UTILIZAÇÃO DE ÓLEO NA DIETA DE EQUINOS

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De acordo com RESENDE JÚNIOR et al. (2004), nos últimos anos houve uma constante evolução da nutrição dos equinos, os motivos que justificam as pesquisas nessa área são o crescimento da equideocultura e popularização da equitação como esporte e lazer. Esses animais apresentam alta exigência energética, e a principal fonte potencial de fornecimento dessa energia é o óleo (BRANDI et al. 2008). As dietas ricas em óleos são bem aproveitadas pelos equinos, promovem maior metabolismo lipídico intramuscular e hepático e aumentam as reservas de glicogênio, principal forma de armazenamento da glicose no organismo (FLAPE, 1994 apud BRANDI et al. (2008). SCOTT et al. (1992) apud MATTOS et al. (2006) constataram justamente isso, a adição de 10% de gordura animal a uma dieta concentrada fornecida durante três semanas, resultou no aumento e uso das reservas de glicogênio muscular em equinos puro-sangue inglês submetidos a exercício intenso. Os óleos possuem 2,25 vezes mais energia quando comparados aos carboidratos, aumentando a densidade energética das rações e, consequentemente, a ingestão de energia MANZANO et al. (1995). MARCHELLO et al. (2000) apud RESENDE JÚNIOR et al. (2004), destacaram que além desses benefícios, são alimentos palatáveis para os equinos, o autor completou ainda que o uso de lipídeos na dieta de equinos é uma alternativa eficiente para as categorias de alta exigência energética, cavalos atletas ou de trabalho intenso.

Segundo RIBEIRO et al. (2009), são vastas as dietas contendo lipídeos que podem ser ofertadas para os equinos, onde os principais óleos utilizados são de soja, apontado como mais barato e de milho, considerado mais palatável, em alguns casos são ofertados gordura de origem animal, mas não costumam ter boa aceitabilidade. HYNEI & POTTER (1996) apud MATTOS et al. (2006), relataram que ainda não está bem definido a quantidade adequada de gordura a ser incrementada na alimentação, mas a literatura aponta níveis de inclusão entre 10 a 12% do total da dieta, 10 a 12% de concentrado e 12 a 20% de energia digestível da dieta. Entretanto, KONH et al. (1996) apud MATTOS et al. (2006), recomendaram níveis de óleo entre 250 a 500g cavalo/dia. Por outro lado, HINTZ (1997) apud MATTOS et al. (2006), afirmaram que um cavalo deve consumir diariamente, no mínimo, 500g de gordura para apresentar os efeitos metabólicos desejados, e essa quantidade deve ser aumentada gradualmente até 1.000g para obter máximo de efeito. Já LEWIS (1996) apud GODOI et al. (2009), apontaram que os equinos podem utilizar até 20% de gordura adicionada na dieta e 30% na ração concentrada. Atualmente, é possível encontrar vários trabalhos onde os autores buscam encontrar a quantidade de óleo adequada para inserir na alimentação dos equinos.

O uso de óleo para os equinos tem o intuito de suprir a demanda energética, evitando a sobrecarga de carboidratos. A inclusão de gorduras na dieta é capaz de reduzir a severidade de danos musculares, como a rabdomiólise nos equinos de esporte VALENTINE et al. (1998) e HINTZ (1999) apud RESENDE JÚNIOR et al. (2004). A rabdomiólise é um processo inflamatório que acomete o tecido muscular submetido a esforços físicos após ficarem sem praticar suas atividades por longos dias, sendo alimentados com rações ricas em carboidratos (SMITH, 1994; KNOTTENBELT et al., 1998; RIET-CORREA et al., 2001 apud SANTOS et al.; 2009). Outro problema no fornecimento de grandes quantidades de amido na dieta dos equinos é o comprometimento da digestão no intestino delgado, aumentando a quantidade de carboidratos rapidamente fermentáveis no ceco-colón, capazes de resultar em complicações metabólicas, como a laminite.

É evidente que a adição de óleo na dieta de equinos atletas é benéfica, capaz de melhorar a palatabilidade, reduzir a quantidade de consumo dietético, entre outros benefícios. RESENDE JÚNIOR et al. (2004), mencionaram que a principal melhoria apresentada quando se utiliza o oléo, é o aumento do nível energético sem o correspondente aumento do fornecimento de matéria seca da dieta. Na literatura é possível encontrar diversos experimentos em que os autores concluíram que a inclusão de óleo não interfere na aceitabilidade dos animais. É necessário que o próprio criador faça a inclusão do óleo, de forma experimental para constatar se há melhora ou não no desempenho do animal, pois é possível que a resposta do mesmo a esse uso varie de acordo com a raça, idade, sexo e, principalmente a função exercida.

Texto por: Nathalia Oliveira, Zootecnia – Universidade Federal de Goiás, UFG, Goiânia GO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDI, R. A.; FURTADO, C. E.; MARTINS, E. N.; FREITAS, V. V.; LACERDA-NETO, J. C.; QUEIROZ-NETO, A. Efeitos de dietas com adição de óleo e do treinamento sobre a atividade muscular de equinos submetidos à prova de resistência. Acta. Sci. Anim. Sci., v. 30, n. 3. 2008. P, 307 – 315.

GODOI, F. N.; ALMEIDA, F. Q.; SALIBA, E. O. S.; VENTURA, H. T.; FRANÇA, A. B.; RODRIGUES, L. M. Consumo, cinética digestiva e digestibilidade de nutrientes em equinos atletas alimentados com dietas contendo óleo de soja. R. Bras. Zootec., v. 38, n. 10. 2009. P, 1928 – 1937.

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MATTOS, F.; ARAÚJO, K. V.; LEITE, G. G.; GOULART, H. M. Uso de óleo na dieta de equinos submetidos ao exercício. R. Bras. Zootec., v. 35, n. 4. 2006. P, 1373 – 1380.

MORGADO, E. S.; ALMEIDA, F. Q.; GODOI, F. N.; GOMES, A. V. C.; GALZERANO, L.; FRANÇA, A. B.; BRASILEIRO, L. S. Digestão de carboidratos em equinos alimentados com dietas compostas de volumoso ou volumoso suplementado com concentrado e/ou óleo de soja. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v. 61, n. 5. 2009. P, 1119 – 2009.

RESENDE JÚNIOR, T.; REZENDE, A. S. C.; LACERDA JÚNIOR, O. V.; BRETAS, M.; LANA, A.; MOURA, R.S.; RESENDE, H. C. Efeito do nível de óleo de milho adicionado à dieta de equinos sobre a digestibilidade dos nutrientes. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v. 56, n. 1. Belo Horizonte – MG, 2004.

RIBEIRO, R. M.; PASTORI, W. T.; FAGUNDES, M. H. R.; PREZOTTO, L. D., GOBESSO, A. A. O. Efeito da inclusão de diferentes fontes lipídicas e óleo mineral na dieta sobre a digestibilidade dos nutrientes e os níveis plasmáticos de gordura em equinos. R. Bras. Zootec., v. 38, n. 10. 2009. P, 1989 – 1994.

SANTOS, D. L.; PAULA, F. C. Rabdomiólise em equinos. R. Cient. Elet. Med. Vet.. ano. VII, n. 12. Jan/2009.

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