é a correção cirúrgica da origem do extravasamento de urina para a cavidade2. Contudo, esta é uma emergência clinica e não cirúrgica, logo os animas devem ser estabilizados para posterior intervenção cirúrgica e assim diminuir possíveis complicações no transoperatório13.

TABELA 1: Concentração de creatinina plasmática (CP) e do líquido peritoneal (CLP) e a relação entre CP:CLP dos potros PSC com uroperitôneo.

Potro CP

(mg/dL)

CLP

(mg/dl)

Relação

CP : CLP

1 1,53 5,48 1: 3,58
2 4,4 22,00 1:5
3 6,5 17,6 1:2,7

Relato de Caso

CASO 1: Uma potranca com 20 dias de idade oriunda de um criatório no Sul do Brasil. Exame físico: apresentava-se apática, com distensão abdominal, prolapso de reto de grau II (Fig. 1), freqüência cardíaca (FC): 96 batimentos por minuto (bpm), freqüência respiratória (ƒ): 30 movimentos respiratórios por minuto (mrpm) e tempo de perfusão capilar (TPC): 3 segundos (”). Na ultrassonografia abdominal (US) observou-se grande quantidade de líquido hipoecóico livre na cavidade e ausência de conteúdo no interior da vesícula urinária. Exames laboratoriais: não foram evidenciadas alterações nos parâmetros hematológicos; o perfil bioquímico apresentou elevação da fosfatase alcalina (FA) (744,14 UI/dL), gama glutamil transferase (GGT) (26,35 UI/dL) e uréia (71,03 mg/dL). O líquido obtido na abdominocentese apresentava coloração amarelo palha, turvação média, densidade: 1008, proteína: 1,4 gr/dL, pH 8 e presença de hemácias.

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Figura 1: Prolapso de reto (grau II) no caso acima. (Foto arquivo pessoal Dr. De La Côrte)

CASO 2: uma potranca, proveniente da mesma propriedade do caso anterior, com 12 dias de vida. Exame físico: o animal chegou alerta com sinais de distensão abdominal, FC: 80 bpm, ƒ: 136 mrpm, temperatura retal (TR): 39,1oC e TPC: 2”. O US revelou a presença de muito líquido hipoecóico livre na cavidade abdominal e a bexiga semirepleta (Fig. 2), sem presença de lesão aparente. Exames laboratorias: No hemograma foi observada leucocitose (15.600 leucócitos/µL), e constatada elevação da concentração ([]) sérica de uréia (121,47 mg/dL), GGT (33,05 UI/dL), FA (1128 UI/dL) e creatinina (4,4 mg/dL) no exame bioquímico. O líquido obtido através de abdominocentese apresentava coloração amarelo palha, aspecto límpido, densidade 1010, pH 7,5, proteína: 1,6 gr/dL com presença de pequena quantidade de neutrófilos e linfócitos.

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Figura 2: Ultrassonografia transabdominal onde se observa uma imagen sugestiva de uma quantidade anormal de liquido livre na cavidade e distensão parcial da bexiga. O aspecto ventral do abdome está no topo. (Foto arquivo pessoal Dr. De La Côrte)

CASO 3: Um potro com oito dias de vida. Exame físico: o animal estava alerta, FC: 80 bpm, ƒ: 36 mrpm, TPC: 1”, TR: 37,8oC. Ao exame de US, foi verificada a presença de líquido livre na cavidade e repleção vesical. Exame laboratorial: No hemograma se pode observar hemoglobinemia (8,8 g/dL). No exame bioquímico, foi constatada alteração na concentração sérica das enzimas creatina quinase (687,57 UI/L), creatinina (6,5 mg/dL), FA (530 UI/dL), GGT (36,67 UI/L) e uréia (284,28 mg/dL). Na abdominocentese, se obteve líquido de coloração branca, de aspecto turvo, com densidade 1.008, pH 6,5 e proteína 1,6 gr/dL e presença de 88% de neutrófilos, 11% de linfócitos, 1% de macrófagos com leucócitos com baixo grau degenerativo e presença de eritrofagocitose.

O diagnóstico de uroperitônio, nos três casos que deram entrada no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi realizado por meio dos achados clínicos e ultrassonográficos, e confirmado pela relação maior que dois entre a concentração da creatinina do líquido abdominal e a sérica (Tabela 1). Primeiramente os animais foram estabilizados por meio de fluidoterapia intravenosa com solução salina 0,9% (20ml/kg/min) e glicose 5% (200ml/hr/50kg) associada a drenagem do líquido peritoneal (com um catéter intravenoso 16G de poliuretano) para posterior celiotomia exploratória. O tempo entre a estabilização e a intervenção cirúrgica foi de 12, 18 e 4 horas para os casos 1, 2 e 3, respectivamente.

Para o procedimento cirúrgico, os animais foram pré-medicados com xilazina (1 mg/kg), induzidos com diazepam (0,05 mg/kg) e cetamina (2,2 mg/kg) e mantidos em plano anestésico com isoflurano em oxigênio 100% (10 mL/kg/min). Os potros foram colocados em decúbito dorsal, e a porção ventral do abdômen foi assepticamente preparada para cirurgia. O acesso na cavidade abdominal foi por meio de uma incisão para-retro umbilical na linha média nos três casos.

Nos casos 1(Fig. 3) e 3, foi identificada uma ruptura localizada na transição da bexiga para o úraco, sendo este e os vasos umbilicais removidos após ligadura usando-se fio absorvível multifilamentoso de polyglactina 910, tamanho 0 em padrão isolado simples. Na potranca de 12 dias (caso 2), foi constatado um defeito congênito na parede dorsal da bexiga (medindo 2 cm aproximadamente)(Fig. 4) que foi corrigido, após um leve debridamento dos bordos da lesão, por meio de duas camadas de sutura em padrão Cushing com fio absorvível multifilamentoso de polyglactina 910, tamanho 2-0. Neste caso, também, o úraco, artérias e veias umbilicais foram removidos com posterior cistorrafia usando-se fio de sutura de polyglactina 910 tamanho 2-0 em padrão Cushing.

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Figura 3: Segmento da transição entre a bexiga e o úraco onde se observa o local da ruptura (seta branca) e presença de hemorragia ao redor, sugerindo uma causa traumática. (Foto arquivo pessoal Dr. De La Côrte)

Nos três casos, após a lavagem da cavidade abdominal com Ringer Lactato, a cavidade abdominal foi suturada como de rotina (padrão simples-continua na linha Alba com polyglactina 910 n° 1; padrão Cushing no tecido subcutâneo com polyglactina 910 tamanho 2-0; pele com nylon 2-0 em padrão contínuo simples).

Durante o pós-operatório, os animais receberam cetoprofeno (2,2 mg/kg/dia, IV), omeprazol (1mg/kg/dia, PO), penicilina potássica (22.000 UI/kg, quatro vezes ao dia, IV), gentamicina (6,6 mg/kg/dia, IV) e metronidazol (15mg/kg, três vezes ao dia, PO) por sete dias. A potranca do caso 1 foi submetida a uma segunda intervenção cirúrgica, dois dias após a primeira, para correção do prolapso de reto, uma vez que o tratamento clínico empregado não apresentou uma resposta satisfatória.

Os animais dos casos 1, 2 e 3 apresentaram uma melhora rápida e sem complicações após a correção cirúrgica, e receberam alta aos nove, sete e 23 dias, respectivamente. Salientamos que o potro de oito dias de vida (caso 2) permaneceu hospitalizado por um período maior para tratamento de uma úlcera de córnea, a pedido do proprietário.

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Figura 4: Defeito congênito no fechamento do aspecto dorsal da bexiga. Uma tesoura Metzenbaum reta de 18cm foi introduzida no orifício para sua identificação. (Foto arquivo pessoal Dr. De La Côrte)

Discussão e conclusão

Potros neonatos machos apresentam uma maior predisposição para o desenvolvimento de uroperitônio por lesões na vesícula urinária, quando comparado com as fêmeas, devido a conformação anatômica da uretra mais alongada, dificultando o esvaziamento vesical durante o parto4,10,13. As lesões de úraco são decorrentes, na sua maioria, de infecções de umbigo ou de septicemia6,16,18. Diferentemente, no presente relato, mesmo sendo um grupo pequeno de animais, fêmeas foram mais acometidas; e nos casos de ruptura de úraco não se observou um quadro infeccioso associado. Curiosamente, as duas potrancas eram do mesmo criatório e foram diagnosticadas com 15 dias de intervalo. Outro aspecto interessante é que os animais apresentam idade superior quando comparado a outros trabalhos que apresentam idade inferior a 24 horas4,13,18,21, menos de 48 horas6, dois 8,19,22, quatro 3,16 e 11 dias de vida14.

O teste comparativo entre a [creatinina] do líquido peritoneal com a sérica e o exame ultra-sonográfico, empregados no presente relato, são os exames mais recomendados para o diagnóstico de uroperitônio devido a sua acurácia e fácil realização2,17. Em um estudo com 31 neonatos hospitalizados, a causa primária de uroperitônio foi determinada por meio de ultrassom, e também se verificou que mesmo recebendo fluidoterapia como tratamento de outra enfermidade não houve alteração no resultado do teste comparativo entre a [creatinina] sérica com a peritoneal16. Outros métodos diagnósticos como o raio-X contrastado e a urografia retrógada que permitem a identificação de lesões na uretra, vesícula urinária e ureteres4,10,13,19também podem ser de grande auxilio. Alguns autores ressaltam a importância de se realizar o exame US ou radiográfico do tórax em animais acometidos por uroperitônio, pois estes podem apresentar também urinotórax ou efusão pleural, um agravante durante a anestesia geral3,20,21,22.

A terapia empregada em casos de uroperitônio deve priorizar a estabilização do paciente e a correção de qualquer desequilíbrio eletrolítico, uma vez que esta enfermidade é uma emergência clínica e não cirúrgica3,10,13. O tratamento pré-cirúrgico empregado nos casos deste relato corroboram com o descrito na literatura10,13. Animais que estão sendo tratados para outras enfermidades e desenvolvem uroperitônio podem não apresentar o quadro de desequilíbrio eletrolítico caso estejam recebendo fluidoterapia6,16. A não estabilização dos pacientes antes do procedimento cirúrgico pode desencadear problemas cardiorrespiratórios no pré, trans ou pós-operatório e culminar com a morte do animal1,3,9,10,13,20.

Os microorganismos comumente isolados nos casos de uroperitônio incluem -Streptococcus, bactérias entéricas gram-negativas e anaeróbicas que são semelhantes aos encontrados em potros com sepse2,17,19. Há uma incidência de 63% de infecções em potros associadas a quadros de uroperitônio6. A antibioticoterapia de amplo espectro empregada nos três casos obedeceu a procedimento padrão na clínica e teve como objetivo prevenir/tratar uma possível infecção, como no caso 2, considerando possível contaminação devido a manipulação durante abdominocentese, celiotomia ou cateterização 2,10.

A ruptura de bexiga é a causa mais comum de uroperitônio em neonatos, contudo outras lesões do trato urinário como ruptura e infecção de úraco, ruptura dos ureteres e da uretra, e a má formação congênita podem causar o mesmo quadro clínico3,4,9,10,13,14,19,20,22,23. Além da correção cirúrgica para a ruptura de bexiga, a correção clínica pode apresentar uma resposta satisfatória em alguns casos1,8; contudo este tipo de tratamento pode favorecer a infecção vesical ascendente se não bem manejado2.

O prognóstico para estes casos é favorável em 80-90% dos casos10, porém caso o paciente desenvolva um quadro de uroperitônio concomitante a outra doença sistêmica o prognóstico se torna reservado com uma taxa de 50% de sobrevivência16,21. Algumas complicações que podem ocorrer após a cirurgia são uroperitônio recorrente por drenagem através da sutura, falha na correção do defeito, complicações na incisão, aderências, arritmias por problemas eletrolíticos (hipercalemia), septicemia, pneumonia, hemorragia da artéria umbilical, peritonite e urinotorax7,10,19,20,21,22,23. Os animais do presente relato apresentaram uma recuperação clínica satisfatória e sem complicações após a intervenção cirúrgica, e receberam alta após 9, 7 e 23 dias para os casos 1, 2 e 3 respectivamente. Mesmo em potrancas e potros com idade superior a 10 dias, a presença de uroperitônio deve ser investigada nos casos de distensão abdominal com ou sem sinais de desconforto. O uroperitônio em potros é uma emergência clínica na qual se deve priorizar a estabilização do animal para posterior intervenção cirúrgica. O prognostico é favorável desde que seja identificado e corrigido precocemente e este não esteja associado à outra enfermidade.

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Artigo Autorizado pela revista +Equina 

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